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terça-feira, 14 de abril de 2009

Investimento público II

A Câmara Municipal da Amadora tem prevista, pelo menos desde 2006, a passagem da actual biblioteca municipal para um novo equipamento situado na Reboleira. Segundo notícias retiradas daqui, a nova biblioteca deveria estar concluída em meados de 2007.

Ora estamos em 2009 e, se olharmos para o copo "meio cheio", vemos que estrutura já existe. É só procurar um edifício novo, com o nome do jornalista, historiador e professor Fernando Piteira Santos em frente à Academia Militar. No entanto, o mesmo copo "meio vazio" diz-nos que, apesar da estrutura estar aparentemente pronta há pelo menos um ano, o que falta são os... livros!

Outra coisa que falta é, infelizmente, a informação. No local, ninguém sabe dizer quando a biblioteca vai abrir. (Pelo menos não havia até há bem pouco tempo!) Mais. Se recorrermos ao site da Câmara Municipal encontramos... nada sobre o assunto. Nada mais do que nada obtive quando enviei há quase um mês e meio um e-mail à Câmara da Amadora a perguntar sobre o estado da situação... Nada. Rien de rien.

O problema é que sem sabermos nada, sempre vamos vendo que o edifício, construído de raiz e concluído há já algum tempo, vai precisando de obras de manutenção e de, espanto dos espantos, correcções mais ou menos difíceis de se fazerem (como, por exemplo, o da construção de uma nova escada exterior ao prédio).

Será que a Câmara da Amadora está a utilizar todo o potencial que o investimento público desta obra pode trazer à comunidade maximizando, por assim dizer, o número de pequenas empreitadas? Mesmo que elas não sejam muito necessárias? Não sei, mas sem informação é difícil dizer mais alguma coisa sobre o assunto. Perminte-nos Apenas especular. Como, por exemplo, dizer que a obra está a ser preparada para ser inaugurada o mais próximo possível das eleições para aproveitar o seu efeito mediático na consciência dos votantes...

Vou reenviar o meu e-mail. Pode ser que desta vez tenha sorte e que, para minha agradável surpresa, a biblioteca já esteja a funcionar. Até pode ser que me engane e este não seja mais um daqueles exemplos que grassam pelo país de investimentos públicos que invariavelmente acabam em derrapagens, complicações com os empreiteiros e de desperdício de recursos. Tudo embrulhado no papel escuro que a falta de falta de informação sobre o assunto (convenientemente?) fornece.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Investimento público

Está na moda o uso de “cartões de proximidade” para os mais variados fins. Em Lisboa, esta tecnologia começou a ter mais visibilidade com a criação do cartão “Viva” e a instalação de torniquetes e controlos de acesso no Metro.

A REFER parece estar agora a apostar neste tipo de tecnologia, tendo instalado linhas de controlo de acesso em várias estações da Linha de Sintra.

A estação de Monte Abraão, por exemplo, tem este sistema montado pelo menos desde Setembro/Outubro do ano passado e, a da Amadora, há pelo menos alguns meses.

E qual é o problema? O problema é que este sistema, apesar de estar fisicamente implantado, não funciona. Mais. Nem todas as estações da Linha de Sintra o têm, desconhecendo-se por completo (eu pelo menos não ouvi dizer nada sobre este assunto), sobre o critério utilizado para se ter começado com algumas estações e deixar de fora, por exemplo, a estação do Campo Grande.

Enquanto estas dúvidas persistem, é ver as gloriosas máquinas depreciarem com o tempo. Sim, porque por mais duradouro que um torniquete automático seja, ele também se gasta com o tempo. Também ele precisa de manutenção e de mais investimento público para manter a tecnologia dos “cartões de proximidade” pronta a ser usada.

Admito que não esteja completamente bem informado sobre este assunto. Mas esta situação cheira-me a desperdício. A mais um exemplo de mau planeamento e de má comunicação de objectivos.

É por isso que as discussões actuais de natureza ideológica sobre o investimento público, que dividem os partidários das “grandes obras” daqueles que acham que se deve gerir o dinheiro público no sentido de facilitar a vida dos pequenos agentes económicos me parecem, por vezes, esquecer algo da mais básico.

É que qualquer investimento público, seja ele grande ou pequeno, deve ser bem planeado e bem entendido por todos. E já agora, que seja entendido por todos (ou quase todos) como benéfico ou como uma melhoria em relação ao status quo. Será que alguém da CP/REFER consegue explicar que a situação actual é melhor (vai ser melhor) do que a anterior? Se não, cheira-me a desperdício...