quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Sobre a crise em Espanha
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Actualização de Julho do FMI
Nesta revisão, de uma forma geral, o que nos é transmitido é que a crise económica deve ser sentida em 2009 de uma forma ligeiramente mais forte do que o previsto em Abril (-0,1 pontos percentuais) e que, em contrapartida, a recuperação em 2010 vai ser um pouco mais robusta do que se estava a pensar (+0,6 pontos percentuais).
Com especial interesse para Portugal, pois tratam-se de importantes parceiros comerciais, é de salientar a revisão em baixa, para 2009 e 2010, das previsões de crescimento económico da Espanha (-1,0 e -0,1 pontos percentuais, respectivamente) e a revisão em baixa, para 2009, para a Alemanha (-0,6%).
Aliás, de acordo com as previsões do FMI, a zona euro deverá ter um comportamento em 2009 bastante pior do que o que era previsto em Abril e ligeiramente melhor em 2010 (mas mesmo assim negativo: -0,3%). E o que poderá querer isto dizer para Portugal, um país de média dimensão aberto ao exterior? Na minha opinião reforça a ideia de que a retoma económica não está aí ao virar da esquina. Virá, na melhor das hipoteses, lá para o fim de 2010, 2011.
O texto do FMI referente a esta actualização pode ser visto aqui.
Devo lembrar que esta actualização é uma espécie de actualização intercalar, onde apenas se mostram previsões para o andamento geral da economia mundial, grandes blocos económicos e um conjunto de países seleccionados. Previsões do FMI sobre a economia portuguesa só na lá para Outubro deste ano com a revisão de todas as previsões para um conjunto muito mais alargado de países.
Para “seguir o rasto” dos últimos WEO, especialmente aqueles realizados durante a actual crise económica e financeira, basta clicar na sigla “FMI” presente secção das etiquetas da barra lateral direita deste blogue.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Comparação entre a crise actual e a Grande Depressão de 1929
Há de quase tudo para quase todos os gostos. Se não concordam, vejam os dois gráficos seguintes. O primeiro, que pode ser acedido aqui, num site de dois reputadíssimos economistas, parece apoiar a ideia de que a recessão actual é pior do que a enfrentada em 1929.
Já neste gráfico, retirado daqui, de um site menos reputado, a história é exactamente a oposta: o efeito da Grande Depressão, uma vez mais aferido através do comportamento do mercado de capitais, foi mais poderoso do que o efeito provocado pela crise económica acual.
Confusos? Não há razão para isso.
Isto porque um gráfico e a sua apresentação tem muito que se lhe diga. Assim, não nos devemos esquecer de que o que estamos a ver (e a comparar) são duas séries temporais diferentes: uma "oferece" dados mensais, a outra dados diários; uma tem como base de partida da Grande Depressão Junho de 1929, a outra Setembro de 1929; uma fala em World Stock markets a outra no índice Dow Jones, outra tem como base de partida da actual crise Abril de 2009, a outra inicia a série num período de tempo mais alargado, a partir de Outubro de 2007 (i.e., no pico do índice)... E assim por adiante.
Todas estas nuances podem ter importância no aspecto visual final dos gráficos. De qualquer forma, poder-se-á argumentar que mesmo que estas nuances alterem o aspecto numérico do gráfico, a análise qualitativa ou de tendência geral que se extraem dos mesmos é una e inalterável. Afinal de contas estamos a analisar as mesmas realidades socias! Ou não é assim?
Sim, são as mesmas realidades sociais. O problema é que os instrumentos que usamos para as definir não estão isentos de subjectividade. Um exemplo: a escolha das bases de partida das crises económicas é algo que é deixado ao critério do autor dos gráficos. É algo subjectivo, pelo que a simples mudança de base de partida pode, em séries temporais como as que são acima retratadas, originar aspectos visuais dos gráficos e conclusões completamente diferentes... Enfim, um gráfico e a sua apresentação tem muito que se lhe diga.
Para mim parece-me óbvio que se pode lucrar com a discussão sobre este tema, podendo retirar-se ensinamentos da crise de 1929. Especialmente no que se pode extrair através da comparação das diferenças entre as duas crises e no que toca à condução da política económica. Ben Bernanke, o actual presidente do FED, é tido como um especialista sobre o período da Grande Depressão, sendo esta característica por vezes apontada na comunicação social como determinante para a rapidez e a agressividade das medidas de política monetária adoptadas sob o seu mandato.
No entanto, penso que fazer-se coisas como previsões sobre a duração ou a gravidade da actual crise tendo como medida-padrão a crise de 1929, é um exercício que deve ser feito com muita cautela e – como o exemplo dos gráficos acima mostra – com a ideia sempre presente de que serão sempre subjectivas.
É que, caso não o façamos desta forma, estamos sujeitos a ouvir que, como foi referido aqui, Comparing 1929 to 2008 is a bit like comparing a Model T to a 2008 Chevy: They're both cars, but that doesn't mean they're both the same."
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Cork, Irlanda
Há umas semanas atrás, estive uns dias em Cork, a segunda maior cidade da República da Irlanda (tem cerca de 200 mil habitantes).Apesar de não ter tido muito tempo para ver a cidade, deu para ver que esta é uma cidade onde os efeitos da recessão económica estão bem presentes: lojas a fechar, descontos por todo o lado, restaurantes de luxo com ementas a preços acessíveis, blocos de escritórios vazios.
Não é de espantar. A Irlanda, outrora apelidada de “Tigre Celta”, país apontado como o exemplo a seguir por muitos (Portugal inclusive), país que teve taxas de crescimento reais do seu produto interno bruto na ordem dos dois dígitos, encontra-se actualmente com uma taxa de desemprego na ordem dos 11%, taxas de inflação negativas, previsão de um decrescimento do PIB na ordem dos 9% e reduções salariais no funcionalismo público na ordem dos 10%.
Tal como Portugal, espera-se que a sua economia retome o caminho do crescimento de uma forma consistente apenas em 2011. Enfim, veremos como se comporta a economia mundial e como economias mais ou menos periféricas como a Irlanda e Portugal se vão sair disto tudo.
Entretanto esta “crise” pode ser vista como uma "janela de oportunidade turística” para os portugueses. Com os preços a baixar, com voos directos entre Lisboa e Cork (Air Lingus), por que não trocar (pelo menos em parte) as mais do que batidas férias de sol e praia por algo diferente e dar um pulinho à Irlanda?
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Luxemburgo
Os momentos menos bons proporcionados pela crise financeira e económica que actualmente vivemos chegam a todo o lado. Até ao Luxemburgo, país com menos de 500 mil residentes (dos quais 13% são portugueses), e com um elevado rendimento per capita. Este país, cuja vida económica assenta na indústria do aço, no funcionalismo europeu público e na indústria financeira já viveu dias com perspectivas mais risonhas.Na passada terça-feira, o centro da capital do Luxemburgo assistiu, algo incrédula, ao protesto violento de cerca de um milhar de trabalhadores contra a decisão de layoff temporário de mão-de-obra na maior empresa mundial de produção de aço. Quanto à "indústria" financeira, em que o Luxemburgo é um dos mais importantes centros na Europa, estamos conversados. Resta o funcionalismo público europeu para ir aguentando mais as coisas. São os sinais do tempo. Sinais porventura maus para os milhares de emigrantes portugueses que vivem no Luxemburgo e que trabalham essencialmente nos serviços e na construção civil.
São, enfim, ajustamentos na estrutura económica dos países como reacção aos ferimentos da crise. Esperemos que Trichet e outros dirigentes europeus tenha razão quando dizem que há sinais positivos que indiciam um ponto de inflexão e a tão desejada recuperação económica. Sim. Esperemos que as boas-novas estejam de facto aí ao dobrar da esquina e que as recentes declarações não sejam apenas a mera gestão das expectativas.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Quem tem medo da inflação? (II)
...The Governing Council has decided in principle that the Eurosystem will purchase euro-denominated covered bonds issued in the euro area. The detailed modalities will be announced after the Governing Council meeting of 4 June 2009.... (o texto integral pode ser lido aqui)
Uma decisão inédita na história do BCE. Apesar do "in principle"... Saúda-se a decisão, pois é um sinal de que lá para os lados de Frankfurt não são assim tão insensíveis à conjuntura económica como isso.
Afinal de contas o BCE não tem tanto medo da inflação. Pelo menos não tanta como a do Bundesbank!
Quem tem medo da inflação?
Ficamos à espera de mais pormenores na conferência desta tarde do Governador do Banco Central Europeu. Talvez confirme que este valor será provavelmente o limite máximo a que a ortodoxia alemã - omnipresente na altura de o BCE tomar decisões - permite ir.
Entretanto soube-se que o Banco Central da Inglaterra (BOE) manteve a sua taxa central nos 0,5%. O BOE vai, no entanto, incrementar a compra de obrigações com o intuito de ceder mais liquidez à economia. Quase que aposto que o BCE não vai utilizar este intrumento e se vai ficar, uma vez mais, na descida da taxa de referência. Porquê? Por causa do medo do papão da inflação... Quem tem medo da inflação? O Bundesbank tem!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
A economia num cartoon

quarta-feira, 18 de março de 2009
Indícios de uma recuperação?
O facto de os valores do BLS terem suplantado as previsões dos analistas é, por si só, positivo. Isto porque o espectro deflacionário parece estar, pelo menos em parte, posto de parte. Relembramos que em Janeiro o mesmo indicador registou uma variação nula.
A press release do BLS pode ser vista aqui.
Hoje fala o presidente do FED sobre a economia americana. Vamos ver o o que o que Ben Bernanke tem para dizer aos EUA e, claro está, ao mundo, sobre o estado da economia americana.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Dia de greves
Hoje é dia de greves (da CGTP). Segundo notícias recentes da edição on-line do Público, será a maior de sempre em Lisboa desta confederação de trabalhadores. Hoje, há hora do almoço, deparei-me com uma do sindicato dos enfermeiros. Estavam em frente ao Ministério saúde e deviam estar a preparar-se para a descida ao Marquês. Pediam melhores condições para os trabalhadores e ostentavam dísticos contra a precariedade no trabalho. Onde é que já vi qualquer coisa parecida? Ah, já sei, foi aqui, alguns posts abaixo.Há algum tempo atrás, conheci uma pessoa que trabalhava para uma organização de trabalhadores da Finlândia. Essa pessoa costumava ir a reuniões de trabalho com vários colegas europeus. Dizia ele que, regra geral, os portugueses e os espanhóis eram dos mais "doutrinados" de esquerda. Dos mais dogmáticos. Talvez por isso dos menos pragmáticos. Não que a doutrina não seja necessária. Não, de todo. Mas o que essa pessoa dizia era que na Finlândia, ao contrário de noutros países, por não haverem posições tão extremadas (em termos doutrinários), era mais fácil aos patrões e aos trabalhadores acordarem situações que pudessem melhorar a competitividade da economia. Claro, mas isso é na Finlândia. E parece que no caso deles tem resultado bem.
terça-feira, 10 de março de 2009
Permanent jobs
Há pouco mais de uma semana estive em Atenas em trabalho. No dia do meu regresso, como tinha algumas horas livres antes do meu voo de volta para Lisboa, resolvi ir ver a Acrópole.
Infelizmente tal não me foi possível. Acontece que havia uma manifestação à porta da "cidade elevada" que impedia, a mim e aos demais interessados, de nela entrar. "Hoje não pode ser", disse um dos polícias de serviço. "Porquê?", perguntei eu, naquele jeito de turista que não percebe nada da fauna do local onde se encontra. "Porque aqueles ali estão a manifestar-se por causa de qualquer coisa", replicou o agente da lei. Devo ter feito uma cara muito infeliz porque ainda me disse qualquer coisa como "Amanhã já pode ver a Acrópole". "Que consolo!", disse de mim para mim.
Enfim, agradeci a informação, dei meia-volta e tirei uma fotografia da única coisa escrita em inglês dos manifestantes. Curiosa a referência aos permanent jobs. Talvez estes trabalhadores estivessem a lutar contra problemas relacionados com contratos a prazo ou outras formas de precariedade no emprego. Não sei, não perguntei. De qualquer das formas, pensei eu, o mundo laboral actual continua a ser, para o bem ou para o mal, avesso à palavra permanent.
Afastei-me, desejando-lhes no meu íntimo toda a sorte do mundo. Até porque se alguma vez voltar espero não dar de novo com o nariz na porta por causa de uma nova manifestação...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Greenspan apoia nacionalizações de bancos
A partir do blogue do economista Paul Krugman cheguei a esta notícia. Allan Greenspan, antido governador do FED e defensor das virtudes do mercado auto-regulado enquanto esteve lá sentado, apoiou publicamente a necessidade de alguns bancos serem (temporariamente) nacionalizados. Realmente, o mundo dá cá umas voltas...Uma coisa é certa: mais uma intervenção deste estilo - já pediu desculpas por ter acreditado tanto nos poderes mágicos da auto-regulação - e juro que ponho a auto-biografia dele, que li no ano passado, no caixote do lixo... E talvez vá até pedir uma indemnização à editora!
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Dados fresquinhos sobre uma recessão
Hoje, o Eurostat divulgou que o produto interno bruto da Zona euro variou -1,5% no mesmo período. (Ver destaque de imprensa aqui.)
De igual forma, o índice de preços no consumidor português apresentou uma variação em Janeiro de 2009, face ao mesmo mês do ano anterior, de 0,2%. Nunca me lembro de ver valores tão baixos para a taxa de inflação. Mais informações sobre a inflação do mês de Janeiro podem ser vistas aqui.
Seriam munições para a oposição para o debate na Assembleia da República sobre economia, tema aliás escolhido pelo Primeiro-ministro José Sócrates... não fosse o pequeno pormenor de o debate ter sido feito na quarta-feira!
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Navegar à vista, contra a corrente ou simplesmente o regresso da coordenação estratégia?
Aqui e ali ouvem-se ecos de mais proteccionismo. Paul Krugman, o mais recente Nobel economia e talvez o economista mais conhecido da blogosfera, refere aqui que, na actual situação económica (que para ele é tipicamente Keynesiana), existem argumentos económicos válidos para adoptar políticas proteccionistas.Entretanto, a vida corre em Portugal. Na segunda-feira, Cavaco Silva referiu que a “solução para a crise está nas exportações” e, ontem, José Sócrates rejeitou e alertou para os perigos do proteccionismo.
Pelo menos espero que as declarações do Presidente da República e do Primeiro-ministro sejam fruto de uma concertação de posições sobre política económica. Em tempos difíceis, esta concertação é mais necessária do que nunca. Mas reconheço que esta será, porventura, é uma visão talvez um pouco ingénua.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Quando bateremos no fundo?
A versão on-line do público divulga, na sua página principal, que a “Inflação na Zona Euro baixa para 1,1 por cento em Janeiro”. Trata-se da estimativa rápida do Eurostat que, diga-se em abono da verdade, costuma ser bastante certeira.De qualquer forma, os dados oficiais de Janeiro só vão ser publicados a 27 de Fevereiro, tal como pode ser visto aqui, na press release que o Eurostat divulgou hoje sobre este assunto.
O fantasma da deflação futura parece não querer dar sinais de largar, pelo menos até agora, a Europa e a vida dos europeus.
Mas o Eurostat também divulgou hoje outros números. Desta feita sobre o desemprego. Na zona Euro, em Dezembro, o desemprego atingiu os 8% (7,9% em Portugal). Este organismo divulga dados corrigidos de efeitos sazonais que podem, desta forma, dar uma indicação da evolução ou tendência deste fenómeno socialmente preocupante que dá pelo nome de desemprego. Um ano atrás, em Dezembro de 2007, o desemprego situava-se nos 7,2% e não nos 8%. Os dados podem ser vistos aqui.
O que dizer da amálgama de números e de indicadores económicos que nos chegam numa cadência quase diária? Dizem-nos que estamos em queda. Infelizmente, só não nos dizem é quando é que bateremos no fundo....
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Insucesso editorial
Não sei o que acham, mas eu penso que este foi o lançamento editorial mais despropositado que foi feito no ano anterior. Ainda está disponível na FNAC on-line. Para quem quiser comprá-lo, é claro.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Inflação, inflação, deflação à vista? (parte II)
A informação oficial do BLS pode ser obtida aqui.
É mais uma "fotografia" do estado da economia mundial. Uma última nota. Segunda-feira é a vez da Comissão Europeia anunciar novas previsões para a economia. Vamos ver que valor atribuem para o comportamento expectável da economia portuguesa. Vamos ver se confirmam (ou não) a tendência para ver a última previsão do Banco de Portugal para o PIB português como demasiado optimista. É que nas últimas semanas foram pelo menos duas entidades que anunciaram valores para o PIB bem piores do que o anunciado pelo Banco Central luso (IfW e da Standard and Poor's).
Rate me, darling!
Como todo economista cabal e minimamente competente sabe, os ratings são elementos capitais na formação da dívida dos Estados e das empresas, dado que proporcionam a potenciais investidores e devedores uma imagem da fiabilidade da entidade. Quanto melhor é o rating, menores são a indefinição e o risco associados às operações financeiras desse agente económico e menores as cargas financeiras que o agente deve suportar a câmbio do dinheiro dos investidores.
So far, so good. Até podemos concordar todos que é uma boa ideia que entidades independentes como a Standard & Poor’s assumam esse papel de “salvaguarda sistémica” contra operações e produtos financeiros de alto risco e dúbia qualidade.
O problema é que as ditas agências não são independentes a séria. O seu protagonismo nesta crise mundial que estamos a viver é central, dado que os produtos financeiros que contaminaram os mercados nem teriam chegado a ser negociados se a avaliação de risco dos mesmos tivesse sido feita de maneira responsável e independente. Não podemos esquecer que as agências de rating são contratadas pelos bancos para avaliar os seus produtos. E sendo o negócio das agências receber dinheiro pelas ditas avaliações, pareceria estúpido a qualquer responsável pelos negócios de qualquer uma destas agências “incomodar” aos seus clientes fornecendo avaliações pouco simpáticas do risco associado a certos produtos. Desde a perspectiva dos bancos, obviamente que nenhuma agência que “subavaliasse” os seus produtos uma vez, voltaria a ser contratada!
O resultado é evidente: quanto melhores são as avaliações, maior o volume de negócio das agências avaliadoras e das próprias entidade emitentes, pois os produtos aparecem no mercado com um carimbo de confiança. E na situação inversa, a da crise, a da contracção dos mercados? Pois, voltando ao início do meu comentário, estamos a viver isso agora: todos os agentes são pouco prestáveis, os seus produtos manhosos, as perspectivas gerais são más, a desconfiança é o clima dominante e as agências avaliadoras não podem confiar em ninguém, porque o seu prestígio (???) poderia ficar em perigo. E então é que aumentam as cargas financeiras, a dívida, o défice...
Resultado evidente: o comportamento pro-cíclico das agências de rating, que tem efeitos muito negativos tanto no auge como na crise.
E afinal isto é um problema de independência, não de competência, pois não me parece que os profissionais das agências de rating sejam incompetentes. Parece-me sim que os objectivos corporativos não são compatíveis com o seu papel teórico: avaliar o verdadeiro risco dos produtos e agentes financeiros independentemente da sua procedência e estado de ânimo dos mercados. Em definitiva, um papel nivelador e até certo ponto contra-cíclico.
Corolário: vou arriscar a ser chamado de “commie”, mas não será necessário (re)pensar o papel deste tipo de agente económico? Não será aqui também necessário um “novo paradigma”? Será que o assunto se encontra nas agendas destas conferências internacionais (G20 e afins) sobre economia global? Se calhar até era boa ideia…
