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terça-feira, 9 de março de 2010

Europa

Um artigo interessante do jornal inglês Guardian assinado por um assumido eurocéptico.

Pegando na questão actual dos problemas da Grécia, realça as fraquezas do projecto europeu através da ideia (que não é nova) de que o espírito subjacente à sua construção está, pura e simplesmente, a perder lugar na memória colectiva das gerações mais novas e dos actuais líderes europeus. E que memória colectiva é esta? É, por exemplo, a II Guerra Mundial. É, para dar outro exemplo, a melhoria das condições de vida das populações através da implementação de verdadeiros Estados-providência.

Mas enquanto os eurocépticos evidenciam a falta de memória como sintoma inevitável do insucesso europeu, outros, talvez mais pró-europeístas, falam na necessidade de a reviver. Eu prefiro o segundo grupo.
O texto pode ser lido aqui.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Petição Todos Pela Liberdade

De acordo com esta notícia, a petição on-line chamada "Todos pela liberdade" exigindo explicações e mais clareza ao Primeiro-ministro já vai em 4.000 assinaturas. O que quer dizer que deverá ser discutida na Assembleia da República.

Quem a quiser assinar basta aceder aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

É tão refrescante ouvir, nem que seja uma vez por outra, bons argumentos...

Vítor Bento afirmou hoje que não percebe tanta polémica em volta do reforço das transferências para a Madeira, uma região que, dizem as estatísticas (afinal de contas para que elas servem?), é uma das mais ricas do país. E que estava na altura de a Madeira contribuir para o Continente.

Afinal de contas, por que razão é que a Madeira deve ter reforço de transferências do que, por exemplo, a zonas do interior do país?

Um aperitivo para amanhã, dia de Conselho de Estado...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O "Grã" Santana

Tal como é anunciado aqui, no site da Presidência da República Portuguesa, no próximo dia 19, Pedro de Santana Lopes - é simplesmente vergonhoso como os media obliteraram, ao longo destes anos todos, o de em Santana Lopes -, vai ser condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.

Uma antiga ordem militar, dada a quem especialmente se destacou ao serviço do País no desempenho de funções em órgãos de soberania ou cargos na Administração Pública…

Mais explicações para quê?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Dois textos

Já aqui falei de Tony Judt a propósito de um livro que estou a ler. Mas como um dos últimos posts do colega de blogue Rightwing fala em social-democracia, pensei que valia a pena refererir um dos seus últimos textos escritos para a revista New York Review of Books.

Intitula-se What Is Living and What Is Dead in Social Democracy? e, mesmo que não se concorde com o que o autor defende, penso que vale a pena lê-lo. Nem que seja pela contextualização histórica que o autor faz da social-democracia e das ideias que a combatem.

E porque estou a falar deste autor, gostava ainda de fazer uma pequena referência a Night, o seu último artigo publicado nesta revista.

E por que é que o estou a citar aqui? Porque é um texto invulgar. Nele, a doença neurodegenerativa progressiva que Tony Judt sofre é abordada através da descrição das noites que passa.

Impressiona este registo autobiográfico.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Debate fracturante, política constante?

Nas vésperas de mais um intenso e "fracturante" debate político na Assembleia da República, talvez valha a pena olhar para este pequeno artigo de opinião publicado em Dezembro pelo economista Ricardo Reis no jornal i.

Não sei, talvez exista por aí alguém que se consiga comover mais com a dureza de alguns números que estão à vista no artigo do que com muitos dos temas que fazem parte da agenda política deste país.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Isto cada vez está mais bonito...

Notícia da TSF online sobre os trabalhos de uma Comissão Parlamentar. O título dela é "Maria José Nogueira Pinto chama «palhaço» a deputado socialista".

Cornichos, asneiras e adjectivos circenses.

É caso para dizer que o nível do debate político na Assembleia chegou, sem sombra de qualquer dúvida, a um nível intelectual muito elevado.

Haja esperança nos deputados da nação!

A notícia pode ser lida aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Publicidade enganosa

Circunstâncias várias fizeram com que eu percorresse algumas localidades do sul ao centro do país num único fim-de-semana. Antes destas deslocações, já tinha reparado que muitos dos outdoors e publicidade política colocada em Lisboa por causa das eleições europeias ainda não tinha sido retirada. O que não sabia era que este parece ser um facto consumado por todo o país.

Não que eu não goste de outdoors. Não. Como consumidor, gosto que que me apresentem bons produtos. Gosto de teasers inteligentes e aprecio, como qualquer mortal, as boas campanhas de publicidade.

O que já não gosto tanto é de ver publicidade com produtos que já não estão à venda. Coisas anacrónicas, com outdoors desbotados pelo sol. Não, para mim, isso é poluição visual, publicidade enganosa.

É o que se passa com os outdoors com deputados e frases referentes às eleições europeias que ainda se vêem por este país fora. Não deveriam ter sido retirados logo após as eleições? Pensava que existia uma lei qualquer que obriga os partidos a retirarem todos os cartazes após as eleições... Se calhar estou enganado. Afinal de contas este ano vamos ter uma orgia de eleições. E pelos vistos de cartazes e de publicidade política também!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Chifres


Reconheço que o assunto já enjoa, mas os caros colegas do blogue devem confessar uma coisa: tem muita piada!!!

Eu, como espanhol, ainda não cheguei a perceber: é mesmo assim tão grave o gesto do “obviamente demitido” (Publico dixit) ex-ministro Pinho? Atenção, não estou a argumentar (nem a favor nem contra) com estilo mistura entre sarcasmo barato e intelectualismo de saldo (o meu “blend” mais habitual). Como estrangeiro, pergunto às V. Exas. se é assim uma ofensa tão grave fazer o gesto.

OK, a educação e boas maneiras com que se devem conduzir os representantes do Povo na Assembleia exigem total correcção. Mas realmente, deve ter sido coisa muito dura, para demitir um ministro!!! Deveriam ver vocês o que se chamam normalmente nas Cortes espanholas…

Insisto: quero uma explicação sobre o significado. Já pedi à minha mulher (portuguesa), e ela só acertou a dizer: “bom, não é coisa que se faça”. Mas eu insisti sobre o significado, e ela não conseguiu concretizar. Trago agora a pergunta junto deste distinto foro. E para ajudar na resposta, trago também uma série de resposta possíveis: qual dos significados seguintes acham vocês que é o mais certo?

MAIS SIMPÁTICOS:
1) A V. Exa. tem o cabelo um pouco desarrumado, saem assim uns cornichos de lado veja lá se lhe passa um peite;
2) Meu caro amigo, quer vir comigo a Barrancos? Também há coisas boas na programação do Campo Pequeno…
3) Olha, queres ir almoçar? Vou à tasca do Zé comer rabo de boi estufado. Até vais lamber o prato!!!
4) Ontem bati com o carro oficial numa vaca na A2, caminho de Aljustrel, tinha uns chifres deste tamanho!!! Partiu-me o frontal todo!!!

MENOS SIMPÁTICOS:
1) Todos os comunas têm chifres e cauda, seu bolchevique da treta!!!
2) Até os caracóis pensam mais rápido do que tu, pá!!!
3) Não percebes nada, és um ganda boi, meu!!!
4) És burro, BURRO!!! Como é que vais perceber isto se nem percebes que a tua mulher anda a…

Ficam desafiados. Caso se lembrem de algum outro significado, agradeço sugestões.

P.S: Agradeço também que deixem ficar de fora das vossas ilustres respostas leitura políticas inteligentes (ou também das outras). É 2ª feira, pelo amor de Deus!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Loureiro

...Os cargos têm uma dignidade e a importância dessa dignidade deve sobrelevar qualquer outro valor..., independentemente do juízo que faço da inocência do doutor Dias Loureiro, que respeito... O que está em causa não é a pessoa, mas a dignidade do cargo...

Declarações de João Lobo Antunes, conselheiro de Estado, transcritas no site da TSF, sobre a continuidade de Dias Loureiro como conselheiro de Estado.

É preciso dizer mais?

terça-feira, 19 de maio de 2009

Não invocarás o nome do senhor teu Deus em vão...

Foram duas notícias quase consecutivas. Primeiro tivemos o primo do nosso Primeiro-ministro a dizer de viva voz (e em directo da terra dos Shaolins), que utilizou o nome de José Sócrates sem ele o saber. Se o fez, foi apenas com o intuito de fazer um pressing comercial. Está, como é óbvio, muito arrependido.

Há dias, foi a vez de Lopes da Mota, presidente do Eurojust (que a grande maioria dos portugueses, até há algum tempo atrás, nem sequer sonhava que existia), a dizer que de facto utilizou os nomes do Ministro da Justiça e, uma vez mais, o do nosso Primeiro nas conversas que teve com os magistrados do Ministério Público sobre o caso Freeport.

Enfim, o que é que se pode dizer sobre isto? Nada, como sempre. Isto quer dizer nada. Pode deduzir-se nada. Prova nada. A mim lembra-me é o que me ensinaram em miúdo e que dizia qualquer coisa parecida ao que está escrito no título deste post...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Política espectáculo

Eis que a distrital algarvia do PSD confirmou hoje Gonçalo Amaral para candidato à câmara de Olhão. É mais um capítulo da política do que quer "fazer alguma coisa" de que falo aqui.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Fantochada

Opinião de Medina Carreira no programa da SIC "Nós por cá" sobre o Magalhães e o estado da política em geral. Podemos não concordar com a opinião deste economista mas penso que, de qualquer forma, o que diz tem a vantagem de não ser politicamente correcto e de nos fazer pensar um pouco sobre o que se passa à nossa volta (a entrevista pode ser visionada aqui).

Fazer alguma coisa

Como é público, o actor João de Carvalho, filho do actor Ruy de Carvalho, vai ser o próximo candidato do PSD à câmara de Vila Franca de Xira. Há cerca de um mês atrás, quando questionado por que motivo se mostrava disponível para as próximas eleições autárquicas, João de Carvalho justificou-se com o “desejo de fazer alguma coisa” (ver notícia aqui).

A promoção de figuras públicas a candidatos deste ou daquele cargo político não é uma novidade em Portugal. Basta lembrarmo-nos da deputada Manuela Moura Guedes e do vereador Nicolau Breyner.

Recentemente, para além de João de Carvalho, Laurinda Alves é candidata pelo MEP às eleições europeias e, muito recentemente, até o ex-inspector da Polícia Judiciária Gonçalo Amaral foi noticiado como possível candidato a uma câmara municipal algarvia.

Desconheço se João de Carvalho, Gonçalo Amaral ou Laurinda Alves terão alguma vez tido alguma experiência política relevante. Ou se terão, caso forem eleitos, as capacidades para gerir a coisa pública. Até pode ser que sejam, quem sabe e Deus queira que sim (e nós sabemos que Deus é grande!).

O que posso dizer é que, apesar de tudo, esta forma de fazer política não me seduz. É que me cheira à política do invólucro. Do embrulho. Do tiro de pólvora seca. É a política do parecer ser, do nome pelo nome, da importância do apelido. Uma política ausente de quaisquer valores que não sejam o da caça ao voto. O dos caciques locais. O mundo da política que tem o desejo de fazer qualquer coisa...

Qualquer coisa!? E ninguém pergunta o quê, como, com que recursos e com que provas dadas? Talvez ainda não seja a altura apropriada para estas perguntas. Espero é que os votantes de Vila Franca de Xira e de todos os lugares onde se apresentem "candidatos-figuras-públicas" não se esqueçam de as fazer no momento de votarem.