Para quem ainda tinha algumas dúvidas sobre a orientação política e ideológica do novíssimo jornal i, nada melhor do que ler o editorial de hoje intitulado A política social não serve para nada de Martim Avillez Figueiredo.Este texto cita, entre outros ilustres, James Watson que, para além de ser conhecido pelo seu trabalho pioneiro na descodificação do ADN, foi o autor de afirmações polémicas sobre África e as políticas ocidentais para o desenvolvimento deste continente. Segundo este cientista, estas estariam erradas pois assentam num pressuposto falso, a de que os negros são igualmente inteligentes aos brancos. (Ver mais sobre este assunto aqui; o editorial do i pode ser lido aqui.)
É claro que o que se escreve num jornal não flui apenas em função do que pensa o seu editor principal. Em todo o caso, o editor escolhido e, claro está, o que é revelado através da sua coluna de opinião, explicam, de certa maneira, por que razão determinadas pessoas e opiniões (e não outras) aparecem no resto do jornal.
O que mais me "chateia" nisto tudo é o não haver, logo à partida, uma identificação clara das posições ideológicas dos jornais. Pelo menos aquela que nortea a escolha dos seus colunistas e, claro está, a do seu editor principal.
Lembram-se da primeira edição o i? Falava em devolver aos leitores o gosto de ler um jornal e coisas do género. Prometia colunistas como João Carlos Espada, Ricardo Reis e, talvez para baralhar, Paul Krugman. Mas nada se disse sobre a orientação ideológica do jornal. Acho que, por uma questão de honestidade para com o leitor, ela deveria ser desde logo assumida. Mas compreendo que, num mercado pequeno como o nosso em que para sobreviver é necessário vender para todos, seja melhor fazer com que os leitores gradualmente se apercebam (ou nunca se apercebam) deste tipo de posições.
