sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A ciência não é só feita de cálculos

Foi a partir do blogue de Pedro Lains que tomei conhecimento da página web da economista Deirdre McCloskey. Nela, há um artigo engraçado, com o título Science is judgment, not only calculation, de que retirei a seguinte citação:

...There is no discipline-independent criterion for importance, calculable from the numbers alone. Scientific judgment is scientific judgment, a human matter of the community of scientists. As vital as the statistical calculations are as an input into the judgment, the judgment cannot be made entirely by the statistical machinery...


Bem verdade. Talvez uma coisa que os economistas e políticos deveriam obrigatoriamente assumir explicitamente sempre que falassem em assuntos como, por exemplo, decisões tomadas através de estudos de análise de custo-benefício.

A avó do futuro

(recebido por e-mail)

Dom Bosco


Amanhã sábado 31 de Janeiro comemora-se a morte de um homem chave no processo de “socialização” da igreja católica durante a época da revolução industrial na Europa. Trata-se de São João Bosco, mais conhecido por Dom Bosco, fundador dos Salesianos. Precisamente este ano de 2009 será celebrado o 150 aniversário da fundação dos Salesianos (a 18 de Dezembro), ordem religiosa que levou os ideais de educação social e religiosa de Dom Bosco pelo mundo.

Sendo muito grande a importância de Dom Bosco no contexto puramente religioso (foi intitulado como o “apóstolo dos jovens”), a sua importância num contexto histórico e social mais abrangente não pode ser de maneira nenhuma menosprezada. Dom Bosco apresentou e levou à prática um novo conceito de educação para os jovens, especialmente dirigida para aqueles pertencentes às camadas mais desfavorecidas da sociedade, e tudo isto num contexto social, político e económico conturbado, o do “Resorgimento” da Itália de finais do século XIX.

Dom Bosco nasceu em 1815 no norte de Itália, numa família pobre, na qual a sua mãe era a figura central (Dom Bosco ficou órfão de pai com apenas 2 anos de idade). Inserido num contexto familiar e social de constantes dificuldades económicas, começa a estudar aos nove anos e aos vinte ingressa no Seminário, sendo ordenado sacerdote em 1841. Nesse mesmo ano transfere-se para Turim, aonde as desigualdades sociais são especialmente sentidas pelas crianças e jovens das classes baixas da sociedade. A sua obra começa a tomar forma, e em Dezembro de 1841 Dom Bosco funda o seu primeiro Oratório para jovens, aonde põe em prática o seu ideal de “sistema preventivo” de educação (focado na formação profissional dos jovens) em contraposição com o “sistema repressivo” existente. O seu sistema teve um impacte muito importante na sua época, e é qualificado como uma das experiências mais visionárias e destacáveis da educação contemporânea. No momento da sua morte, a 31 de Janeiro de 1888, os Salesianos contavam com 768 membros, em 26 casas fundadas nas Américas e 38 na Europa.

O envolvimento social dos Salesianos e de Dom Bosco teve consequências importantes dentro da igreja católica do seu tempo. A acção social católica começou a cobrar uma importância crescente, tendo provocando uma reacção negativa por parte dos sectores religiosos mais conservadores. Aliás, os objectivos de Dom Bosco transcendem uma contextualização puramente religiosa, pelo que a repercussão sociopolítica no seu tempo foi muito importante. Também no campo político os aliados de Dom Bosco são importantes, bem como os seus inimigos. Entre os aliados contam-se figuras da aristocracia italiana da época (alguns deles financiadores da sua obra) e políticos proeminentes (tais como Cavour e Ratazzi, anticlerical furibundo, que terá dito que Dom Bosco era o “milagre do nosso século”).

A figura de Dom Bosco transcende claramente o âmbito da religião, para ganhar uma enorme dimensão social. Aliás, dentro do seu ideário, estas duas dimensões nunca poderiam estar desvinculadas.

Dom Bosco é o santo padroeiro do cinema, sendo a entrega dos Prémios Goya do cinema espanhol celebrada anualmente a 31 de Janeiro. Dom Bosco é também considerado em Espanha como o padroeiro dos mágicos, pois os truques de magia eram um dos seus métodos preferidos para cativar e entreter.

Hoje, como testemunho da importância da sua obra, existem 2.086 casas salesianas em 128 países, com mais de 16.600 membros da sua congregação a desenvolver o seu trabalho nelas, para além de alunos, ex-alunos, membros dos centros juvenis e benfeitores.

Para saber mais:
http://es.wikipedia.org/wiki/Don_Bosco
http://www.sdb.org/SDBWEB/index.asp
http://www.salesianos.pt/
http://www.donbosco.es/

Alargamento da união europeia à Islândia?

Parece que existem perspectivas para a Islândia vir a poder a aderir à União Europeia em 2011. O comissário para o alargamento disse que, e cito o que está escrito aqui, a Islândia “é uma das mais antigas democracias do mundo e a sua posição estratégica e económica faria dela um forte activo para a UE”.

Só se for um activo no futuro, lá para 2011, porque agora parece-me que a Islândia é mais a modos que um passivo.

Quando bateremos no fundo?

A versão on-line do público divulga, na sua página principal, que a “Inflação na Zona Euro baixa para 1,1 por cento em Janeiro”. Trata-se da estimativa rápida do Eurostat que, diga-se em abono da verdade, costuma ser bastante certeira.

De qualquer forma, os dados oficiais de Janeiro só vão ser publicados a 27 de Fevereiro, tal como pode ser visto aqui, na press release que o Eurostat divulgou hoje sobre este assunto.

O fantasma da deflação futura parece não querer dar sinais de largar, pelo menos até agora, a Europa e a vida dos europeus.

Mas o Eurostat também divulgou hoje outros números. Desta feita sobre o desemprego. Na zona Euro, em Dezembro, o desemprego atingiu os 8% (7,9% em Portugal). Este organismo divulga dados corrigidos de efeitos sazonais que podem, desta forma, dar uma indicação da evolução ou tendência deste fenómeno socialmente preocupante que dá pelo nome de desemprego. Um ano atrás, em Dezembro de 2007, o desemprego situava-se nos 7,2% e não nos 8%. Os dados podem ser vistos aqui.

O que dizer da amálgama de números e de indicadores económicos que nos chegam numa cadência quase diária? Dizem-nos que estamos em queda. Infelizmente, só não nos dizem é quando é que bateremos no fundo....

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

World Economic Outlook Update

Tal como noticiado no jornal Público, o Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de fazer uma actualização das suas últimas previsões económicas. Só este facto - o da actualização - é importante.

O FMI costuma fazer dois exercícios destes num ano. A última "normal" foi feita em Outubro de 2008. Mas a conjuntura internacional como que "obrigou" a que se fizesse uma actualização em Novembro de 2008 e outra agora em Janeiro de 2009.

E o que diz o FMI? Revê, uma vez mais, as perspectivas de crescimento do produto mundial em baixa (uns míseros 0,5%) e diz que as economias desenvolvidas estão a sofrer a maior recessão desde o fim da 2ª Guerra Mundial.

Estas revisões intercalares apresentam valores apenas para países ou blocos regionais seleccionados. Desta forma não é possível ver novas previsões específicas para Portugal. De qualquer forma é possível ver dados sobre os nossos parceiros comerciais mais importantes (como, por exemplo, a Espanha). E as coisas não estão nada famosas. Mais informações podem ser obtidas aqui, no site do FMI.

Se entretanto não houver mais uma “necessidade” em rever as previsões entretanto feitas, teremos um novo exercício em Abril de 2009. Desta vez com valores e previsões para Portugal.

Estado, Religiões e Democracia por Obama

Talvez seja, infelizmente, um discurso muito moderno para muitas pessoas. Mas vale a pena ouvir o que Obama pensa sobre a relação entre o Estado, as Igrejas e a Democracia.

discurso recebido por e-mail)

Hillary Rodham

José Saramago, de vez em quando, acorda do seu exílio dourado em Lanzarote (coisas que o capitalismo propicia) e dispara umas “ideias”. Num canto da página 11 do jornal Público, Saramago exorta Hillary Clinton a deixar cair o apelido do marido. E estende este grito de emancipação a todas as mulheres que considerem que “(…) levar o apelido do marido foi e continua a ser uma forma mais, e não menos importante, de diminuição da identidade pessoal e de acentuar a submissão que se esperou da mulher.” Devem ser estas ideias que são consideradas modernas e progressistas. Por muito absurdas que possa ser, hoje em dia, considerar-se que o apelido subordina a mulher ao que quer que seja. Mas se calhar estou a ser injusto para Saramago, um homem que ainda vive na época pré-queda do muro de Berlim e que ainda exulta com as virtudes da democracia e liberdade estalinista praticada na então União Soviética.

Insucesso editorial

Não sei o que acham, mas eu penso que este foi o lançamento editorial mais despropositado que foi feito no ano anterior. Ainda está disponível na FNAC on-line. Para quem quiser comprá-lo, é claro.

20 anos fora do local de trabalho

Mário Nogueira deu uma entrevista ao PortugalDigital. Entre lamúrias dos sacrifícios pessoais e familiares que teve de enfrentar pela sua decisão de se dedicar à causa sindical e demonstrações de amor ao ensino, ficámos a saber que Mário Nogueira, colocado numa escola a 5 minutos de casa, não lecciona há 20 anos, portanto desde 1988/1989.
20 anos!!!! Com todos os direitos como se estivesse em exercício de funções.
Portanto este senhor professor saiu da escola ainda eu lá andava. E também já saí há 17 anos. Ele saiu da escola ainda havia muro de Berlim, coisa que a maioria dos actuais alunos desconhece que tenha existido.
Calculo também que estaria quase no topo da carreira, onde até há pouco todos os professores chegavam. Isto com 10 anos de ensino efectivo.
Ele há grandes profissões. A de sindicalista é seguramente uma delas.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Alcochete connection?

Mais notícias sobre o assunto do momento que, aliás, já foi motivo de dois posts neste blogue. O Público on-line de hoje vem informar que afinal de contas sempre houve um e-mail da parte do filho mais velho de Júlio Monteiro, tio do Primeiro-ministro portugês.

Neste momento, parece-me que, ou as dúvidas sobre um eventual envolvimento do Primeiro-ministro se disolvem rapidamente, ou o PS terá de enfrentar um mar de adversidades que poderão sair-lhe caras nas próximas legislativas.

Parece-me que a "máquina" já se colocou em movimento. Em última análise, o que está em causa não é o apuramento da "verdade dos factos" (esta é deixada, e muito bem, para os tribunais e as polícias) mas tão-somente a sobrevivência do poder instituido. A salvaguarda de um bom resultado nas próximas eleições.

Ainda há pouco vi o programa "notas soltas" na RTP internacional. O comentador residente do programa teve o cuidado de referir que, do ponto de vista da lei, tudo parecia ter sido feito de uma forma rigorosa. Teve também o cuidado de não referir nada sobre a suposta "celeridade" do processo. Aliás, diga-se de passagem, não se compreende muito bem como é que uma entrevistadora informada como Judite de Sousa não puxou este assunto... Houve também o cuidado de não se referir, pelo menos que me lembre, o nome do Primeiro-ministro. É também nestes pequenos esquecimentos que a nossa memória colectiva se forma.

Este episódio lembra muitos outros. Ligados ao PS, ao CDS, ao PSD. Ao poder central, ao poder local... Nestes anos, quase ninguém escapa de sair mal na fotografia. Enfim, lembra como pode ser promíscua a relação entre o mundo do Poder, da Política e o do interesse Privado. O livro algo há muito esgotado de Rui Mateus chamado "Contos Proibidos: Memórias de um PS desconhecido", que gira em volta (mas não só) do caso do Fax de Macau, fala sobre este tipo de convivência. Não sei se tudo o que é escrito nele é verdade, mas pelo menos posso afiançar que é um livro interessante. Infelizmente o livro encontra-se esgotado há muito. Terá sido falta de papel?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Uma última nota sobre as declarações do Cardeal Patriarca

Um dia depois das já célebres declarações do Cardeal Patriarca de Lisboa sobre os casamentos de mulheres não muçulmanas com homens muçulmanos, deu-se muita atenção aos casos “exemplares” de casais bem sucedidos para provar que o Sr. Cardeal tinha exagerado e que estava a semear a discórdia inter-religiões. Uma semana depois, e já sem a mesma atenção mediática, eis que 3 revistas (desconheço se outras também o fizeram), Sábado, Correio de Domingo (Correio da Manhã) e Tabu (semanário Sol) publicam histórias de alguns tortuosos casamentos. Além disso, também inúmeros articulistas e editoriais de jornais vieram, mais ou menos explicitamente dar alguma ou toda a razão ao Sr. Cardeal Patriarca. Registo com agrado essas tomadas de posição.

Uma nuvem de fumo para os lados de Alcochete

Muito fumo e algumas labaredas. Será que teremos fogo? Não conhecendo o processo, como a grande maioria da população, presumo a inocência das pessoas. Agora, parece-me estranho haver tantos buracos negros: indefinição sobre quem solicitou a reunião com o então ministro Sócrates: se foi o seu tio ou o presidente da CM Alcochete? Será que, como disse o juiz de 1ª instância, o processo foi aprovado com inusitada rapidez? Afinal quem tinha poder para decidir: o ministro ou o secretário de estado, por delegação de competências? Esperemos que todas as dúvidas sejam esclarecidas, para bem da justiça. Curioso o facto do Sr. Primeiro Ministro (PM) pedir que a justiça seja célere. Pois, bem, isso toda a gente deseja mas para todos os casos. O Sr. PM queixa-se também do caso aparecer recorrentemente em épocas eleitorais. Pois, Leonor Beleza já se queixou do mesmo. Sempre que o seu nome era veiculado como potencial candidata a algo, lá aparecia o caso do sangue contaminado.
No meio disto tudo, e por agora, fica um tio desbocado, que confirma ter off-shores, que afiança ter sido ele a solicitar a mal fadada reunião e que, suspeito, se lhe puserem mais microfones à frente ainda revela mais coisas, uns primos (ou filhos do tio) que supostamente usaram o nome e a posição do primo para benefícios comerciais e um PM “obrigado” a dar explicações públicas. Será só fumo?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Freeport

Ontem conseguiu o pleno na abertura dos três telejornais em horário nobre. Hoje vem nas primeiras páginas de muitos jornais (ver barra lateral azul, secção "Primeiras páginas"). É novamente o caso Freeport e a suspeita de corrupção.

Sócrates, provavelmente enervado com o tema, começou por responder bem aos jornalistas dizendo que não comentava acções das autoridades judiciais. Esteve menos bem ao lembrar, logo a seguir, que o assunto tinha aparecido pela primeira vez em 2005 em época de eleições e que voltava novamente agora numa nova época de eleições.

Só se compreende este último comentário do ponto de vista da minimização de eventuais prejuízos políticos. Até porque não é de crer que as autoridades britânicas, que originaram este processo ao pedir mais diligências, estejam muito preocupadas com o ciclo político-eleitoral de Portugal.

Escapa

Entrem neste site que me enviaram por e-mail e jogem o jogo do Escapa. Eu consegui aguentar-me 11 segundos. Depois digam-me qual o vosso recorde.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O ranting dos outros

O episódio do corte no rating atribuído a Portugal pela Standard & Poor’s lembra-me o que Carlo M. Cipolla, um historiador italiano, escreveu sobre a apreciação que dois colegas anglo-saxónicos fizeram ao comportamento dos mercadores venezianos na época das cruzadas.

Segundo estes historiadores, os colonos cristãos instalados nas terras conquistadas aos infiéis eram terrivelmente explorados pelos mercadores venezianos.

Comentando esta veredicto, Cipolla escreve no (hilariante) livro Allegro ma non tropo, que se holandeses, alemães ou ingleses tivessem feito o mesmo, seriam “apontados nos manuais de história como exemplos admiráveis de ética protestante e estimáveis campeões de protocapitalismo”.

E remata, dizendo, que “tratando-se simplesmente de italianos, foram definidos como exemplos deploráveis de avidez e falta de escrúpulos comerciais”.

Há muita gente que argumenta que a História é escrita por pessoas que têm a tendência a favorecer o lado que é mais forte e que esta é, não bastas vezes, influenciada por estereótipos culturais modernos.

Só não suspeitava era que os tais ratings, que avaliam o risco de uma nação não cumprir com os seus compromissos futuros, feitos por pessoas totalmente insuspeitas e altamente qualificadas para tal (historiadores anglo-saxónicos?), pudessem sequer transpirar a suspeição do mesmo enviezamento cultural.

Sinceramente não sei o que dizer. É que após me informar que Portugal, a Espanha a Grécia e a Irlanda terem visto o seu rating descer, fiquei a saber, via Público, que “Alguns dos países que mais estão a sofrer com a crise financeira internacional, como os EUA e o Reino Unido, mantêm o valor máximo inalterado”. Mas afinal de contas para que serve o rating?

To cut a long story short

Há uns dias atrás ouvi, já não sei bem onde, alguém aludir ao que se passava na faixa de Gaza como a “Guerra dos 1000 anos”. Sim, leu bem, mil anos. Não dez, nem cem, como na guerra entre a Inglaterra e a França, mas mil. Não será, bem vistas as coisas, tendo em conta o mundo em que vivemos, um exagero? Talvez, especialmente se pensarmos única e estritamente nos conflitos entre o Estado de Israel – nascido em 1948 – e os seus vizinhos. No entanto, a expressão toma outro significado se quisermos com ela referirmo-nos à longa história de atritos entre o mundo dito “ocidental” e o mundo árabe.

Quem ler o livro “As cruzadas vistas pelos árabes”, de Amin Maalouf, fica, penso eu, com as ideias mais arrumadas em relação a esta questão. A primeira cruzada dos Franj – designação dada pelos árabes à imensa turba de cristãos ocidentais que participou nas oito ou nove expedições contra os infiéis islâmicos -, teve lugar em 1096. Jerusalém, cidade santa para muçulmanos, judeus e cristãos, foi tomada pelos fanáticos e fervorosos Franj em 1099.

Antes da sua chegada, era hábito considerar Jerusalém como um lugar especial, onde as variadas confissões religiosas podiam conviver pacificamente independentemente de quem a governava ou conquistava. Os Franj, pelos vistos, foram os primeiros a quebrar esta tradição. Após a conquista da cidade, muçulmanos, judeus e até cristãos (ortodoxos) foram chacinados pelos novos senhores da cidade.

O livro de Amin Maalouf revela outras coisas que, surpreendentemente, encontram um paralelismo com o que se passa na actualidade. A primeira é a de que o mundo árabe da altura, à semelhança dos dias de hoje, era profundamente dividido. Não só entre Xiitas e Sunitas mas também por causa das inúmeras lutas internas que existiam sempre que existia um vazio de poder (normalmente quando falecia o líder).

Talvez mais importante de tudo, o livro fez-me pensar na sorte que tenho em viver num mundo onde a democracia e a separação entre o Estado e a Igreja são dados adquiridos. Serão mesmo condições necessárias para uma qualquer comunidade poder aspirar a viver num clima de paz duradoura.

Sim, porque o denominador comum entre os cruzados cristãos de ontem e os cruzados islâmicos de hoje é o haver uma mistura entre religião e interesses privados. Entre desejo de poder e valores de uma religião. Entre a Fé e o desejo de conquista física.

E agora que os soldados de Israel estão em casa, o que há a dizer em relação ao conflito na fiaxa de Gaza? Talvez que, infelizmente, não haja a possibilidade de atalharmos e dizermos algo como to cut a long story short, os israelitas responderam aos rockets do Hamas, e o Hamas apenas defendeu o seu povo do embargo promovido por Israel... Não, não é possível. É que isto tudo foi mesmo mais um capítulo de uma história muito, muito longa.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Retenção na fonte para 2009

As novas tabelas de retenção na fonte a vigorar este ano no continente podem ser obtidas aqui.

Para quem tiver paciência e quiser fazer algum tipo de comparação com o ano transacto, as tabelas equivalentes de 2008 podem ser obtidas aqui.

Tomada de posse de Barak Obama

Mais de dois milhões de pessoas a assistir em Washington à tomada de posse de Barak Obama.

Resolvi transcrever aqui algumas passagens que julgo significativas do discurso que pode ler aqui

"A nossa nação está em guerra, contra uma vasta rede de violência e ódio. A nossa economia está muito enfraquecida, consequência da ganância e irresponsabilidade de alguns, mas também nossa culpa colectiva por não tomarmos decisões difíceis e prepararmos a nação para uma nova era. (...)
(...) Hoje eu digo-vos que os desafios que enfrentamos são reais. São sérios e são muitos. Não serão resolvidos facilmente nem num curto espaço de tempo. Mas fica a saber, América - eles serão resolvidos. (...)
(...) Chegou a hora de reafirmar o nosso espírito de resistência, de escolher o melhor da nossa história; de carregar em frente essa oferta preciosa, essa nobre ideia, passada de geração em geração; a promessa de Deus de que todos somos iguais, todos somos livres, e todos merecemos uma oportunidade de tentar obter a felicidade completa. (...)
(...) Não se coloca sequer perante nós a questão se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. O seu poder de gerar riqueza e de expandir a democracia não tem paralelo, mas esta crise lembrou-nos que sem um olhar vigilante o mercado pode ficar fora de controlo – e que uma nação não pode prosperar quando só favorece os prósperos. (...)
(...) Não vamos pedir desculpa pelo nosso modo de vida, nem vamos hesitar na sua defesa, e àqueles que querem realizar os seus objectivos pelo terror e assassínio de inocentes, dizemos agora que o nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; não podem sobreviver-nos, e nós vamos derrotar-vos. (...)
(...) Ao mundo muçulmano, procuramos um novo caminho em frente, baseado no interesse mútuo e no respeito mútuo. Aos líderes por todo o mundo que procuram semear o conflito, ou culpar o Ocidente pelos males da sua sociedade – saibam que o vosso povo vos julgará pelo que construírem, não pelo que destruírem. Aos que se agarram ao poder pela corrupção e engano e silenciamento dos dissidentes, saibam que estão no lado errado da história; mas que nós estenderemos a mão se estiverem dispostos a abrir o vosso punho fechado. (...)
(...) Este é o significado da nossa liberdade e do nosso credo – é por isso que homens e mulheres e crianças de todas as raças e todas as religiões se podem juntar em celebração neste magnífico mall, e que um homem cujo pai há menos de 60 anos não podia ser atendido num restaurante local pode agora estar perante vós a fazer o mais sagrado juramento. (...)"

Que Deus abençoe o Presidente dos EUA!

Previsões da Comissão Europeia

Com dois dias de atraso, aqui vai o site com as previsões da Comissão Europeia para a economia da União.

Os valores previstos para Portugal para o PIB, a inflação e a taxa de desemprego podem ser consultados na barra lateral deste Blogue na secção "Últimas previsões económicas para Portugal". Fica aqui a intenção de o actualizar regularmente à medida que mais dados forem sendo conhecidos sobre a situação económica do país.