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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

(En)fado Freeport

Retiro duas ilações do caso Freeport que, tal como hoje lemos aqui, parece ser uma fonte inesgotável de notícias frescas para os jornais.

A primeira é a de que, na minha modesta opinião, não há de todo jornalismo de investigação em Portugal. Investigação? O que parece haver são fugas de informação, pouco cuidado em confirmar fontes e muito provavelmente uma lógica de fazer “render o peixe”com a divulgação dessas mesmas fugas a conta-gotas.

Posso estar enganado, admito. Mas, na minha opinião, o que transparece no meio disto tudo é uma certa inépcia (será só inépcia?) da comunicação social em fazer o que supostamente deveria fazer: informar o cidadão. É que com tanta informação, desmentidos, comunicados, idas a Inglaterra e sabe-se lá mais o quê, é alguém capaz de saber o que quer que seja em relação ao caso? Eu não. E quase começo a ficar com raiva de quem supostamente tem.

A segunda ilação tem a ver com a investigação propriamente dita (lenta), a actuação do ministério público (corporativa) e a falibilidade da lei de segredo de justiça em salvaguardar investigações de casos potencialmente mediáticos (mais uma vez provada).

E para quem não entenda o que é uma actuação corporativa, nada melhor do que ler ou ouvir as recentes declarações de Cândida Almeida sobre este dossier. Diz ela que, em relação ao caso Freeport, houve fugas de informação mas que quase de certeza não foram do Ministério Público…. Fico mais tranquilo, obrigado.

Para mim já chega. Vou fazer como o Vasco Pulido Valente que escreveu há já algum tempo que sempre que ouve falar no assunto na televisão muda de canal. Outros que fiquem colados ao ecrã.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Freeport

Ontem conseguiu o pleno na abertura dos três telejornais em horário nobre. Hoje vem nas primeiras páginas de muitos jornais (ver barra lateral azul, secção "Primeiras páginas"). É novamente o caso Freeport e a suspeita de corrupção.

Sócrates, provavelmente enervado com o tema, começou por responder bem aos jornalistas dizendo que não comentava acções das autoridades judiciais. Esteve menos bem ao lembrar, logo a seguir, que o assunto tinha aparecido pela primeira vez em 2005 em época de eleições e que voltava novamente agora numa nova época de eleições.

Só se compreende este último comentário do ponto de vista da minimização de eventuais prejuízos políticos. Até porque não é de crer que as autoridades britânicas, que originaram este processo ao pedir mais diligências, estejam muito preocupadas com o ciclo político-eleitoral de Portugal.