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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mais um destes artigos para quê?

O artigo de opinião já tem algum tempo. Foi escrito em Dezembro, chama-se “O palhaço” e é de Mário Crespo.

Confesso que tenho até alguma estima pelo jornalista em causa. Sei também que é um profissional respeitado e alguém que é ouvido e lido por muitas pessoas.

Não costumo ler as suas crónicas no JN nem nunca vi na íntegra o seu programa Plano inclinado na SIC. Mas do que visionei até agora faz-me pensar de que o título é mesmo apropriado. O programa é mesmo inclinado. Todos os intervenientes parecem escorregar para o mesmo lado. Para o da depressão.

Mas poderei estar enganado. Se calhar isto tudo está mesmo sem esperança nenhuma. Talvez não exista outra maneira de falar da coisa pública que não passe por dizer que Portugal é o primeiro dos países "PIGS" ou do Clube MED. Com a particularidade de o ser dito pelos autóctones com uma veemência que deixaria qualquer estrangeiro corar de vergonha. Tenho dúvidas, mas enfim...

Mas voltemos ao “O palhaço”. Mário Crespo bate em tudo e em todos. Vale a pena ver, quanto mais não seja pela agressividade que mostra; agressividade esta bem expressa na repetição da palavra "Palhaço". Bem, será um estilo literário, não há nada a apontar.

O que questiono é, afinal de contas, a utilidade deste tipo de intervenções. Penso ter pelo menos algumas das mesmas preocupações do jornalista quanto ao futuro de Portugal. Gostaria de ver uma melhor classe política, por exemplo.

Mas o que pretende Mário Crespo com este tipo de intervenções? Elevar as conversas de café ao estatuto de literatura universal? A implosão da classe política actual? Será Mário Crespo um inconfesso Anárquico?

O artigo pode ser visto aqui.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Último relatório do FMI sobre a economia portuguesa

Já ontem fez notícia em alguns meios de comunicação portugueses. O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu mais um processo de consulta sobre a economia portuguesa.

Este exercício, normalmente levado a cabo todos os anos, implica a análise do estado da economia portuguesa e a elaboração de recomendações de política económica. Vale a pena ler. Pelo menos a parte em que se analisam os males da economia portuguesa que, como uma das secções do relatório põe em relevo, são nada mais do que Low Productivity, Weak Competitiveness and High Debt.

A partir daqui, isto é, a partir da análise da situação em que há actualmente um grande consenso entre os economistas, entramos no domínio das recomendações ou, o que vai dar ao mesmo, na prescrição dos “remédios” para os problemas da economia lusa. Neste domínio já não há tanto consenso como isso e o FMI apresenta a sua visão sobre o assunto.

A press release (podemos-lhe chamar assim) pode ser obtida aqui. O relatório da missão do FMI, aqui.

Aproveito a oportunidade para referir que o FMI tem um blogue interessante sobre economia global onde somos convidados a participar na discussão dos temas colocados. O blogue pode ser acedido aqui.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Debate fracturante, política constante?

Nas vésperas de mais um intenso e "fracturante" debate político na Assembleia da República, talvez valha a pena olhar para este pequeno artigo de opinião publicado em Dezembro pelo economista Ricardo Reis no jornal i.

Não sei, talvez exista por aí alguém que se consiga comover mais com a dureza de alguns números que estão à vista no artigo do que com muitos dos temas que fazem parte da agenda política deste país.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Aviso: os "fundamentals" estão de novo aí

O texto com a declaração final da missão do FMI a Portugal serviu de notícia de primeira página aos jornais i e Público de hoje. Mais espalhafatoso e popular o primeiro do que o segundo, ambos mostram a sintonia no tipo de avisos que têm sido feitos na comunicação social sobre o caminho a trilhar em relação à política fiscal, salarial e monetária em Portugal.

E qual é o caminho? Bem é o do costume. Cortes nos benefícios sociais, controle férreo das despesas públicas (como as que são feitas na saúde) e moderação salarial (com especial referência aos funcionários públicos). Mais. Não é esquecido o plano de acordado para o aumento do salário mínimo que, de acordo com o texto, deverá ser repensado por estar fora do contexto dos fundamentos económicos actuais. Só depois é que o FMI fala em aumentos de impostos (mas, como é óbvio, não os exclui).

O FMI, no âmbito do artigo IV dos seus Articles of Agreement, realiza este tipo de missões numa base que é, normalmente, a anual. Nestas consultas, o FMI realiza reuniões com responsáveis pela política económica que, no caso português são essencialmente o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal. O texto do FMI é datado de 29 de Novembro. O Banco de Portugal e o FMI são duas instituições que lêem o mundo através da mesma cartilha. O jornal i diz “Depois do Banco de Portugal, é a vez do FMI ” fazer avisos. Enfim, haverá alguma novidade nisto tudo?