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quarta-feira, 24 de março de 2010

Europa (II)



Voltando ao tema postado pelo emérito colega DeKuip há um par de semanas sobre o que é a Europa, apresento hoje uma entrevista a José Enrique Ruiz-Domènec, historiador especializado na idade média, que acaba de publicar um livro intitulado “Europa, las claves de su historia”.

A entrevista, publicada hoje no El País, apresenta uma série interessante de pensamentos sobre a origem da ideia de Europa, como conceito sociocultural, desde uma perspectiva histórica. Um ponto que chama a atenção é que o historiador não identifica o início do “sonho europeu” com o desenvolvimento do império romano, mas sim com a sua queda e a invasão dos povos bárbaros. A entrevista vale mesmo a pena, e pode ser lida aqui.

sábado, 13 de março de 2010

Dois apontamentos interessantes

No seguimento do post anterior e dos comentários feitos a ele, vale a pena assinalar um artigo do economista Vítor Bento de quinta-feira publicado no Jornal de Negócios.

Chama-se "Salvar o euro" e apresenta uma solução para o problema que é referido no meu anterior post. Para o economista, a solução passa por mais coordenação das políticas económicas na Europa (algo que não existiu até aqui) e na assumpção de que países de economia forte, como a Alemanha, aceitem mais inflação... Uma solução talvez não muito crível, mas sempre é uma ideia de solução. O artigo pode ser lido aqui.

O outro apontamento que gostava de deixar aqui já tem algum tempo. Trata-se da entrevista do investigador de economia comportamental Dan Ariely no programa Pessoal e Transmissível da TSF. Vale a pena ouvi-lo. Garanto que não se vão arrepender. A entrevista pode ser obtida aqui.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A batalha pelas exportações

Chamaram-me à atenção para este pequeno post de Paul Krugman que, por sua vez, remete para um outro blogue sobre economia.

A questão explica-se de uma forma simples. Numa Europa de moeda única, a forma (mais imediata) de aumentar a competitividade externa é através da redução dos custos salariais (a outra forma é através do aumento da produtividade, mas essa é mais difícil de atingir...).

Esta tem sido, aliás, a via que muitos países estão a seguir, Portugal incluído.

O problema é que como os maiores parceiros externos das economias europeias são também europeus, o modelo acabará por não funcionar...

E porquê?

Porque uma política de cortes salariais oprime a procura interna que, por sua vez, originará menos importações. E de onde vêm essas importações? De outros países europeus, pois a economia europeia está muito integrada.

E se todos optarem pela mesma coisa (i.e. cortes salariais), o efeito perverso que a diminuição da procura interna terá nas exportações de outros países europeus será multiplicado...

terça-feira, 9 de março de 2010

Europa

Um artigo interessante do jornal inglês Guardian assinado por um assumido eurocéptico.

Pegando na questão actual dos problemas da Grécia, realça as fraquezas do projecto europeu através da ideia (que não é nova) de que o espírito subjacente à sua construção está, pura e simplesmente, a perder lugar na memória colectiva das gerações mais novas e dos actuais líderes europeus. E que memória colectiva é esta? É, por exemplo, a II Guerra Mundial. É, para dar outro exemplo, a melhoria das condições de vida das populações através da implementação de verdadeiros Estados-providência.

Mas enquanto os eurocépticos evidenciam a falta de memória como sintoma inevitável do insucesso europeu, outros, talvez mais pró-europeístas, falam na necessidade de a reviver. Eu prefiro o segundo grupo.
O texto pode ser lido aqui.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Itália

Num livro que ando a ler deparei-me com a reprodução destas frases escritas por um escritor italiano.

It often happens these days that you hear people say they’re ashamed of being Italian. In fact we have good reasons to be ashamed: first and foremost, of not having been able to produce a political class that represents us and, on the contrary, tolerating for thirty years one that does not. On the other hand, we have virtues of which we are unaware, and we do not realize how rare they are in Europe and the world.“

In Reappraisals, de Tony Judt, pp. 48

O escritor é Primo Levi, sobrevivente do Holocausto e autor de Se isto é um homem. Segundo Tony Judt, uma das virtudes a que Primo Levi se estaria a referir seria a relativa despreocupação com que os italianos encaram as diferenças nacionais e étnicas.

Ao ler estas frases, escritas há mais de vinte anos atrás (o escritor suicidou-se em 1987), não pude deixar pensar na Itália actual, em Berlusconi, na divisão que o Primeiro-ministro provoca entre os seus conterrâneos (visível até nas reacções sobre a sua recente agressão em Milão) e em coisas como a recente aprovação de legislação a equiparar a imigração clandestina a crime que, na linha de pensamento de Primo Levi, talvez devessem ser consideradas muito pouco italianas.

Talvez os italianos tenham mudado. Ou será que a incapacidade em criar uma classe política que os represente um argumento válido na Itália dos dias de hoje? Há coisas que são difíceis de mudar...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cork, Irlanda

Há umas semanas atrás, estive uns dias em Cork, a segunda maior cidade da República da Irlanda (tem cerca de 200 mil habitantes).

Apesar de não ter tido muito tempo para ver a cidade, deu para ver que esta é uma cidade onde os efeitos da recessão económica estão bem presentes: lojas a fechar, descontos por todo o lado, restaurantes de luxo com ementas a preços acessíveis, blocos de escritórios vazios.

Não é de espantar. A Irlanda, outrora apelidada de “Tigre Celta”, país apontado como o exemplo a seguir por muitos (Portugal inclusive), país que teve taxas de crescimento reais do seu produto interno bruto na ordem dos dois dígitos, encontra-se actualmente com uma taxa de desemprego na ordem dos 11%, taxas de inflação negativas, previsão de um decrescimento do PIB na ordem dos 9% e reduções salariais no funcionalismo público na ordem dos 10%.

Tal como Portugal, espera-se que a sua economia retome o caminho do crescimento de uma forma consistente apenas em 2011. Enfim, veremos como se comporta a economia mundial e como economias mais ou menos periféricas como a Irlanda e Portugal se vão sair disto tudo.

Entretanto esta “crise” pode ser vista como uma "janela de oportunidade turística” para os portugueses. Com os preços a baixar, com voos directos entre Lisboa e Cork (Air Lingus), por que não trocar (pelo menos em parte) as mais do que batidas férias de sol e praia por algo diferente e dar um pulinho à Irlanda?

Vai uma pint de Murphy?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Notas dispersas sobre Bucareste

Encontrei um restaurante Gambrinus em Bucareste. Não é assim tão extraordinário quanto isso. Parece que Gambrinus é o nome do santo padroeiro da cerveja. Mas ao contrário do restaurante de luxo Lisboeta, o de Bucareste já não funciona...

Encontrei Bucareste assim, com muitas portas fechadas e edifícios por restaurar.

É extraordinária a forma como os cabos de electricidade (ou de telefone?) são tratados nesta cidade. No entanto, milagre dos milagres, parece que tudo funciona. Não encontrei "puxadas". Estes postes, com carradas de fios, encontram-se por toda a cidade. Tirei a fotografia que acima podem ver perto de uma das avenidas principais de Bucareste.

O palácio que alberga o Parlamento. Mandada construir pelo ditador Nicolae Ceauşescu, muita gente em Bucareste não gosta dele. É, muito provavelmente, o edifício mais conhecido da cidade.

" A vida inspira-me", slogan do Millennium, desta feita em romeno. Também encontrei sinal do capitalismo português em Atenas.

Que mais há a dizer? Parques amplos. Famílias a passear nos parques. Mesmo de noite. Segurança. Ciclovias em praticamente toda a cidade e, por estranho que pareça, bicicletas na estrada. Trânsito infernal. Carros estacionados por toda a parte (mesmo em cima das ciclovias; eis a resposta para as bicicletas na estrada?). Preço de uma refeição por metade do que se consegue em Lisboa...

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Luxemburgo

Os momentos menos bons proporcionados pela crise financeira e económica que actualmente vivemos chegam a todo o lado. Até ao Luxemburgo, país com menos de 500 mil residentes (dos quais 13% são portugueses), e com um elevado rendimento per capita. Este país, cuja vida económica assenta na indústria do aço, no funcionalismo europeu público e na indústria financeira já viveu dias com perspectivas mais risonhas.

Na passada terça-feira, o centro da capital do Luxemburgo assistiu, algo incrédula, ao protesto violento de cerca de um milhar de trabalhadores contra a decisão de layoff temporário de mão-de-obra na maior empresa mundial de produção de aço. Quanto à "indústria" financeira, em que o Luxemburgo é um dos mais importantes centros na Europa, estamos conversados. Resta o funcionalismo público europeu para ir aguentando mais as coisas. São os sinais do tempo. Sinais porventura maus para os milhares de emigrantes portugueses que vivem no Luxemburgo e que trabalham essencialmente nos serviços e na construção civil.

São, enfim, ajustamentos na estrutura económica dos países como reacção aos ferimentos da crise. Esperemos que Trichet e outros dirigentes europeus tenha razão quando dizem que há sinais positivos que indiciam um ponto de inflexão e a tão desejada recuperação económica. Sim. Esperemos que as boas-novas estejam de facto aí ao dobrar da esquina e que as recentes declarações não sejam apenas a mera gestão das expectativas.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Bratislava

Uma das coisas que me cativam em Bratislava é a atmosfera pacífica da cidade. Anda-se à vontade, sem problema algum e quase não há sinal da polícia (o que é, na minha opinião, um bom sinal pois se eles não aparecem é porque não são precisos...).

A Eslováquia é um país com cerca de 5 milhões de habitantes e que se separou da República Checa apenas em 1993. Mas já tem o euro desde o início do ano, o que me permitiu ver que, com a excepção dos transportes, as coisas não são muito mais baratas do que em Portugal.

Quado aqui cheguei surpreendeu-me a quantidade de pessoas que assistiam às missas que, um pouco por toda a cidade, são celebradas. Sim, bem sei que, ao contrário da atéia República Checa, os eslovacos são católicos. Mas de qualquer forma surpreendeu-me a quantidade de fiéis que, de uma forma não tão pouco frequente como isso, enchem as igrejas (e estou a falar de fiéis de todas as idades e sexos).

A quem aqui vier aconselho uma deslocação ao castelo de Devín, sobranceiro ao Danúbio, junto à fornteira com a Áustria. Parece mentira, mas a cerca de 30 quilómeros está Viena, uma das cidades europeias mais conhecidas no mundo. Aliás, nunca deixo de me surpreender com a minha falta de conhecimento geográfico da Europa. Lembro-me uma vez quando, de viagem de autocarro para a Suécia, me apercebi que Copenhaga estava localizada numa ilha... Big deal, dirão as pessoas que têm pachorra para ler este post. Bem, para mim foi uma pequna surpresa.

Estou seguro, de qualquer forma, de que este tipo de desconhecimento (geográfico) não deve ser uma exclusividade minha. Não acho que deva ter sido o único a ter tido este tipo de pequenas "revelações" de viagem. O problema é se por detrás destes "desconhecimentos" (geográficos) se escondam também a falta de conhecimento e de interesse sobre as diferentes culturas e formas de pensar dos muitos povos deste mosaico cultural a que se vulgarizou chamar Europa... Enfim, hajam EU, programas Erasmus e eleições europeias em abundância para que estas coisas relacionadas com o desconhecimento do "outro europeu" se tornem mesmo uma raridade...

Uma outra dica a quem aqui vier: há internet wireless de borla no largo da câmara municipal, local fácil de identificar por causa das inúmeras pessoas com portátil e onde me encontro agora.