quarta-feira, 5 de maio de 2010
Outra notícia da TSF
Desta feita é a Moddys que diz que o rating pode descer daqui a três meses. As justificações? Bem, segundo a notícia da TSF, que pode ser lida aqui, é devido à "recente deterioração das finanças públicas portuguesas" e, last but not the least, por causa "do desafio a longo prazo que a economia nacional enfrenta".
Nada mais óbvio e objectivo, diria eu!
Sim, porque como todos nós sabemos, ontem as finanças públicas estavam assim-assim e agora, vá-se lá saber porquê, estão mais deterioradas! E também como todos os mortais sabem, o desafio a longo prazo de Portugal, que a Moddy sabe muito bem qual é (mas eu não, infelizmente), foi descoberto mesmo agora.
Estas justificações são um verdadeiro espectáculo. E já agora, por que não usar o rating do futebol português nestas apreciações? É um critério tão válido como o desafio a longo prazo que a economia portuguesa enfrenta. Ou não?
quarta-feira, 17 de março de 2010
O aumento do IVA em Espanha
Esta medida parece que não será seguida em Portugal, dado que o imposto está por cá a níveis bem mais altos, deixando pouco espaço de manobra. Em Espanha, a medida está a provocar polémica, pois alguns membros com certa responsabilidade no Partido Popular estão a chamar à “desobediência”, à revolta dos cidadãos contra o novo imposto, até ao não pagamento. Esta atitude é, na minha opinião, vergonhosa e altamente irresponsável para um partido que pretende ser alternativa de poder democrático num estado membro da UE (pode que numa república das bananas, este tipo de estratégia política de oposição possa dar bons resultados, mas em países sérios não deverá ir longe). Aliás, Espanha é um dos países da UE com o IVA mais baixo, e um dos que menos arrecada por este imposto.
Insisto, é breve e vale mesmo a pena ler até o fim, pois acaba com certo “suspense”…
sábado, 13 de março de 2010
Dois apontamentos interessantes
Chama-se "Salvar o euro" e apresenta uma solução para o problema que é referido no meu anterior post. Para o economista, a solução passa por mais coordenação das políticas económicas na Europa (algo que não existiu até aqui) e na assumpção de que países de economia forte, como a Alemanha, aceitem mais inflação... Uma solução talvez não muito crível, mas sempre é uma ideia de solução. O artigo pode ser lido aqui.
O outro apontamento que gostava de deixar aqui já tem algum tempo. Trata-se da entrevista do investigador de economia comportamental Dan Ariely no programa Pessoal e Transmissível da TSF. Vale a pena ouvi-lo. Garanto que não se vão arrepender. A entrevista pode ser obtida aqui.
sexta-feira, 12 de março de 2010
A batalha pelas exportações
A questão explica-se de uma forma simples. Numa Europa de moeda única, a forma (mais imediata) de aumentar a competitividade externa é através da redução dos custos salariais (a outra forma é através do aumento da produtividade, mas essa é mais difícil de atingir...).
Esta tem sido, aliás, a via que muitos países estão a seguir, Portugal incluído.
O problema é que como os maiores parceiros externos das economias europeias são também europeus, o modelo acabará por não funcionar...
E porquê?
Porque uma política de cortes salariais oprime a procura interna que, por sua vez, originará menos importações. E de onde vêm essas importações? De outros países europeus, pois a economia europeia está muito integrada.
E se todos optarem pela mesma coisa (i.e. cortes salariais), o efeito perverso que a diminuição da procura interna terá nas exportações de outros países europeus será multiplicado...
sexta-feira, 5 de março de 2010
Medidas de austeridade na Grécia
Segundo esta notícia, a Grécia vai adoptar um conjunto de medidas que incluem, entre outras, o congelamento de reformas, a subida da taxa do IVA e cortes de 30% e 60% no 13º e 14º meses de vencimento, respectivamente.Alguém que tem uma memória mais longa do que a minha lembrou-me que os portugueses já sentiram na pele este tipo de medidas draconianas. Foi na década de oitenta, com Mário Soares a primeiro-ministro e o FMI a passar a receita para o reajustamento da economia após os excessos da Revolução de Abril. Nessa altura não foi um corte de 90% (30%+60%) mas a supressão total de um dos salários suplementares dos trabalhadores que foi implementado.
É bom ter a memória longa. Lembra-nos que os benefícios que muitos hoje em dia consideram como perfeitamente adquiridos no mundo laboral podem não ser, bem vistas as coisas, assim tão seguros como isso.
Por um lado esta consciência legitima e valoriza as greves e todas as manifestações feitas por quem luta pela sua manutenção. Mas por outro também nos faz lembrar que situações podem haver em que é mesmo necessário deixar de lado interesses sectoriais, corporativos e fazer sacrifícios por um objectivo comum. O problema nestas situações é mesmo esse; o de como fazer com que todos partilhem um objectivo comum. Até porque quantos mais houverem sem escapatória para partilhar o aperto do cinto, maior será o incentivo individual malandro para furar a fila dos enjeitados…
quarta-feira, 3 de março de 2010
Vítor Constâncio no BCE

Dado que o nosso blogue está ultimamente bastante chato e muito pouco saboroso (as estatísticas são interessante até certo ponto), cá venho eu propor um inquérito entre os nosso habituais sobre as perspectivas da partida de Vítor Constâncio para uma das vice-presidências do BCE. Leiam e escolham uma opção, ou comentem livremente (como é habitual), sff.
Acho que a partida de Vítor Constâncio ao BCE é:
1) Boa para o BCE e para a UE em geral, porque é uma pessoa competente que vai solucionar os problemas todos da política monetária da União
2) Boa para os alemães, porque arranjaram mais uma marioneta inofensiva e feliz (felicidade esta causada pelo belíssimo ordenado) e a coisa vai ficar na mesma
3) Má para o país, pois é mais um sinal da constante fuga de “crânios” nacionais para a emigração, forçada pela situação económica
4) Boa para o país, pois por lá o gajo não nos vai fazer muito mal, e até pode haver uma remota probabilidade de que seja nomeada uma pessoa relativamente competente para o BdP
5) Má para a UE, pois juntaram aos já habituais do BCE mais um que não percebe patavina do que está a fazer, e agora é que vão ser elas
6) Má para a humanidade em geral, pois esta nomeação é o nonagésimo nono sinal do fim do mundo (o centésimo é que vai ser a valer: Passos Coelho primeiro ministro)
7) Não sei, não tenho opinião, sou ateu
8) Outra, nenhuma das anteriores (escreve-la com rigor e seriedade)
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Declaração sobre a Grécia
Acaba de ser divulgada uma declaração do Fundo Monetário Internacional sobre a Grécia e a sua economia. pode ser lida aqui e diz o seguinte:Sobre a crise em Espanha
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
É tão refrescante ouvir, nem que seja uma vez por outra, bons argumentos...
Afinal de contas, por que razão é que a Madeira deve ter reforço de transferências do que, por exemplo, a zonas do interior do país?
Um aperitivo para amanhã, dia de Conselho de Estado...
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Debate fracturante, política constante?
Não sei, talvez exista por aí alguém que se consiga comover mais com a dureza de alguns números que estão à vista no artigo do que com muitos dos temas que fazem parte da agenda política deste país.
Greg Mankiw's Blog
O blog de Mankiw declara de maneira evidente os objectivos do mesmo no seu nome: “Greg Mankiw’s Blog: Random Observations for Students of Economics”. Trata-se de comentários próprios ou links a artigos e publicações dos mais diversos assuntos na área da economia. Merece a pena passar umas horas a estuda-lo com atenção, aqui.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Samuelson
Como milhares de estudantes em todo o mundo, um dos meus primeiros contactos com a ciência económica foi feito através do estudo do seu livro Economia.
Na década de 1940, Samuelson perguntou por que razão a matemática e a sua linguagem não eram utilizadas como instrumentos de trabalho pela economia. E fê-lo com tal sucesso que acabou por influenciar decisivamente a sua forma de ensino e o seu desenvolvimento como ciência social. É certo que outros também contribuíram para este "programa de estudo" (como, por exemplo, o seu cunhado Kenneth Arrow), mas Samuelson foi um pioneiro.
Hoje em dia uma das críticas que ouvimos sobre este assunto é a de que os economistas ensinados no programa de estudo "Samuelsiano" são capazes de produzir belas teorias apoiadas por uma matemática irreprensível que, na prática, têm pouco a ver com a vida real.
Talvez. Mas Samuelson nunca disse que a matemática era a cura de todos os males. Nem tão-pouco é culpado por existirem economistas que privilegiam a beleza matemática em detrimento da explicação do que se passa à sua volta.
Mais informações sobre a vida e a obra de Samuelson podem ser obtidas aqui, no site do comité Nobel.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Aviso: os "fundamentals" estão de novo aí
O texto com a declaração final da missão do FMI a Portugal serviu de notícia de primeira página aos jornais i e Público de hoje. Mais espalhafatoso e popular o primeiro do que o segundo, ambos mostram a sintonia no tipo de avisos que têm sido feitos na comunicação social sobre o caminho a trilhar em relação à política fiscal, salarial e monetária em Portugal.
E qual é o caminho? Bem é o do costume. Cortes nos benefícios sociais, controle férreo das despesas públicas (como as que são feitas na saúde) e moderação salarial (com especial referência aos funcionários públicos). Mais. Não é esquecido o plano de acordado para o aumento do salário mínimo que, de acordo com o texto, deverá ser repensado por estar fora do contexto dos fundamentos económicos actuais. Só depois é que o FMI fala em aumentos de impostos (mas, como é óbvio, não os exclui).
O FMI, no âmbito do artigo IV dos seus Articles of Agreement, realiza este tipo de missões numa base que é, normalmente, a anual. Nestas consultas, o FMI realiza reuniões com responsáveis pela política económica que, no caso português são essencialmente o Ministério das Finanças e o Banco de Portugal. O texto do FMI é datado de 29 de Novembro. O Banco de Portugal e o FMI são duas instituições que lêem o mundo através da mesma cartilha. O jornal i diz “Depois do Banco de Portugal, é a vez do FMI ” fazer avisos. Enfim, haverá alguma novidade nisto tudo?
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Aprender com o humor: alguns recursos para economistas e não economistas
Muitos conhecem a expressão dismal science que, na língua inglesa, é usada como sinónimo da disciplina de Economia.O que talvez nem toda a gente saiba é que mesmo nesta área do saber, apelidada de tristonha, depressiva e lúgubre, existem artigos, alguns deles publicados em reputados jornais da especialidade, que mostram que os economistas, mesmo os muito famosos, não são seres completamente falhos de humor.
Se não acreditam leiam, por exemplo, o The conference Handbook, de G J. Stigler que, em duas páginas e meia do Journal of Political Economy, apresenta uma proposta para catalogar os comentários e as opiniões dos colegas de profissão em conferências e seminários.
Se acham que o artigo de Stigler é uma excepção entre laureados Nobel, então procurem The Theory of Interstelar Trade de Paul Krugman e The Effect of Prayer on God's Attitude Toward Mankind de James J. Heckman.
Mas mais exemplos existem.
Dos clássicos The Economics of Brushing Teeth (1974) e A First Lesson in Econometrics (1970), passando pelo Up or Down? A Male Economist’s Manifesto on the Toilet Seat Etiquette até ao mais contemporâneo e divertido Japan’s Phillips Curve Looks Like Japan, alguma coisa existe por aí que prova que os economistas poderão ser Criaturas que, bem vistas as coisas, conseguem brincar com a sua própria profissão.
Chegados a este ponto o leitor, especialmente aquele com pouca paciência para ler artigos em jornais da especialidade, provavelmente estará a pensar: Obrigado pelas referências que se incluem na categoria de… HUMOR de CROMO!
Pois bem, é uma opinião. Respeitemo-la e tentemos contra-argumentar.
Se só há humor de Cromo, então o que dizer do site da JokEc, parte integrante do seríssimo grupo de recursos para economistas NetEc?
Nela encontramos um acervo de piadas sobre economistas e a sua profissão. Tudo coisa para ser lida e apreendida rapidamente, num piscar de olhos. Anedotas e piadas quanto baste, escritas em poucas palavras, parcas em parágrafos e, por vezes, cheias de humor.
Desenganem-se todos aqueles que, ao ler estas linhas, pensem que não tenho mais nada para dizer. Pois bem, reservei quase para o fim o que penso ser, na minha modesta maneira de ver, ainda mais desconhecido para o comum dos mortais. E o que é?
A profissão de Stand-up Economist.
Há pelo menos um, a julgar pelo site de Yoram Bauman, Ph.d. como gosta de frisar. Local com informação vária, incluindo a referência a uma sua recente publicação chamada The Cartoon Introduction to Economics: Volume 1, Microeconomics.
Vão ao site, caso não acreditem que haja mercado para este tipo de profissão. Há vários videos dele no YouTube, sendo o mais conhecido aquele em que troca por miúdos os 10 princípios da economia enunciados num livro do economista Gregory Mankiw. Vão por mim, vale a pena ver.
Num registo um pouco diferente, e para quem estiver interessado, resta-me também fazer referência ao site dos prémios Ig Nobel. Este galardão, que começou por ser uma grande brincadeira, é presentemente feito de uma forma muito profissional e “séria”, sendo uma das rubricas em disputa aquela que é atribuída à ciência Económica.
Nunca ouviram falar? Bem, é ir ao site e ver, por exemplo, que o prémio de 2008 foi atribuído a três investigadores por terem descoberto, e passo a citar, that professional lap dancers earn higher tips when they are ovulating. O que dizer disto? Bem, talvez nada. É espreitar o site e para quem gosta... investigar.
Resta-me dizer que mais recursos sobre cartoons, anedotas e piadas sobre a economia e economistas podem ser obtidos, por exemplo, aqui.
Divirtam-se. Até porque a rir também se consegue aprender alguma coisa de Economia.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Economic Outlook (OCDE)
Para além de Portugal, é possível também aceder a informação para mais países (as previsões vão até 2011). Em relação à última vez que esta instituição fez um exercício semelhante, e em relação a Portugal, há uma revisão em alta para a evolução do PIB nos próximos anos (-2,8% e 0,8% para 2009 e 2010, respectivamente) e para a taxa de desemprego (9,2% e 10,1% em 2009 e 2010, respectivamente).
O espaço denominado “Últimas previsões económicas para Portugal", que pode ser visto na barra lateral direita deste blogue, vai ser actualizada de acordo com esta nova informação.
Para quem estiver interessado em consultar outras previsões basta clicar na palavra “previsões” que se encontra disponível na secção das etiquetas, abaixo do corpo deste post.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Um verdadeiro iconoclasta
...Sendo o PSD o partido à direita, esperaríamos que o crescimento do Estado fosse mais moderado quando está no poder. Mas os dados revelam uma realidade surpreendente. Quando o PSD está no poder, o monstro cresce em média 0,35% ao ano, enquanto quando é o PS no poder a despesa cresce appenas 0,25% por ano...
Estas frases fazem parte de um ensaio do economista Ricardo Reis sobre o consumo público desde 1985, publicado pelo jornal i de ontem. Surpreendente não?
É de saudar a iniciativa do jornal i. Pela lufada de ar fresco que este ensaio trás à discussão relacionada com o "monstro" da despesa pública. E pela evidência empírica retrospectiva que aponta para uma contradição entre a ideologia e a actuação dos partidos de direita em Portugal. Um exemplo: o pico do consumo público em percentagem do PIB surgiu com Durão Barroso/Pedro Santana Lopes e CDS no poder...
Sugiro a todos a leitura deste trabalho.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Quem tem medo da inflação? (II)
...The Governing Council has decided in principle that the Eurosystem will purchase euro-denominated covered bonds issued in the euro area. The detailed modalities will be announced after the Governing Council meeting of 4 June 2009.... (o texto integral pode ser lido aqui)
Uma decisão inédita na história do BCE. Apesar do "in principle"... Saúda-se a decisão, pois é um sinal de que lá para os lados de Frankfurt não são assim tão insensíveis à conjuntura económica como isso.
Afinal de contas o BCE não tem tanto medo da inflação. Pelo menos não tanta como a do Bundesbank!
Quem tem medo da inflação?
Ficamos à espera de mais pormenores na conferência desta tarde do Governador do Banco Central Europeu. Talvez confirme que este valor será provavelmente o limite máximo a que a ortodoxia alemã - omnipresente na altura de o BCE tomar decisões - permite ir.
Entretanto soube-se que o Banco Central da Inglaterra (BOE) manteve a sua taxa central nos 0,5%. O BOE vai, no entanto, incrementar a compra de obrigações com o intuito de ceder mais liquidez à economia. Quase que aposto que o BCE não vai utilizar este intrumento e se vai ficar, uma vez mais, na descida da taxa de referência. Porquê? Por causa do medo do papão da inflação... Quem tem medo da inflação? O Bundesbank tem!
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Previsões da Primavera da Comissão Europeia
As previsões e o texto integral do documento elaborado pela DG ECFIN podem ser vistos aqui. Assim que tiver tempo actualizo a barra lateral direita do blogue.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Novas previsões do FMI (II)
Mas os resultados para 2009 também não são famosos: 9,6%. Tinha razão o Engenheiro Sócrates em dizer ontem que a prioridade do Governo é o combate ao desemprego...
Também há a destacar a previsão para 2009 da taxa de variação do PIB (-4,1%), pior do que as últimas previsões do Banco de Portugal (para poder vê-las, basta olhar para a barra lateral direita deste blogue, no espaço destinado às previsões económicas).
Retoma só lá para 2011... E já agora, deixem-me referir que as taxas de variação do PIB da Alemanha (-5,6%) e da Espanha (-3,0%) não são boas notícias para a nossa economia... Para a inflação o FMI prevê 0,3%, um valor acima dos -0,2% do Banco de Portugal.
Assim que puder actualizo a barra lateral direita do blogue com estas previsões.