sábado, 23 de maio de 2009

Jornal, jornais "i"

Para quem ainda tinha algumas dúvidas sobre a orientação política e ideológica do novíssimo jornal i, nada melhor do que ler o editorial de hoje intitulado A política social não serve para nada de Martim Avillez Figueiredo.

Este texto cita, entre outros ilustres, James Watson que, para além de ser conhecido pelo seu trabalho pioneiro na descodificação do ADN, foi o autor de afirmações polémicas sobre África e as políticas ocidentais para o desenvolvimento deste continente. Segundo este cientista, estas estariam erradas pois assentam num pressuposto falso, a de que os negros são igualmente inteligentes aos brancos. (Ver mais sobre este assunto aqui; o editorial do i pode ser lido aqui.)

É claro que o que se escreve num jornal não flui apenas em função do que pensa o seu editor principal. Em todo o caso, o editor escolhido e, claro está, o que é revelado através da sua coluna de opinião, explicam, de certa maneira, por que razão determinadas pessoas e opiniões (e não outras) aparecem no resto do jornal.

O que mais me "chateia" nisto tudo é o não haver, logo à partida, uma identificação clara das posições ideológicas dos jornais. Pelo menos aquela que nortea a escolha dos seus colunistas e, claro está, a do seu editor principal.

Lembram-se da primeira edição o i? Falava em devolver aos leitores o gosto de ler um jornal e coisas do género. Prometia colunistas como João Carlos Espada, Ricardo Reis e, talvez para baralhar, Paul Krugman. Mas nada se disse sobre a orientação ideológica do jornal. Acho que, por uma questão de honestidade para com o leitor, ela deveria ser desde logo assumida. Mas compreendo que, num mercado pequeno como o nosso em que para sobreviver é necessário vender para todos, seja melhor fazer com que os leitores gradualmente se apercebam (ou nunca se apercebam) deste tipo de posições.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

200 anos de evolução



Neste vídeo pode ver-se um retrato da evolução dos países nos últimos 200 anos, recorrendo a factores socio-económicos. Não sei se é muito fiel ou não, mas vale a pena ver.

Empregos



A vida dura de alguns empregos.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Diferença de comportamentos ilustrada num segunto

retirado de um blogue de que já não me recordo qual é... as minha mais humildes desculpas

Não invocarás o nome do senhor teu Deus em vão...

Foram duas notícias quase consecutivas. Primeiro tivemos o primo do nosso Primeiro-ministro a dizer de viva voz (e em directo da terra dos Shaolins), que utilizou o nome de José Sócrates sem ele o saber. Se o fez, foi apenas com o intuito de fazer um pressing comercial. Está, como é óbvio, muito arrependido.

Há dias, foi a vez de Lopes da Mota, presidente do Eurojust (que a grande maioria dos portugueses, até há algum tempo atrás, nem sequer sonhava que existia), a dizer que de facto utilizou os nomes do Ministro da Justiça e, uma vez mais, o do nosso Primeiro nas conversas que teve com os magistrados do Ministério Público sobre o caso Freeport.

Enfim, o que é que se pode dizer sobre isto? Nada, como sempre. Isto quer dizer nada. Pode deduzir-se nada. Prova nada. A mim lembra-me é o que me ensinaram em miúdo e que dizia qualquer coisa parecida ao que está escrito no título deste post...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Inflação nos EUA

Dados acabados de sair. Em valores não ajustados sazonalmente, a taxa de variação homóloga do IPC americano continua no vermelho (-0,7%). Em Março aconteceu a mesma coisa, isto é, taxas negativas. É preciso recuar até 1955 para ver taxas de variação homóloga negativas.

A press release do BLS referente a Abril deste ano pode ser vista aqui.

Luxemburgo

Os momentos menos bons proporcionados pela crise financeira e económica que actualmente vivemos chegam a todo o lado. Até ao Luxemburgo, país com menos de 500 mil residentes (dos quais 13% são portugueses), e com um elevado rendimento per capita. Este país, cuja vida económica assenta na indústria do aço, no funcionalismo europeu público e na indústria financeira já viveu dias com perspectivas mais risonhas.

Na passada terça-feira, o centro da capital do Luxemburgo assistiu, algo incrédula, ao protesto violento de cerca de um milhar de trabalhadores contra a decisão de layoff temporário de mão-de-obra na maior empresa mundial de produção de aço. Quanto à "indústria" financeira, em que o Luxemburgo é um dos mais importantes centros na Europa, estamos conversados. Resta o funcionalismo público europeu para ir aguentando mais as coisas. São os sinais do tempo. Sinais porventura maus para os milhares de emigrantes portugueses que vivem no Luxemburgo e que trabalham essencialmente nos serviços e na construção civil.

São, enfim, ajustamentos na estrutura económica dos países como reacção aos ferimentos da crise. Esperemos que Trichet e outros dirigentes europeus tenha razão quando dizem que há sinais positivos que indiciam um ponto de inflexão e a tão desejada recuperação económica. Sim. Esperemos que as boas-novas estejam de facto aí ao dobrar da esquina e que as recentes declarações não sejam apenas a mera gestão das expectativas.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Dados dos últimos dias

Mais informação sobre a ressaca em que a economia portuguesa se encontra mergulhada: dia 11, índice dos custos de construção nova abranda; dia 12, produção na construção abranda; dia de hoje, preços no consumidor descem, pela segunda vez consecutiva, ao reino dos valores negativos (-0,5% de variação homóloga em Abril).

Mais informação pode ser obtida aqui.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Loja Açores

Na Avenida Elias Garcia, ali junto à Avenida da República, foi recentemente inaugurada a Loja Açores. O conceito deste espaço promovido pelo Governo Regional (e, claro está, através do dinheiro dos nossos impostos) é engraçado, pois combina a vertente comercial, através da venda de produtos típicos dos Açores, com a promoção turística. A loja vai ter também um café com serviço wireless gratuito.

Hoje passei por lá e fiquei agradavelmente surpreendido. Apenas uma nota negativa para a relativa confusão na etiquetagem dos preços de alguns produtos que, segundo me disseram, vieram para o continente com o IVA das Regiões Autónomas... Mas enfim, é a desorganização típica de quem acaba de inaugurar um espaço novo.

Vale a pena espreitar o espaço que veio diversificar, sem dúvida alguma, a oferta de serviços disponíveis na cidade de Lisboa. Já era possível, desta feita sem a ajuda do dinheiro dos contribuintes, "ir à Madeira" sem sair de Lisboa. Bastava apenas deslocarmo-nos ao Campo Pequeno e ir ao supermercado da família Sá. Agora, a dois passos da principal praça de touros do País, temos também os Açores à mão de semear... Aproveitem!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Quem tem medo da inflação? (II)

Afinal o BCE surpreendeu toda a gente (incluo-me no lote, como se pode ler aqui) e vai proceder, à semelhança do que o Bank of England e o FED norte-americano têm vindo a fazer, à compra de obrigações para injectar mais liquidez na economia. Desta feita de uma forma directa e não através dos bancos. Aqui está a parte relevante da declaração de Jean-Claude Trichet, governador do BCE:

...The Governing Council has decided in principle that the Eurosystem will purchase euro-denominated covered bonds issued in the euro area. The detailed modalities will be announced after the Governing Council meeting of 4 June 2009.... (o texto integral pode ser lido aqui)

Uma decisão inédita na história do BCE. Apesar do "in principle"... Saúda-se a decisão, pois é um sinal de que lá para os lados de Frankfurt não são assim tão insensíveis à conjuntura económica como isso.

Afinal de contas o BCE não tem tanto medo da inflação. Pelo menos não tanta como a do Bundesbank!

Quem tem medo da inflação?

Desta vez confirmou-se o que já vinha sendo dito por analistas um pouco por toda a parte. O Banco Central Europeu cortou a sua taxa de referência de 1,25% para 1%.

Ficamos à espera de mais pormenores na conferência desta tarde do Governador do Banco Central Europeu. Talvez confirme que este valor será provavelmente o limite máximo a que a ortodoxia alemã - omnipresente na altura de o BCE tomar decisões - permite ir.

Entretanto soube-se que o Banco Central da Inglaterra (BOE) manteve a sua taxa central nos 0,5%. O BOE vai, no entanto, incrementar a compra de obrigações com o intuito de ceder mais liquidez à economia. Quase que aposto que o BCE não vai utilizar este intrumento e se vai ficar, uma vez mais, na descida da taxa de referência. Porquê? Por causa do medo do papão da inflação... Quem tem medo da inflação? O Bundesbank tem!

Hoje

Hoje de manhã, alguns lisboetas deparartam-se com balões publicitários sobre a abertura de um centro comercial colocados nos seus carros. Sim é verdade, abre hoje mais uma superfície comercial. Saúda-se o investimento realizado, finalizado em tempo de crise, e os novos postos de trabalho gerados (o site oficial do centro tem uma bolsa de emprego que pode ser acedida a partir daqui). É sintoma que a vida continua, é um pequeno sinal de esperança no futuro.

Hoje é possível encontrar mais um jornal nas bancas. Chama-se i, é generalista, tem um formato e organização únicas (e um site bem engraçado que pode ser visto aqui). É de enaltecer a vontade em inovar e até a coragem em editar em papel quando se sabe que a tendência de desenvolvimento deste sector da informação escrita não é, nesta era da internet, a mais favorável.

Hoje o Banco Central Europeu deverá baixar a sua taxa de referência. Boas notícias para quem tem créditos. Mas também um aviso à navegação, pois nunca os juros estiveram a um nível tão baixo e que, a médio prazo, eles só tenderão a subir.

Tudo assuntos de hoje. Pequenos fragmentos com sinais para os dias de um futuro que nos espera. Um futuro que tudo farei para que seja melhor para a Marta, que nasceu hoje às 9h53, e para todos os da sua geração.

Despercebido como convinha

Na quinta-feira passada foram aprovadas alterações à lei de financiamento dos partidos políticos. Quase ninguém deu por ela. Os telejornais também pouco ou nenhum realce deram à questão. Foi aprovada por TODOS os partidos. Apenas António José Seguro votou contra e apenas 4 deputados se abstiveram (um do PS, um do PSD, um do CDS e uma independente eleita pelo PS) - justiça lhes seja feita. Em resumo, em donativos ou contribuições (dinheiro vivo), os partidos passam a poder receber cerca de 1,2 milhões de Euros, contra os anteriores 600 mil.
Muito se fala de enriquecimento ilícito, transparência nas contas, regras apertadas de controlo de transferência de capital recato nos gastos eleitorais, etc. Mas a “pedido” de quem é que esta alteração foi feita? Do PCP. Sim, do PCP que tem uma festa onde, supostamente, angaria muito dinheiro vivo (suponho que notas e moedas) e que será a base do seu financiamento. Ouvimos o Bloco de Esquerda criticar esta alteração? Não, votaram em “bloco” a favor.
PCP e BE, sempre tão (hipocritamente, digo eu) zelosos com as contas do Estado e dos privados (empresas e famílias) acharam bem e concordaram com esta alteração. É certo que, todos os partidos votaram a favor, mas ao PCP e ao BE pede-se, pelo menos, um pouco de decoro e de vergonha. Bem prega Frei Tomás …

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Banda Desenhada

Não me enganei ao colocar esta fotografia junto ao título deste post. Para mim, como seguramente para muitos portugueses de diferentes idades, a figura do Vasco Granja confunde-se um pouco com desenho animado, cinema de animação, banda desenhada...

Não é de estranhar, pois foi um dos maiores divulgadores do cinema de animação em Portugal. Ao fazê-lo tornou-se numa referência comum a várias gerações. Num símbolo de cumplicidade entre pais e filhos. Numa imagem partilhada pelo mundo dos adultos e das crianças. Partilhada talvez de uma forma que hoje é impossível de ser encontrada, tal a multiplicidade de canais de televisão, de revistas e de jornais existentes.

Foi com alguma surpresa que li ontem no jornal Público que a língua portuguesa a ele deve a introdução do termo “banda desenhada” (BD). Também aqui ficou a sua marca indelével. Sem Vasco Granja, talvez hoje em dia estaríamos a usar a expressão “histórias em quadradinhos” em vez de BD. Ou a utilizar uma versão aportuguesada da expressão comic books.

Sem Granja, talvez falássemos no Frajola em vez do Gato Silvestre. Talvez nunca teríamos conhecido o Speddy González, o cinema animado do Canadá, as sessões de filmes do "estranho" cinema animado proveniente da Checoslováquia e de outros países do Leste Europeu.

O meu mundo deve de facto algo a Vasco Granja. Faleceu há dois dias com 83 anos. Fica a sua lembrança na memória de quem com ele teve a oportunidade de poder apreciar a BD e o cinema de animação.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Previsões da Primavera da Comissão Europeia

Mais pervisões da União Europeia sobre o comportamento da economia no futuro. Desta vez seguindo o calendário normal estabelecido pela DG ECFIN (relatórios de Primavera e de Outono). Mais um relatório a reforçar a ideia de que a retoma só irá acontecer lá para depois de 2010 (o último relatório do FMI também segue pelo mesmo diapasão).

As previsões e o texto integral do documento elaborado pela DG ECFIN podem ser vistos aqui. Assim que tiver tempo actualizo a barra lateral direita do blogue.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Feira do livro de Lisboa

É já no dia 30. Até ao dia 17 de Maio. Este ano com horários diferentes e mais algumas surpresas. Mais informações aqui.

No Porto a feira do livro abrirá no dia 27 de Maio.

Bratislava

Uma das coisas que me cativam em Bratislava é a atmosfera pacífica da cidade. Anda-se à vontade, sem problema algum e quase não há sinal da polícia (o que é, na minha opinião, um bom sinal pois se eles não aparecem é porque não são precisos...).

A Eslováquia é um país com cerca de 5 milhões de habitantes e que se separou da República Checa apenas em 1993. Mas já tem o euro desde o início do ano, o que me permitiu ver que, com a excepção dos transportes, as coisas não são muito mais baratas do que em Portugal.

Quado aqui cheguei surpreendeu-me a quantidade de pessoas que assistiam às missas que, um pouco por toda a cidade, são celebradas. Sim, bem sei que, ao contrário da atéia República Checa, os eslovacos são católicos. Mas de qualquer forma surpreendeu-me a quantidade de fiéis que, de uma forma não tão pouco frequente como isso, enchem as igrejas (e estou a falar de fiéis de todas as idades e sexos).

A quem aqui vier aconselho uma deslocação ao castelo de Devín, sobranceiro ao Danúbio, junto à fornteira com a Áustria. Parece mentira, mas a cerca de 30 quilómeros está Viena, uma das cidades europeias mais conhecidas no mundo. Aliás, nunca deixo de me surpreender com a minha falta de conhecimento geográfico da Europa. Lembro-me uma vez quando, de viagem de autocarro para a Suécia, me apercebi que Copenhaga estava localizada numa ilha... Big deal, dirão as pessoas que têm pachorra para ler este post. Bem, para mim foi uma pequna surpresa.

Estou seguro, de qualquer forma, de que este tipo de desconhecimento (geográfico) não deve ser uma exclusividade minha. Não acho que deva ter sido o único a ter tido este tipo de pequenas "revelações" de viagem. O problema é se por detrás destes "desconhecimentos" (geográficos) se escondam também a falta de conhecimento e de interesse sobre as diferentes culturas e formas de pensar dos muitos povos deste mosaico cultural a que se vulgarizou chamar Europa... Enfim, hajam EU, programas Erasmus e eleições europeias em abundância para que estas coisas relacionadas com o desconhecimento do "outro europeu" se tornem mesmo uma raridade...

Uma outra dica a quem aqui vier: há internet wireless de borla no largo da câmara municipal, local fácil de identificar por causa das inúmeras pessoas com portátil e onde me encontro agora.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Medo de uma pandemia

A swine flu entra nos noticiários um pouco por todo o mundo. Da televisão checa à espanhola, da portuguesa e inglesa à americana, todos falam da gripe suína com origem no México. Faz lembrar a história do Tamiflu e da gripe das aves, lembram-se? Espero é que esta situação fique por aqui, isto é, apenas pela história.

Há ainda muita falta de informação sobre o assunto. O site do Público tem alguma. Um local que pode ajudar a diminuir este défice de informação é este (em inglês).

Tempo desafiador de estereótipos

Acabo de ver na BBC world news que amanhã vão estar 21 graus em Moscovo e 19 em Madrid. Aqui, para os lados do Danúbio negro, o tempo também não anda nada mau. Este tempo anda mesmo maluco... Pelo menos para quem acredita que o sul da Europa é sempre mais quente do que lugares como Moscovo.

domingo, 26 de abril de 2009

Muita expectativa mas…

A última semana foi pródiga em potenciais momentos altos no que à política interna diz respeito. O programa “Prós e Contras” com os cabeças de lista ao Parlamento Europeu dos cinco maiores partidos. A entrevista na RTP1 ao Primeiro Ministro e os discursos das celebrações do 25 de Abril. O primeiro momento revelou-se um semi-flop devido à falta de preparação e falta de poder justificativo do candidato do PS à argumentação dos outros candidatos. Muito mal Vital Moreira (VM). A sua posição não é fácil (mas ele aceitou-a): sempre se opôs à constituição europeia (o PS é a favor), não sabe se quer ou não a continuação de Durão Barroso (o PS quer) e ainda por cima tem de debater a actual situação do país (em que o PS tem a maior fatia de responsabilidade (nos últimos 14 anos liderou o governo em 11). Ingrato sem dúvida. O facto de ser apenas “um professor catedrático de Coimbra” (como aludiu Almeida Santos para, só por isso, o qualificar como um excelente candidato) não parece ser suficiente. Apenas Ilda Figueiredo, com o mais que gasto discurso do PCP, esteve a um nível tão baixo (inverso aos decibéis debitados em cada intervenção) Miguel Portas esteve bem e coerente e conseguia menorizar VM sempre que dizia “Ó Vital, tu sabes que…”. Nuno Melo e Paulo Rangel estiveram igualmente bem. Grande capacidade argumentativa, assertivos e certeiros nos assuntos e nas críticas. Pena que de debate de ideias tivesse havido pouco.
Entrevista a José Sócrates foi um flop completo: crise (é internacional e não temos culpa – aliás, a culpa ainda é do PSD); obras públicas e investimentos sem retorno (vão ver o site do Ministério para ver as análises custo benefício), caso Freeport (coitadinho de mim, vitima de várias campanhas), blá, blá blá. Informação, justificação e soluções: ZERO. Para isto mais valia ter ficado em casa. Fica a habitual crispação do senhor que, por vezes, roça mesmo a falta de educação. Os três últimos primeiros-ministros (Durão, Santana e Sócrates) apenas chegaram a esse lugar por estarem no sítio certo no momento certo e não por méritos próprios. Há já quem pense que Manuela pode estar no sítio certo no momento certo.
Discursos das celebrações do 25 de Abril: o mesmo de sempre vindo dos Verdes e do PCP. Mais do mesmo vindo do Bloco. Intervenção acertadíssima de Teresa Caeiro (CDS) contra a corrente. Boa intervenção mas expectável de Paulo Rangel (PSD). Do PS, intervenção fraquinha de Marques Júnior que se salvou pelos momentos de emoção de quem recorda um momento do qual fez parte. O Presidente fez mais uma intervenção correcta. Muitos esperavam sangue. Tal não aconteceu mas balizou o caminho que deve ser seguido nas próximas campanhas eleitorais.

A incrível “promoção” de Otelo

Recorrentemente vem à baila a questão das reparações na progressão da carreira e/ou das promoções dos “militares de Abril”. Não quero entrar na discussão de saber se foi mais importante o 25 de Abril ou o 25 de Novembro ou se os que fizeram um ou outro é que deveriam ser ou não recompensados.
A minha questão é outra: é promover (ou reparar) e indemnizar um personagem que teve a importância que teve no 25 de Abril (não é isso que está em causa) mas que, mais tarde, foi condenado por envolvimento numa rede terrorista, da qual só se livrou da pena devido a uma decisão política (indulto ou amnistia) do Presidente de então. Uma pessoa condenada por terrorismo, num Estado democrático, não pode ser agraciada com o que quer que seja por esse mesmo Estado. Nem sequer estamos perante alguém que alguma vez tenha manifestado o seu arrependimento. Nada disso. È incrível como se promove (ou faz progredir na carreira) e com direito a indemnização. Uma pessoa envolvida em roubos, sequestros e mortes. O facto de ser um dos militares de Abril não justifica nem permite tudo.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Vinte e cinco de Abril para sempre?

Amanhã vai fazer 35 anos da Revolução dos Cravos. Sou um "filho" dessa revolução e nunca senti, felizmente, o que é viver em ditadura, com uma mordaça a abafar a voz e tolher o meu pensamento. A todos os que fizeram a revolução tenho de agradecer este facto.

Ultimamente tenho ouvido e lido algumas coisas sobre o balanço destes últimos 35anos de democracia. Especialmente sobre o comportamento da economia portuguesa neste período, em comparação com a ditadura.

Será que houve progressos significativos? Será que escolhemos o melhor caminho? Será, ao fim e ao cabo, que a Revolução, e tudo o que se lhe seguiu, valeu a pena? Fica sempre a dúvida no ar. Não admira, uma vez que este tipo de perguntas são impossíveis de responder. Pelo menos sem apelarmos a argumentos de natureza mais ou menos ideológica.

E porquê? Porque não é possível trilhar dois caminhos diferentes e, no final de cada viagem, parar, olhar em volta e comparar os resultados alcançados.Fico no entanto com a sensação de que muito da Revolução está ainda por fazer. Falta talvez a revolução das mentalidades. Consciencializarmo-nos de que temos futuro e presente comuns. Falta talvez apostar mais no conhecimento e na educação. Falta sentir orgulho, para além do futebol, em ser português. Falta desenvolver uma ética do trabalho, baseada no mérito.

Falta, afinal de contas, ganhar muitas batalhas. Mas estas, acho eu, são bem mais difíceis de travar pois travam-se a nível individual e não são provavelmente realizáveis no espaço de uma única geração. Mas pode ser que esteja enganado.

Com toda a justiça

Uma media da mais elementar justiça, aquela que foi tomada ontem na reunião de conselho de ministros sobre a adição das custas judiciais às indemnizações a pagar aos herdeiros das vítimas da tragédia da ponte de Entre-os-rios.

A notícia pode ser lida aqui.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Novas previsões do FMI (II)

Entretanto a lá consegui aceder à base de dados do FMI. E já reparei que a internet é mesmo uma coisa fantástica. Já há notícias a comentar os resultados do FMI. É o caso do Público on-line, em que nesta notícia salienta a previsão de 2010 para a taxa de desemprego (ver notícia aqui): 11%.

Mas os resultados para 2009 também não são famosos: 9,6%. Tinha razão o Engenheiro Sócrates em dizer ontem que a prioridade do Governo é o combate ao desemprego...

Também há a destacar a previsão para 2009 da taxa de variação do PIB (-4,1%), pior do que as últimas previsões do Banco de Portugal (para poder vê-las, basta olhar para a barra lateral direita deste blogue, no espaço destinado às previsões económicas).

Retoma só lá para 2011... E já agora, deixem-me referir que as taxas de variação do PIB da Alemanha (-5,6%) e da Espanha (-3,0%) não são boas notícias para a nossa economia... Para a inflação o FMI prevê 0,3%, um valor acima dos -0,2% do Banco de Portugal.

Assim que puder actualizo a barra lateral direita do blogue com estas previsões.

Novas previsões do FMI

Tal como foi referido neste blogue aqui, Abril é o mês em que o Fundo Monetário Internacional (FMI) actualizou o seu World Economic Outlook (WEO). Desta vez, com a publicação do WEO, foi também actualizada a base de dados de previsões económicas do FMI a World Economic Outlook Database.

Tanto o relatório como a base de dados podem ser acedidas aqui. Ainda não consegui aceder à base de dados (talvez esteja meio mundo a fazê-lo neste momento). É que estou com curiosidade de saber quais as previsões do FMI para Portugal...

Liberalismo e regulação económica de pacotilha


Relatório da Autoridade da Concorrência

O relatório da Autoridade da Concorrência sobre combustíveis líquidos e gás engarrafado pode ser visto aqui.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Relatório aprofundado de quê?

Relatório Final da Análise Aprofundada sobre os Sectores dos Combustíveis Líquidos e do Gás Engarrafado. Este é o nome pelo qual a Autoridade da Concorrência (AC) denomina o documento hoje debatido na Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos sobre os preços das gasolinas.

Uff, quase fico sem fôlego! De mais a mais, parece que o documento tem cerca de 500 páginas...
E qual a conclusão aprofundada? A de que não há cartelização no sector. As gasolineiras limitam-se a seguir umas às outras. Sem mais informação fica pelo menos uma dúvida: umas às outras ou as outras à GALP?

Não li o documento, por isso não posso dizer grande coisa sobre ele. Apenas que me parece que este é um exemplo claro de um oligopólio em que uma empresa (a GALP) tem uma posição privilegiada, nomeadamente na capacidade de armazenar e de escoar o produto no mercado. Logo tem algum poder sobre os preços e, como empresa que se insere num mercado de concorrência imperfeita, faz tudo para maximizar os seus lucros.

Surpreendidos? Talvez nem tanto. O que acontece é que, perante este cenário, há pelo menos duas posições políticas a tomar. Ou dizemos it’s the economy stupid, e não se faz nada (que é basicamente o que se tem andado a fazer até agora), ou se tenta uma maior regulação do mercado.

Acontece que hoje em dia os apóstolos do laissez faire estão na mó de baixo. Não admira, com o desemprego a subir, há a tentação para mudar o pêndulo ideológico... Tendo em conta as primeiras reacções vindas de São Bento, parece-me que os políticos estão cada vez menos receptíveis ao nacional porreirismo e a relatórios com conclusões mais ou menos melífluas, boas de embalar e que dão conselhos que entram no ouvido a 100 à hora e saem dele a 150.

Pois bem, parece que neste caso que até o PS tem dúvidas e o PSD diz que se deveria ter ido mais longe! Não admira, a pressão é grande, as eleições estão à porta…

Talvez estejamos a viver tempos em que é preciso encontrar alguém que não se guie unicamente pelo seu textbook de economia favorito e com cojones suficientes para deixar de dizer o que é porreiro todos ouvirmos...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Help Desk na idade média

Séries longas

Site extremamente útil para se obter séries longas sobre a economia americana. Muito bom para quem quiser, de uma forma rápida, obter este tipo de informação.

Estabilizadores automáticos (ilegais)

Saiu hoje na edição impressa do Diário Económico uma notícia que dá conta que a Comissão Europeia quer que as próximas revisões metodológicas das regras de apuramento da riqueza de um país passem a contabilizar actividades como, por exemplo, o jogo ilegal, a prostituição e o tráfico de droga.

A notícia diz que este "expediente" contabilístico foi utilizado pela Grécia em 2006, altura em que este país viu o seu produto interno bruto aumentar 25% por causa de ter passado a contabilizar a sua economia "informal". (Agora já sei por que razão Portugal deixou, de um momento para o outro, de ser comparado com a Grécia...)

Numa altura em que muitos redescobrem a linguagem Keynesiana, talvez seja caso para categorizar - não sem alguma ironia, confesso - estas actividades de "estabilizadores automáticos ilegais"...

Não sei, pode ser que algumas destas actividades sejam resistentes a crises económicas, floresçam em tempos de vacas magras e venham a ajudar os governos e os governantes com obsessão por números a apresentar estatísticas mais simpáticas sobre o comportamento da economia...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

IRS

Termina hoje o prazo de entrega do IRS através da internet (para trabalhadores dependentes e pensionistas). Este ano há o incentivo adicional para a entrega do IRS através deste meio: o Ministério das Finanças garante o reembolso antecipado do IRS a todos os contribuintes com situação regularizada nas finanças. Uma medida positiva de incentivo às famílias. Nem tudo são más notícias nos dias que correm.

Inflação no vermelho (parte II)

As agências estatísticas internacionais e os meios de comunicação continuam a divulgar recordes de 40, 50 ou mais anos para a inflação. Desta vez foi o BLS, com -0,4% em termos homólogos e o INE de Espanha, com -0,1% (a confirmar a estimativa rápida anteriormente divulgada no fim de Março e que serviu de exemplo em intervenções recentes sobre a taxa de inflação portuguesa).

Nos EUA é preciso recuarmos até 1955 para verificarmos uma taxa de variação homóloga negativa. Em Espanha o INE esclarece que este é o primeiro valor negativo em toda a série histórica das taxas de variação homóloga do IPC. Definitivamente a inflação está na berra.

Aguardemos o que os próximos meses nos dizem, qual a reacção da economia europeia e norte-americana e, acima de tudo, que a opinião quase generalizada dos economistas se confirme: que os riscos de deflação estão longe de se tornarem uma realidade.

A press relase do BLS pode ser vista aqui. E a nota de prensa espanhola aqui. Amanhã saem os dados do Eurostat para a economia europeia.

O peso da existência

Se memória não me atraiçoa, é no filme Limelight de C. Chaplin que uma das personagens diz qualquer coisa relacionada com o facto de não vivemos o tempo suficiente para deixarmos de ser amadores (no palco da vida).

Lembrei-me desta ideia ao ler a Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera. Gostei muito de lê-lo e sinceramente tenho pena de só agora o ter descoberto.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Banco de Portugal revê em baixa projecções para 2009

O Banco de Portugal acaba de publicar o Boletim Económico da Primavera onde revê em baixa as previsões que fez em Janeiro. Assim, a previsão para a evolução do PIB passa a ser -3,5%, um valor bem mais sombrio do que os -0,8% de Janeiro. A inflação esperada passa a ser de -0,2% contra os 1,0% do boletim de inverno. Más notícias portanto.

A versão completa do boletim pode ser acedida aqui. A secção da barra lateral deste blogue sobre previsões económicas foi actualizada de acordo com esta informação. Para ter uma ideia de como é que as previsões têm vindo a ser revistas em baixa basta clicar na etiqueta com o mesmo nome. Às vezes a evolução das sucessivas revisões das previsões económicas diz bem mais do estado da economia do que a própria previsão em si mesma...

Certo é que este é um relatório para digerirmos e analisarmos nos próximos dias. Também nos próximos dias veremos mais indicadores importantes sobre a inflação nos EUA e na zona euro.

Investimento público II

A Câmara Municipal da Amadora tem prevista, pelo menos desde 2006, a passagem da actual biblioteca municipal para um novo equipamento situado na Reboleira. Segundo notícias retiradas daqui, a nova biblioteca deveria estar concluída em meados de 2007.

Ora estamos em 2009 e, se olharmos para o copo "meio cheio", vemos que estrutura já existe. É só procurar um edifício novo, com o nome do jornalista, historiador e professor Fernando Piteira Santos em frente à Academia Militar. No entanto, o mesmo copo "meio vazio" diz-nos que, apesar da estrutura estar aparentemente pronta há pelo menos um ano, o que falta são os... livros!

Outra coisa que falta é, infelizmente, a informação. No local, ninguém sabe dizer quando a biblioteca vai abrir. (Pelo menos não havia até há bem pouco tempo!) Mais. Se recorrermos ao site da Câmara Municipal encontramos... nada sobre o assunto. Nada mais do que nada obtive quando enviei há quase um mês e meio um e-mail à Câmara da Amadora a perguntar sobre o estado da situação... Nada. Rien de rien.

O problema é que sem sabermos nada, sempre vamos vendo que o edifício, construído de raiz e concluído há já algum tempo, vai precisando de obras de manutenção e de, espanto dos espantos, correcções mais ou menos difíceis de se fazerem (como, por exemplo, o da construção de uma nova escada exterior ao prédio).

Será que a Câmara da Amadora está a utilizar todo o potencial que o investimento público desta obra pode trazer à comunidade maximizando, por assim dizer, o número de pequenas empreitadas? Mesmo que elas não sejam muito necessárias? Não sei, mas sem informação é difícil dizer mais alguma coisa sobre o assunto. Perminte-nos Apenas especular. Como, por exemplo, dizer que a obra está a ser preparada para ser inaugurada o mais próximo possível das eleições para aproveitar o seu efeito mediático na consciência dos votantes...

Vou reenviar o meu e-mail. Pode ser que desta vez tenha sorte e que, para minha agradável surpresa, a biblioteca já esteja a funcionar. Até pode ser que me engane e este não seja mais um daqueles exemplos que grassam pelo país de investimentos públicos que invariavelmente acabam em derrapagens, complicações com os empreiteiros e de desperdício de recursos. Tudo embrulhado no papel escuro que a falta de falta de informação sobre o assunto (convenientemente?) fornece.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Inflação no vermelho

Acabam de sair as primeiras notícias sobre os dados oficias da inflação em Portugal (mês de Março). O texto integral do destaque à imprensa pode ser visto aqui. O IPC registou uma variação de -0,4% em termos homólogos. Assim de memória, acho que a taxa negativa é uma estreia, pelo menos desde a década de 1970.

Recentemente, o Governador do Banco de Portugal assegurou que os riscos de deflação na economia portuguesa eram, apesar de terem aumentado, "minúsculos". Deixou o aviso de que taxas de inflação negativas poderão acontecer mais vezes durante este ano mas que um processo continuado de descida dos preços (isto é, um processo de deflação) é difícil de vir a acontecer.

Quinta-feira saem os dados para a zona euro. A ver se confirmam os valores, bem abaixo dos 2%, que o Eurostat avançou na sua última flash estimate (para aceder aos posts sobre este tema, basta clicar na etiqueta "indicadores").

terça-feira, 7 de abril de 2009

Pormenor técnico

Na versão on-line do jornal Público de hoje pode-se ler aqui que a estimativa do Eurostat para o andamento do PIB da zona euro no quarto trimestre de 2008 foi de -1,6%.

Não quero tecer nenhum comentário sobre a estimativa nem tão-pouco sobre a décima a mais ou a menos em relação a outras estimativas já efectuadas. Não.

Quero apenas alertar para o seguinte pormenor técnico. Se olharmos para a press release do Eurostat, verificamos que para os EUA e para o mesmo trimestre de 2008, a taxa de variação apresentada é de -1,6%. (ver press release aqui.)

Da mesma forma, se olharmos para esta notícia do Público lemos que a economia norte-americana "registou uma quebra de 6,3 por cento no último trimestre de 2008".

Então o que é que se passa? A economia dos EUA "mirrou" 1,6% ou 6,3% no último trimestre do ano passado? É que os números são bem dispares... Será que há um erro?

Há. E é um de interpretação que pode gerar confusão na cabeça das pessoas que consomem este tipo de informação.

O que se passa é que à notícia do Público sobre a evolução do PIB americano falta dizer que os dados, divulgados pelo US Bureau of Economic Analysis (ver press release deles aqui), são, ao contrário dos que são fornecidos pelo Eurostat, anualizados. Isto é, os -6,3% são a taxa de variação que obteríamos se a variação de 1,6% se perpetuasse por quatro trimestres consecutivos... A forma de divulgação do Eurostat é diferente da dos colegas americanos e isso não é, muitas vezes, tido em conta por quem divulga notícias sobre os dados.

Então, e qual é o problema? Bem, o problema talvez até não seja assim tão grande. Talvez a grande maioria das pessoas leia as notícias e as consuma de uma forma rápida, sem se preocupar com a ordem de grandeza dos dados.

Ao lermos hoje a notícia do Eurostat, já não nos lembramos da que foi dada, há algum tempo atrás, sobre o PIB dos EUA... E assim vamos vivendo. Sem muita atenção ao rigor dos números. O problema é que quem coloca estas notícias na internet deveria, na minha modesta opinião, saber como escrever e interpretar as coisas de forma a causar o mínimo de confusão aos leitores. O problema, é que constato que assim não acontece. Por que será?

Indicadores, indicadores, para que vos quero?

Quem utiliza regularmente a Linha de Sintra já se deve ter apercebido do desaparecimento do "indicador de pontualidade" que há coisa de um ano, um ano e meio, era possível ver nas estações de comboios.

Com uma escala de leitura fácil, que teoricamente podia assumir qualquer valor entre os 0% e os 100% de pontualidade, nunca me lembro de ver o indicador medir menos que 96%.

Ontem, dia em que uma vez mais tive de me sujeitar aos atrasos impostos pela ausência de "material circulante" para me levar para casa - desta feita supostamente por causa de uma avaria de uma catenária -, lembrei-me do tal indicador que, como por artes mágicas, desapareceu da vida dos utententes...

Ele há coisas estranhas, não há?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sismo em Itália tal como foi sentido em Portugal

O sismo desta madrugada, ocorrido em Itália, foi sentido em toda a rede de estações da rede sísmica em Portugal. A primeira estação a senti-lo foi a de Bragança. O registo do mesmo pode ser visto aqui, no site do Instituto de Meteorologia e Geofísica português.

De acordo com notícias do mesmo site, o sismo atingiu a magnitude 6,3, e teve várias réplicas, a maior das quais com o valor de 5,1.

Na escala de Richter, um sismo com uma intenside de 6,3 é “grande” e é descrito como podendo “ser destruidor em zonas num raio de até 180 quilómetros em áreas habitadas” (ver mais sobre a escala aqui).

Perder-se na Índia

Numa passagem do livro recentemente editado de António Tabucci - Nocturno Indiano -, há um personagem que se refere à Índia como um lugar feito de propósito para as pessoas se perderem.

Ao ver na lista dos actores que participaram no filme Slumdog Millionaire os nomes Freida Pinto e Ashutosh Lobo Gajiwala, não pude deixar de pensar que a Índia talvez não deva ser apenas um lugar feito de propósito para as pessoas se perderem. É-o também para os nomes.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Caça aos ricos: capa do The Economist desta semana

G20 e paraísos fiscais

Ontem, no seguimento da reunião do G20 em Londres, a OCDE divulgou a lista de jurisdições fiscais que considera ser "boazinhas" e "mázinhas" para o sistema financeiro internacional. Tudo em quatro categorias. A lista pode ser consultada aqui.

Os paraísos fiscais encontram-se quase todos na área "cinzenta", isto é, são lugares que acordaram cumprir com regras internacionais mas que, até agora, não fizeram nada de substancial para cumprir com o prometido.

No lote de jurisdições que prometeram mas que não cumpriram de forma substancial, encontramos o Liechtenstein, o Mónaco, Andorra, o Luxemburgo, a Suíça, a Áustria e a Bélgica.

Tudo países, principados e locais da Europa altamente civilizada com promessas de virem a cumprir no futuro com as melhores práticas internacionais em matéria fiscal. Tudo promessas de 2009. É caso para dizer: de agora em diante, tudo bons rapazes...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Investimento público

Está na moda o uso de “cartões de proximidade” para os mais variados fins. Em Lisboa, esta tecnologia começou a ter mais visibilidade com a criação do cartão “Viva” e a instalação de torniquetes e controlos de acesso no Metro.

A REFER parece estar agora a apostar neste tipo de tecnologia, tendo instalado linhas de controlo de acesso em várias estações da Linha de Sintra.

A estação de Monte Abraão, por exemplo, tem este sistema montado pelo menos desde Setembro/Outubro do ano passado e, a da Amadora, há pelo menos alguns meses.

E qual é o problema? O problema é que este sistema, apesar de estar fisicamente implantado, não funciona. Mais. Nem todas as estações da Linha de Sintra o têm, desconhecendo-se por completo (eu pelo menos não ouvi dizer nada sobre este assunto), sobre o critério utilizado para se ter começado com algumas estações e deixar de fora, por exemplo, a estação do Campo Grande.

Enquanto estas dúvidas persistem, é ver as gloriosas máquinas depreciarem com o tempo. Sim, porque por mais duradouro que um torniquete automático seja, ele também se gasta com o tempo. Também ele precisa de manutenção e de mais investimento público para manter a tecnologia dos “cartões de proximidade” pronta a ser usada.

Admito que não esteja completamente bem informado sobre este assunto. Mas esta situação cheira-me a desperdício. A mais um exemplo de mau planeamento e de má comunicação de objectivos.

É por isso que as discussões actuais de natureza ideológica sobre o investimento público, que dividem os partidários das “grandes obras” daqueles que acham que se deve gerir o dinheiro público no sentido de facilitar a vida dos pequenos agentes económicos me parecem, por vezes, esquecer algo da mais básico.

É que qualquer investimento público, seja ele grande ou pequeno, deve ser bem planeado e bem entendido por todos. E já agora, que seja entendido por todos (ou quase todos) como benéfico ou como uma melhoria em relação ao status quo. Será que alguém da CP/REFER consegue explicar que a situação actual é melhor (vai ser melhor) do que a anterior? Se não, cheira-me a desperdício...

Surpreendidos?

Eu estou de facto um pouco com a notícia que li aqui. Até porque a grande generalidade dos analistas previa uma descida para 1% (basta olhar para a primeira página do Jornal de Negócios de hoje…).

Esperava mais. Saiu-nos, a nós europeus, um corte de 25 pontos base. Aparentemente sem mais nenhuma medida adicional. Mínimos históricos, dirão os mais optimistas. Sim, mas esta é também a crise económica mais grave da história do Banco Central Europeu (BCE).

Também fiquei surpreendido porque parece que o corte da taxa directora não é suportada por outras medidas e pelo uso de outros instrumentos de intervenção monetária. Não saberão fazer mais nada do que baixar (comedidamente) e subir (sempre que possível) a taxa directora do mercado monetário?

Enfim, esperemos por mais informações do BCE sobre esta matéria. De qualquer forma, o corte vem na linha daqueles que pensam que o BCE está a reservar suficiente "margem de manobra" para poder baixar as taxa de juro no futuro.

A press release referente ao anúncio de hoje do Banco Central Europeu pode ser acedida aqui. Vale a pena ler. Está lá tudo. A sacrossanta estabilidade dos preços (basicamente ter o IHPC a variar em termos homólogos em torno dos 2%), o pacto de estabilidade, a referência a alguns países (estão a adivinhar quais?), que necessitarão de proceder a medidas de consolidação orçamental mais sérias a partir de 2010, a renovada estratégia de Lisboa, as reformas estruturais (isto é, a liberalização do mercado de trabalho), etc, etc… E claro, inflação, inflação e mais controlo da inflação. Ah, e falam em crescimento no longo prazo. Mas no longo prazo, já dizia Keynes, we are all dead.

Afinal de contas parece que o BCE não mudou assim tanto quanto isso. Surpreendidos?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Indicadores num flash

Ontem o Eurostat divulgou a sua estimativa rápida para os valores da inflação. Segundo o que se pode ler aqui, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor, indicador utilizado para medir a inflação na zona euro, vai registar uma taxa de variação homologa de 0,6% este mês. Em Fevereiro o mesmo indicador registou um valor de 1,2%.

Hoje foi a vez do organismo oficial para as estatísticas da União Europeia anunciar um aumento da taxa de desemprego. Tal como pode ser lido aqui, a taxa de desemprego na zona euro em Fevereiro aumentou de 8,3% para 8,5% em Fevereiro. E o que querem dizer esta última percentagem? Que cerca de 13,5 milhões de pessoas estão desempregadas.

Os campeões do desemprego são a Espanha (com 15,5%), a Letónia (com 14,4%) e a Lituânia (com 13,7%). Se adicionarmos a estes últimos os 9,9% registados pela Estónia podemos ter uma ideia dos problemas que os países bálticos estão a ter. Fora da Europa, os 8,1% dos EUA são uma preocupação para todos os que pretendem ver sinais de recuperação económica a nível mundial.

Perante estes novos indicadores, não há então que estranhar esta notícia do Público on-line que diz que o Banco Central Europeu (BCE) deverá descer, uma vez mais, a sua taxa de referência para 1%. Por enquanto o BCE ainda tem "margem", como dizem os analistas. E se a recessão for para além de toda a margem possível?

Geringonças com pedais

Há algum tempo atrás, estava eu a entrar numa estação da Linha de Sintra quando reparei numa geringonça com pedais transportada por um outro passageiro. No quadro do velocípede desdobrável, podia-se ler “Cenas a Pedal”.

Acontece que “Cenas a Pedal” é o nome da uma empresa que importa bicicletas e outro tipo de geringonças que possam promover estilos de vida simultaneamente mais saudáveis e mais amigas do ambiente. Vale a pena espreitar o site aqui, que inclui um blogue sobre bicicletas e cenas do género. Apenas um senão, aliás bastante comum em sites comerciais portugueses. Não encontrei preços, o que me faz suspeitar que este tipo de "cenas"sejam caras e um luxo para a grande maioria das pessoas.

Fica a referência e a sugestão a todos aqueles que queiram abater a barriguinha e que, ao mesmo tempo, tencionem promover meios de locomoção mais limpos. Sim, porque há uns tempos atrás cruzei-me com um dos mais mediáticos responsáveis pela autarquia de Lisboa e fiquei impressionadíssimo com a proeminência da sua barriga...

Rincão

Em Queluz, perto do Palácio Nacional, existe um jardim público onde tirei esta fotografia. É de uma casa situada num dos seus recantos.

Para mim, o interessante do lugar é que poderia facilmente ser transportado para uma povoação da Beira Baixa ou para uma outra zona qualquer que não a de uma cidade limítrofe de uma grande metrópole. Sem termos de apelar a um grande poder de abstracção, poderíamos facilmente imaginarmo-nos noutro lugar.

Sim, bem sei que são simplesmente resquícios do passado não (sub)urbano de Queluz. Uma raridade, dir-me-ão também, porque estão bem estimados e conservados.

Tudo bem, tudo certo. Para mim, o lugar é um daqueles exemplos que me lembram que, por vezes, é bom enganarmo-nos a "tomar a árvore pela floresta". Pelo menos por uns instantes. Pelo menos enquanto a vista descansa e se concentra na árvore, no rincão que me transporta para outros lugares, e se alheia da floresta, do caos urbanístico dos subúrbios de Lisboa.

domingo, 29 de março de 2009

Portugal, um país corrompido

Caso BCP/Millenium, caso BPN, caso BPP, caso Freeport. Caso apito dourado/final, casos Vale e Azevedo. Caso Fátima Felgueiras (FF), caso Avelino Ferreira Torres (AFT), caso Isaltino Morais. Caso Joana, caso Maddie. Caso Casa Pia. Seguro que me faltam alguns importantes mas que o resultado foi o mesmo (e era aí que queria chegar): em investigação e/ou julgamento há anos ou absolvidos.
Todos tiveram em comum duas coisas: o infinito temporal e o facto dos seus arguidos ou suspeitos terem sido julgados na praça pública. Mas o que resolveram os tribunais (os que já aí chegaram)? Absolvidos (AFT) ou condenados por práticas menores (FF, apitos, Vale e Azevedo. Só no caso de Joana se condenaram pessoas, mesmo que a investigação não faça ideia do que se passou.
Pior, quantos julgamentos têm de ser repetido por erros processuais? Quantas provas não são admitidas por terem sido recolhidas ilegalmente (sem mandato, etc.).
Das duas uma: ou andamos (PJ, Ministério Público (MP)e comunicação social) a “assassinar” a honra das pessoas ou quem tem por dever realizar a investigação é criminosamente incompetente.
Será que o único crime de FF foi o de utilizar as ajudas de custo de uma qualquer associação da sua zona? Será que AFT é completamente impoluto? Pois, parece que sim. A fazer fé nos tribunais, sim.
O MP e a PJ andam a gastar milhões a investigar casos e pessoas que afinal são inocentes. E para isso levam meses e anos. Para bem do mundo em geral, espero que já se tenha perdido a mania de dizer que temos das melhores policias do mundo. Ou então, só por graça se pode continua a dizer isso.
Para terminar, comparem a duração das investigações e dos julgamentos e as condenações dos casos enunciados no 1º parágrafo com os seguintes:
Caso Emron (EUA), caso Madoff (EUA), caso OJ Simposon (EUA), caso Joseph Fritzl (Áustria). Ah, mas os sistemas judiciais são diferentes nos diversos países! Pois são, mas pelos vistos o problema não é esse. O problema é que os sistemas judiciais da maioria dos países (civilizados) funciona e o nosso não. Mas será que alguém ou a alguém lhe interessará reformá-lo?
Com um sistema judicial em que poucos acreditam, completamente inoperante e, ao que parece, permeável a pressões e tráfico de influências, mas onde todos assobiam para o ar não há país que resista.

terça-feira, 24 de março de 2009

Ainda sobre Bento XVI

Penso que vale a pena passar os olhos sobre a última página do jornal Público de hoje. Lá encontra-se um texto interessante, chamado "A prisão de Bento XVI", escrito por um ateu confesso, que replica algumas das coisas que foram sendo escritas neste blogue no post"Bento XVI em Angola".

Apenas um trecho: "...Dir-me-ão, como se tem ouvido: mas não tem a Igreja o direito a defender as suas posições sobre o preservativo, o aborto, a eutanásia? Sem dúvida. Mas centrar o discurso na defesa intransigente do dogma em todas as matérias trouxe apenas a imagem de uma Igreja não só desligada (...) dos problemas concretos do nosso tempo, como de uma Igreja desumanizada, refém do dogma a ponto de não compreender o sofrimento humano em torno destas situações..."

E mais: "...não se trata de querer obrigar a Igreja a ser o que ela não é. Trata-se de conviver com dificuldade com essa insensibilidade ao humano de uma crença cujo pilar mais universal é a compreensão do humano..."

E mais adiante: "...E respeito o Papa por ter dito na cara de José Eduardo dos Santos muito mais do que alguma vez o Presidente ou o primeiro-ministro português seriam capazes de dizer...".

Podemos não concordar das palavras de Miguel Gaspar nem partilhar com ele as suas crenças sobre a existência de "pilares universais". Mas penso que existirão não apenas ateus e agnósticos a pensar desta maneira. Talvez até existam católicos a pensar um pouco nestas coisas...

segunda-feira, 23 de março de 2009

A economia num cartoon


Esperemos que a economia mundial não chegue ao estado representado pela última quadrícula. Por enquanto andamos a seguir indicadores que nos vão dizendo que a actividade económica continua a abrandar e a retrair-se um pouco por todo o mundo.

Bento XVI em Angola

Continuo a achar uma enorme piada à forma como a comunicação social e os não-católicos reagem às declarações de altos responsáveis da Igreja Católica. Agora foi a vez de se polemizar, de novo, com as declarações do Santo Padre sobre o uso do preservativo, durante o voo que o levou de Roma para os Camarões. É óbvio que, para quem não é católico, não se pode nem deve exigir que consiga enquadrar as posições da Igreja Católica na sua forma de idealizar a vida, os comportamentos e as relações das pessoas e entre as pessoas. Essa “doutrina” é pública e é uma perfeita idiotice a forma como a ela se volta recorrentemente. Quem quer entender, entende, quem não quer, paciência. Já o apelidado conservador João Paulo II, agora elevado à categoria de ícone face ao também apelidado ultra-conservador Bento XVI, sofreu do mesmo mal.
Muito mais importante, e estas sim verdadeiramente polémicas e, por isso embaraçosas para muitos governos (incluindo o português), foram as declarações proferidas por Bento XVI no palácio do presidente angolano. Quem se atreveria a denunciar, cara à cara, um imenso rol de atropelos aos direitos humanos, civis e políticos, a corrupção generalizada, a pouco ou nenhuma preocupação com a população, o enriquecimento da oligarquia política, familiar e económica dominante, a falta de democracia, o direito das mulheres à igualdade, tc., etc.?
Basta ver a recente bajulação (o último Prós e Contras da RTP 1 foi quase pornográfico nesse aspecto), beija-mão e tratamento recebido pelo presidente angolano em Portugal, onde se calou todo e qualquer ponto que pudesse ferir a susceptibilidade desse “grande democrata” que é o presidente angolano. (nota: esta posição não é de agora, já vem dos tempos de Cavaco Silva primeiro ministro).
Num país onde a grande maioria de população vive abaixo do limiar de pobreza, onde a malária mata centenas de pessoas todos os anos, onde a raiva já matou mais de 80 pessoas em Luanda nas últimas semanas, o Papa Bento XVI reuniu mais de 1 milhão de pessoas para o ouvir. Sem esperarem receber nada em troca a não ser uma proposta de um ideal de vida diferente, respeitador do próximo, das liberdades individuais e da dignidade que a vida humana merece, e uma vida eterna para além da morte terrena.
Mas para alguma cabeças pensantes europeias o mais importante é o preservativo. Pois é, porque enquanto se discute o preservativo não necessitamos de discutir as questões de fundo da miséria em África.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A igualdade de género no mundo

Há pouco tempo geraram grande polémica as palavras do Cardeal Patriarca de Lisboa a propóstio do perigos do casamento de mulheres ocidentais com homens muçulmanos. Não vou entrar de novo nessa polémica, mas para que se tenha uma ideia de quão acertadas forem essas palavras sugiro a consulta ao site da The Social Institutions and Gender Index (SIGI) (clique aqui), da OCDE. Trata da questão da igualdade de género e da protecção dos direitos das mulheres um pouco por todo o mundo (países em desenvolvimento). Obviamente que o(s) problema(s) em análise não se restringem aos países muçulmanos, mas é interessante analisá-los. Já agora, e porque está na moda criticar e causticar os países desenvolvidos (chamado mundo ocidental), seria bom perguntarmos porque estão excluídos desta lista. Boa consulta.

PS: Como o Dekuip já referiu, os rankings valem o que valem, mas é sempre interessante analisá-los, tendo presente os pressupostos em que se baseiam. Acabam por ser mais uma forma de comparação.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Indícios de uma recuperação?

Dados de hoje sobre a inflação nos EUA. Em Fevereiro, quando comparado com o mesmo mês do ano anterios, os preços subiram em média 0,2%. Baixinho, mas ainda assim acima do que a grande maioria dos analistas estava à espera.

O facto de os valores do BLS terem suplantado as previsões dos analistas é, por si só, positivo. Isto porque o espectro deflacionário parece estar, pelo menos em parte, posto de parte. Relembramos que em Janeiro o mesmo indicador registou uma variação nula.

A press release do BLS pode ser vista aqui.

Hoje fala o presidente do FED sobre a economia americana. Vamos ver o o que o que Ben Bernanke tem para dizer aos EUA e, claro está, ao mundo, sobre o estado da economia americana.

terça-feira, 17 de março de 2009

Medina strikes again

Entrevista de Mário Crespo a Medina Carreira. Com declarações que só surpreenderão quem não o conhece (ver, por exemplo, este post).

Podemos não concordar com elas, achá-las demasiadamente pessimistas e até um pouco demagógicas. Enfim, podemos achar muita coisa. O que é possível dizer é que são feitas por alguém que parece não ter nada a perder e que, simultaneamente, tem o privilégio de ter um palco com audiência garantida para falar.

Nenhuma condicionante, nenhum medo de perder e acesso a um palco mediático. Características algo raras de serem encontradas numa pessoa só. Ou estarei errado?

A entrevista pode ser vista aqui.

domingo, 15 de março de 2009

Mais um frete da TV pública ao Governo

Este domingo, logo pela manhã, no programa de notícias da RTP1, apresentavam uma entrevista a José Sócrates efectuada em Cabo Verde. Esperava eu que o 1º Ministro fosse falar da sua visita, dos resultados alcançados, da cooperação com Cabo Verde, etc. Mas não, apresentaram o 1ª Ministro a criticar os partidos da oposição por se dedicarem aos “bota-abaixo” e à maledicência”, e os sindicatos por não serem responsáveis e por se dedicarem ao insulto pessoal contra a sua pessoa e por se deixarem instrumentalizar por algunspartidos. Por partes:
1) O 1ª Ministro utilizou a RTP para, numa visita de Estado, falar de política interna. A viagem a Cabo Verde (apesar de uma comitiva de 120 pessoas) foi mandada às malvas. A fazer fretes políticos, a RTP continua no seu melhor;
2) O que tem Sócrates, Lino e Santos Silva em comum quando se lhes pede para comentarem incidências políticas: repetem até à exaustão que a oposição só diz mal e “bota-abaixo” o Governo e o seu 1ª Ministro. Mas e então a sua opinião sobre o que se passa? Isso não interessa porque a oposição só sabe dizer mal. E soluções para os problemas do país? Nada, porque a oposição só sabe dizer mal. Ficaremos então à espera da 1ª oposição que só diga bem do Governo. Pode ser que o discurso mude.
3) Sócrates descobriu que a CGTP é instrumentalizada pelo PCP e pelo BE. Não abona em seu favor Sr. 1º Ministro. Desde os anos 70 que se sabe isso (no que ao PCP diz respeito). O que, sendo absolutamente verdade, não parece argumento quando se está no Governo e o deixe de ser quando se está na oposição.
Assim, para além da campanha negra do Público e da TVI, temos também a campanha dos sindicatos, do PCP, do BE, do PSD, do CDS e de todos aqueles que não digam bem do 1º Ministro. Ou seja, para o PS e para o 1ª Ministro tudo se resume a campanhas contra si.
Resultado: não precisa de justificar nada, porque de tudo aquilo que estas campanhas o acusam ou é por inveja política ou a culpa é da crise internacional. Como é que este homem consegue carregar este fardo de injustiças contra si? Ainda bem que temos um líder tão eloquente na sua argumentação política.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Dia de greves

Hoje é dia de greves (da CGTP). Segundo notícias recentes da edição on-line do Público, será a maior de sempre em Lisboa desta confederação de trabalhadores. Hoje, há hora do almoço, deparei-me com uma do sindicato dos enfermeiros. Estavam em frente ao Ministério saúde e deviam estar a preparar-se para a descida ao Marquês. Pediam melhores condições para os trabalhadores e ostentavam dísticos contra a precariedade no trabalho. Onde é que já vi qualquer coisa parecida? Ah, já sei, foi aqui, alguns posts abaixo.

Há algum tempo atrás, conheci uma pessoa que trabalhava para uma organização de trabalhadores da Finlândia. Essa pessoa costumava ir a reuniões de trabalho com vários colegas europeus. Dizia ele que, regra geral, os portugueses e os espanhóis eram dos mais "doutrinados" de esquerda. Dos mais dogmáticos. Talvez por isso dos menos pragmáticos. Não que a doutrina não seja necessária. Não, de todo. Mas o que essa pessoa dizia era que na Finlândia, ao contrário de noutros países, por não haverem posições tão extremadas (em termos doutrinários), era mais fácil aos patrões e aos trabalhadores acordarem situações que pudessem melhorar a competitividade da economia. Claro, mas isso é na Finlândia. E parece que no caso deles tem resultado bem.

Bonomia portuguesa

Há algum tempo atrás, ao passar pelos lados do Instituto Superior Técnico, deparei-me com a situação que a fotografia retrata. No tablier de um carro podia-se ler, numa folha escrevinhada à mão, “Parquímetro Engoliu € 2”.

Achei delicioso. Não porque sou contra os parquímetros ou contra a Emel. Nem sequer porque odeie a Ordem e a Autoridade nem tão-pouco porque tenha uma qualquer costela de Anarquista. Nada disso. Achei deliciosa a candura da frase, a ingenuidade associada a ela e a ambiguidade que traz. Terá sido um daqueles espertalhões saloios que se lembrou de aproveitar do facto do parquímetro estar avariado? Ou terá mesmo acontecido a "sucção" dos dois euros? Não sei. Só sei que, caso estivéssemos num outro país qualquer, a Autoridade só teria uma resposta: “So what?”

Aqui, em Portugal, sempre há a esperança de que a Autoridade, tantas vezes maltratada e escarnecida, se compadeça com este possível exemplo de bonomia e passe a complacência num sorriso em vez de uma desagradável multa.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Documentário "A Guerra"

Ontem recomeçou a excelente série documental "A Guerra" de Joaquim Furtado. Agora com mais nove episódios. O próximo episódio é no dia 18 às 21h30 (RTP1). A não perder.

Parabéns Rádio Comercial

Hoje a Rádio Comercial faz 30 anos. Entrou no clube dos trintões, como eu já o fiz há já alguns anos atrás. Parabéns Rádio Comercial. Parabéns pela música, pela boa disposição e, no meu caso particular, por me animarem muitas manhãs cinzentas. Parabéns a uma rádio que cresceu com a geração que hoje anda na casa dos 30 mas que consegue, apesar de tudo, não se cingir a ela. Que venham mais trinta, como hoje ouvi dizer.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Evolução da inflação desde 1999

A figura acima mostra a evolução da taxa de inflação homóloga do índice de preços no consumidor português entre Janeiro de 1999 e Fevereiro de 2009 (que foi hoje divulgada pelo INE; ver mais informações aqui).


Actualmente a inflação anda nos 0,2%. Lembro que a flash estimate do Eurostat dava para a zona euro 1,2% (dados definitivos a 16 de Março).


Impressionante a queda abrupta registada desde Outubro de 2008 (parte mais à direita do gráfico). Realmente uma figura vale mais do que mil palavras. Será que a tendência para a descida da taxa de variação homóloga se ficará por aqui?

Internet à borla

No site do jornal Público, mais concretamente aqui, podem-se encontrar os locais onde há internet wireless à borla em Portugal.

Muito útil. Até porque estou, neste momento, a utilizar um desses locais em Lisboa. Trata-se do bar do cinema City no Campo Pequeno. Bar muito simpático, com refeições a preços acessíveis.

Afinal de contas ainda se encontram coisas boas de borla em Lisboa...

terça-feira, 10 de março de 2009

Permanent jobs

Há pouco mais de uma semana estive em Atenas em trabalho. No dia do meu regresso, como tinha algumas horas livres antes do meu voo de volta para Lisboa, resolvi ir ver a Acrópole.

Infelizmente tal não me foi possível. Acontece que havia uma manifestação à porta da "cidade elevada" que impedia, a mim e aos demais interessados, de nela entrar. "Hoje não pode ser", disse um dos polícias de serviço. "Porquê?", perguntei eu, naquele jeito de turista que não percebe nada da fauna do local onde se encontra. "Porque aqueles ali estão a manifestar-se por causa de qualquer coisa", replicou o agente da lei. Devo ter feito uma cara muito infeliz porque ainda me disse qualquer coisa como "Amanhã já pode ver a Acrópole". "Que consolo!", disse de mim para mim.

Enfim, agradeci a informação, dei meia-volta e tirei uma fotografia da única coisa escrita em inglês dos manifestantes. Curiosa a referência aos permanent jobs. Talvez estes trabalhadores estivessem a lutar contra problemas relacionados com contratos a prazo ou outras formas de precariedade no emprego. Não sei, não perguntei. De qualquer das formas, pensei eu, o mundo laboral actual continua a ser, para o bem ou para o mal, avesso à palavra permanent.

Afastei-me, desejando-lhes no meu íntimo toda a sorte do mundo. Até porque se alguma vez voltar espero não dar de novo com o nariz na porta por causa de uma nova manifestação...

Entrega do IRS

O site da DGCI permite, a partir de hoje, a entrega da declaração de IRS através da Internet. Só as declarações referentes ao modelo 3 (rendimentos provenientes de trabalho dependente e/ou de pensões).

Extremamente útil é a opção de descarregamento de um simulador de IRS para o nosso computador pessoal . Aconselho o seu uso. Poupa imenso tempo. Está disponível aqui, na opção "simuladores/IRS - Superior a 2005".

E eis que chegou?

Sua excelência o Presidente de Angola. Na esteira das grandes amizades de José Sócrates (China, Russía, Venezuela, Líbia, etc.), Angola é apenas mais uma. Todas elas altamente recomendáveis. Países exemplares no respeito pelos direitos humanos, pela pluralidade de pensamento, pela luta anti-corrupção, pelo forte sentimento democrático dos seus líderes.
Quanto a Angola, só dois factos: o actual presidente está no poder desde 1979 (sim, há 30 consecutivos anos) e antes das eleições legislativas de 2008, as últimas que se tinham realizado foram-no em 1992.
Escuso-me de fazer referência a fortunas pessoais e a quem detém o controlo da economia e de como ele é exercido.
Mas depois gostamos de passar a imagem de país que se preocupa com a democracia, os direitos humanos, etc., e criticamos a forma como os outros desenvolvem a sua política externa.

PS: apesar de achar que é mais uma forma de se destacar e de criar um facto político do que por convicção, não posso deixar de elogiar a atitude do Bloco de Esquerda relativamente à visita do presidente angolano.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Errarum Humanum Est

Na passada quinta-feira o jornal “Público” celebrou o seu décimo nono aniversário. Para além de oferecer aos seus leitores uma reflexão interessante sobre o futuro dos jornais em papel (isto é, do seu próprio futuro), o jornal publicou um texto com uma deliciosa resenha de algumas das gralhas e disparates que foram publicadas ao longo dos anos de vida deste jornal.

Já tive a oportunidade de assinalar neste blogue, aqui e ali, algumas gralhas deste jornal. Gralhas e erros, especialmente num jornal que se assume com sendo “de referência”, são situações que me irritam um bocado. Veja-se, por exemplo, a mesmíssima edição de quinta-feira, aquela que ostenta na primeira página o título “Ups! Fizemos asneira”. Nessa mesma página, há uma referência a uma entrevista ao futebolista Messi. Acontece que o jornal direcciona o leitor para as páginas 26/7 quando, na verdade, a entrevista aparece nas páginas 24/5....

Tudo bem, são gralhas e todos nós podemos errar. Tanto mais que reconheço que o custo de ter um jornal interessante, actual e quase à prova de erro são muito grandes quando sabemos que as notícias viajam a uma velocidade vertiginosa e caem em catadupa nas redacções dos jornais.

E já agora, verdade seja dita, pior do que fazer erros, é não os assumir. E o “Público” foi, de certa maneira, pioneiro nesta questão ao colocar no seu jornal uma secção “O Público errou”. Faz muito bem. Afinal de contas quem nunca errou? O erro faz parte da natureza humana.

Acredito que é atitude perante o erro que nos diferencia perante os demais. Reconhecer o erro, aprender com ele, não ter uma atitude negligente e desejar fazer sempre melhor são alguns dos meus princípios. Talvez por isso goste do jornal apesar das suas inúmeras gralhas e (por vezes) deliciosas trapalhadas. É que, afinal de contas, o diário parece seguir aquela frase de Bento de Jesus Caraça, que se encontra gravada numa parede do Instituto Superior de Economia e Gestão, que diz “Se não temo o erro, é porque estou sempre disposto a corrigi-lo”. Nem mais.

domingo, 8 de março de 2009

O que vale Manuel Alegre?

Este senhor, escritor de profissão (segundo o site do Parlamento), tem andado nas bocas da comunicação social desde 2004/2005. Mas porquê?
Aqui está um caso de alguém que ganha um mediatismo inversamente proporcional aquilo que fez ou que defendeu nos últimos 35 anos.
Não querendo esquecer o seu passado mais longínquo e repetido até à exaustão de combatente da liberdade (a militância no Partido Comunista e o exílio na Argélia), o que fez Manuel Alegre desde 1974?
Recorri à Wikipedia e que descobri? Pois, tirando uma série de prémios literários, em 35 anos, foi Secretário de Estado da Comunicação Social e Porta Voz do 1º Governo Constitucional. Daí para cá só aparecem referências a partir do ano 2004. Que andou a fazer entretanto? A lutar por alguma causa? A propor novas formas de governação? A propor revisões da Constituição para permitir a eleição de listas de independentes? A propor reformas estruturantes do nosso sistema político, económico ou social? A propor a moralização da classe e do sistema político? A tudo isto a resposta é NÃO.
Mas durante todos estes anos foi deputado à AR, eleito pelas listas do PS (o site do Parlamento confirma-o “Deputado na Constituinte, I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII e IX Legislatura”). Partido que agora repudia por todos os meios ao seu dispor.
Ou seja, a criatura viveu 35 anos do e para o aparelho político do PS, do e para o sistema partidário português, umas vezes sentado mais à frente no plenário da AR, outras lá mais para trás, e de repente lembra-se que o partido não funciona, a democracia está doente, não há debate político, etc, etc. Mas este senhor não viveu os últimos 35 em Portugal e sentado na AR? É preciso ter lata, muita lata!
A suprema ironia é a apropriação que fez do milhão de votos que, naquele dia de 2005, recebeu da população portuguesa. Como disse ontem José Lello, ainda os deve ter guardado no frigorífico ou, coerente como é, ainda os pôs a render nalgum banco.
É curioso que Soares, Sampaio e Cavaco sempre tiveram o cuidado de, nos seus discursos de vitoria, realçarem que a maioria que os elegeu se tinha dissolvido no momento da sua eleição. Com Alegre não. Os votos são dele e só dele e ainda faz chantagem com o “seu” milhão de votos. E o PS tem assistido a tudo isto impávido e sereno. Em nome da coerência, que tanto apregoa, porque não suspende ou renuncia ao mandato de deputado para que foi eleito pelas listas do PS? Atendendo ao que tem dito, ao que tem “feito” e às posições que toma nas votações da AR que faz esta criatura no PS? Saia. Assuma a divergência. Crie um partido (a partir do MIC, por exemplo). Vá a votos. Um milhão de votos dá quase para ganhar eleições legislativas. Tem medo de quê?
Só se for de sair das luzes da ribalta onde a comunicação social o colocou e que lhe serve para alimentar a sua arrogância, o seu narcisismo, o seu egocentrismo, a sua superioridade intelectual, a sua presunção de último bastião da democracia e da virtude política.
E ideias? Um enorme vazio.
Percebe-se porque é depois de ser Secretário de Estado da Comunicação Social e Porta Voz do 1º Governo Constitucional nunca mais passou da cepa torta: apenas e só mais um deputado.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sócrates, a cimeira e a festa

Ontem, pelas 16h fiz um zapping pelos principais canais de notícias do cabo. Enquanto a Euronews e BBC davam, em directo, a conferência de imprensa do presidente da CE (Durão Barroso) e do presidente em exercício do conselho (M. Topolanek, 1º ministro checo), a Sky News dava, também em directo, a conferência de imprensa de Gordon Brown (1º ministro inglês) e depois passavam as principais declarações de outros chefes de governo ou de Estado, nomeadamente de Angela Merkl, Zapatero, etc. Simultaneamente, A RTP-N e a SIC-Notícias davam até à exaustão o discurso do 1º ministro de Portugal, não em Bruxelas, mas em Espinho. O “Eng.” Sócrates preferiu exercer o seu cargo de secretário-geral do PS do que o de 1ª ministro de Portugal. Mais, uma vez, o azar persegue-o. Quem manda os líderes europeus marcar uma cimeira informal para o mesmo dia da festa do PS. Há que fazer opções. E o que é mais importante?
Para o cidadão José Sócrates não há dúvidas sobre o que é mais importante.Só posso ver isto numa perspectiva: dadas as “soluções”propostas para Portugal pelo governo PS, que iria o 1º ministro português fazer a Bruxelas? Soluções avulsas como: esta semana temos 200 milhões para apoiar as PME e para a semana pode haver mais 300 milhões, logo se vê. De facto, compreendo o cidadão/secretário-geral/1º ministro José Sócrates: quem trocaria os aplausos e os miminhos dos seus camaradas pelas preocupações dos líderes europeus?

domingo, 1 de março de 2009

Parabéns Galiza e País Basco

A confirmarem-se, congratulo-me com os resultados das eleições regionais na Galiza e no País Basco. Na Galiza, o PP volta a poder governar depois de nas últimas eleições, apesar de ter ganho, não ter conseguido formar governo. A governação foi assegurada por uma coligação de interesses entre socialistas e esse verdadeiro albergue galego denominado bloco nacionalista galego (união de interesses que vai da extrema direita à extrema esquerda. No País Basco, numa situação semelhante à do PP nas últimas eleições galegas, os nacionalistas bascos do PNV, apesar de vencerem não deverão conseguir formar governo. Pela lógica e, digo eu, para o bem do País Basco e da Espanha, convém que socialistas, populares e o deputado da UPD se entendam e retirem o poder a Ibarretxe e ao PNV. De salientar, pela negativa, os cerca de 10% de votos nulos a confirmar alguma influência da ETA na sociedade basca. Mais uma vez, e a confirmarem-se os resultados, congratulo-me verdadeiramente pelas boas novas surgidas de Espanha.