quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A triste comemoração do dia mundial da 3ª idade

Ontem comemorou-se (se assim se pode dizer) o dia mundial da 3ª idade. Ouvi a notícia logo pela manhã no noticiário da TSF. O que deveria ser um dia festivo, pois estaríamos a homenagear todos aqueles que ao longo das suas vidas contribuíram para o que somos hoje enquanto pessoas, países ou para o mundo que temos, tornou-se, cada vez, mais um dia de preocupação e de alerta para a condição infra-humana em que muitos dos idosos vivem hoje em dia. Segundo os estudos citados pela estação, a situação é particularmente grave em Portugal: muitos idosos a viverem sozinhos (embora tenham família) e completamente abandonados à sua sorte e das instituições de solidariedade que lhes vão valendo, poucos estabelecimentos de cuidados continuados, poucos lares e menos ainda com as condições mínimas e muitos sem essas condições mínimas, etc. Justificações: há muitas mas não deveria haver. Não deveria haver porque é inqualificável o que se passa. Tudo serve de desculpa, desde o pouco investimento do Estado (mais preocupados com os activos do que com aqueles que apenas são um peso) até à desestruturação da família e dos laços que se mantinham entre pais, filhos, netos, irmãos, sobrinhos, etc. O Estado tem culpa? Claro que sim. Não pode abandonar quem ajudou a construir o país só porque agora já não serve para nada. Mas os principais responsáveis são os familiares e, em especial, os filhos e netos. Hoje em dia a responsabilidade do que ainda se chama família, funciona apenas num sentido: os mais velhos (pais e/ou avós) são apenas responsáveis pela educação (muitas vezes péssima) dos filhos e netos, mas ninguém é responsável pelos pais ou pelos avós. É impressionante a percentagem de idosos abandonados, em casa, lares ou outros locais de acolhimento que, com filhos e netos, não os vêem há longos anos. E claro, mais uma vez, não se fala de pessoas (os filhos e netos) de classes baixas. Fala-se, muitas vezes, de pessoas com instrução, com carreiras e, nalguns casos, “bem vistas” no seu mundo. O novo Governo, estreia uma secretaria de estado para a igualdade, para promover algo que os visados podem e devem lutar por ela. Para quando a criação de uma secretaria de estado para a qualidade de vida na 3ª idade, para lutar por aqueles que já não podem lutar pelos seus direitos, nem deveriam porque deveriam era estar a usufruir dos benefícios próprios de quem já muito contribuiu para a sociedade.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Filosofia Voltaire

Há uma famosa frase que é apócrifamente atribuída a Voltaire. Diz qualquer coisa como "Discordo com o que dizes, mas defenderei até à morte o direito de o dizeres".

É uma frase de que gosto muito, vá-se lá saber porquê.

Tudo leva a crer de que a citação nunca tenha sido propriamente dita por Voltaire. No entanto, ela é por vezes vista como uma espécie de síntese da sua maneira de pensar (se é que isto se pode fazer da vida e obra de uma pessoa) ou como uma espécie de ícone do seu pensamento.

O pensamento de uma figura do século das luzes que teve problemas com a Igreja Católica e outros do seu tempo.

Uma ideia do caudilho

Um facto histórico interessante. Franco, de acordo com documentos que foram divulgados pelo historiador espanhol Manuel Ros Agudo, pediu ao seu Estado-maior um plano para a invasão de Portugal.

Este "grande projecto", segundo é noticiado neste artigo do Público, foi preparado em 1940 e previa a "união ibérica forçada" após um ultimato de 24/48 horas.

A confirmação deste facto não é, por sí só, uma surpresa. Deve ser, como é óbvio, interpretado no contexto da época. Aliás, o plano, atrevo-me a dizer, deve ter sido escrito num àpice até porque nessa altura já existia suficiente "literatura" sobe o assunto: Franco, enquanto cadete da Escola militar de Toledo, escreveu a sua tese de fim de curso sobre este "tema" (chamava-se, segundo consegui confirmar aqui, "Como ocupar Portugal em 24 horas").

Não é surpresa mas é um facto histórico. E mostra que pelo menos até ao fim da Segunda Guerra Mundial o receio português de anexação pela força pelos nuestros hermanos era bem real.

Como as coisas mudaram em 60 anos...

domingo, 25 de outubro de 2009

O "novo" Governo

E pronto temos Governo. Sócrates desembaraçou-se dos ministros mais polémicos ou mais desgastados (Lurdes Rodrigues na educação, Mário Lino nas obras públicas, Nunes Correia no ambiente) e substituiu-os por caras desconhecidos do grande público. Ou seja, tratou-se sobretudo de terminar uma remodelação governamental que tinha começado com a substituição de Correia de Campos (saúde) e Pinho (economia). Em termos orgânicos a maior alteração é a passagem da gestão do QREN do ambiente para a economia de Vieira da Silva (o que já era uma ambição antiga deste ministro). Temos pois um governo de figuras desconhecidas, algumas lançadas apenas para cumprir critérios de quotas. Neste aspecto Sócrates ainda tem muito a aprender com o seu amigo Zapatero. Este além de cumprir quotas, cumpre-as com algum sentido estético. Sócrates ainda e só se preocupa com o seu cumprimento. Já agora, para aqueles quês e queixam que o governo de Sócrates governa à direita, vale a pena lembrar que Vieira da Silva (economia) e António Mendonça (obras públicas) são socialistas-novos, tardiamente reconvertidos depois de anos de militância comunista. Sem grandes expectativas sobre este governo (ou qualquer outro deste ou de outro partido) vamos ver o que isto dará.
Pelo menos teremos novos argumentos para a colecção “Uma aventura…”. Devem seguir-se os números “Uma aventura no Ministério”, “Uma aventura no Governo”, “Uma aventura na manifestação”, “Uma aventura com os sindicatos” e por aí fora.

PS: para já o governo começa bem com a grande prioridade a ser o “casamento” homossexual. Um assunto que, de facto, preocupa o país. Bravo!!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A incontinência verborreica de Saramago

Declaração de interesse: Não gosto de Saramago. Para além de representar o que de pior há no comunismo (ou deverei dizer estalinismo), é um incontinente verbal, um ser egocêntrico, truculento e um hipócrita da pior espécie. Não vou entrar na polémica da Bíblia. Do Livro em si mesmo, e de religiões Saramago já demonstrou ser uma nulidade absoluta. Agora é preciso ver o porquê da sua verborreia contra a religião em geral, e a católica em particular. Sendo um “comunista” radical, abomina tudo o que seja mercado ou livre iniciativa. O mundo deveria girar segundo os seus cânones absolutistas e pouco ou nada democráticos. O mundo ocidental, que lhe permite ter o tipo de intervenções que tem, é o inferno “governado” por seres malévolos que vão desde os governos democrática e livremente eleitos, até à Igreja Católica. No entanto, quando publica um livro, escrito lá do seu refúgio dourado de Lanzarote, aplica sempre as melhores técnicas de marketing e as ferramentas mais sofisticadas que o mundo globalizado põe à disposição de todos, de forma democrática. Assim, recorre ao insulto, à agressão, à polémica para atrair a atenção daqueles que, de outra forma, nem se lembrariam que o senhor – com letra bem minúscula (não confundir com o Senhor!) ainda existe. A técnica é sempre a mesma: primeira lança a senhora Pilar, depois aparece com um qualquer dislate, de preferência contra a Igreja Católica ou os governos ocidentais. E assim lá nos lembramos que a criatura lançou mais um livro. Qual é mesmo o nome do livro?
Isso não interessa nada, desde que a sua conta no banco (outro dos demónios) se encha mais um pouco.

PS: No post “Caim e Abel” não concordo com o DeKuip. O assunto não é sensível se debatido com conhecimento e tolerância e respeito por quem tem ideias diferentes das nossas. O problema de Saramago é a sua total ignorância sobre o assunto em causa, ou pior, a sua total intolerância perante quem pensa e age de forma diferente da sua. Quanto à ideia de renunciar à nacionalidade: a ideia foi do escritor que há uns anos atrás amuou com o Governo português. Por mim, até assinava uma petição para o incentivar a essa renúncia.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Maitê, os portugueses e Portugal

Duas pequenas notas sobre a polémica relacionada com o vídeo de Maitê Proença sobre Portugal e os portugueses (ver vídeo aqui; pedido de desculpas aqui).

A primeira é que me parece que o assunto tem sido excessivamente empolado. Penso que nem o programa de TV brasileiro em causa (Saia Justa) nem sequer a protagonista (Maitê Proença) são merecedoras de tanta atenção.

A outra nota que gostava de deixar é a de que também conheço pessoas que cospem em locais públicos. Elas têm quatro ou cinco anos de idade e, à semelhança do que Maitê nos faz ver no seu vídeo, também acham que são muito engraçadas com este tipo gracinhas.

Caim e Abel

Muito já se disse sobre as declarações proferidas este último fim-de-semana por José Saramago a propósito da Bíblia. Defini-la como um "manual de maus costumes" e um "catálogo de crueldades" é algo que, para além de polémico, pode muito bem ser visto como um golpe publicitário da parte do autor de Caim.

Sim, é polémico. O autor, reincidente nestas polémicas opiniões, toca, uma vez mais, em assuntos muito sensíveis.

De qualquer forma, fico sempre sempre surpreendido com as reacções que estas polémicas geram em certos sectores da sociedade portuguesa. Querem um exemplo? A reacção do eurodeputado Mário David (ver aqui). O que dizer da "vergonha assumida pelo eurodeputado em ser compatriota do escritor"? E do pedido (sim, leu bem, é um pedido...) para Saramago renunciar a cidadania portuguesa? Não sei. Talvez que seja um pouco despropositada e... exagerada?

Ainda bem que há reacções muito mais interessantes sobre a mesmíssima polémica. Querem um exemplo? A do padre e teólogo Carreira das Neves, que podem ser recuperadas aqui.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ANC Versus CNC


Meses após a Autoridade Nacional da Concorrência (ANC) ter tido um papel pouco decoroso pela sua TOTAL interiorização da posição e argumentos das distribuidoras no mediático caso do aumento de preços dos combustíveis, chega desde Espanha esta notícia sobre a Comisión Nacional de la Competencia (CNC). Diversas associações de produtores de alimentos foram multadas (alguma com quantias de até 500.000 Euros) por práticas contrárias à concorrência. Já agora, quem não se lembra de aquelas gloriosas 500 páginas de “areia nos olhos”?

O assunto nasceu em 2007, quando os preços de diversos alimentos básicos (leite, ovos, massas, pão, entre outros) aumentaram de maneira anormal, atingindo máximos históricos. A CNC abriu um processo, e chegou à conclusão de que as empresas tinham concertado uma estratégia para passar aos consumidores, de maneira concertada, os aumentos de preços nos mercados internacionais de várias matérias primas usadas nos seus produtos.

E no site da própria CNC:

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O tambor de lata, 50 anos depois

Hoje, quando visitava o hipermercado para comprar mais umas coisas para casa, tive uma surpresa. Na secção dos livros, prateleira das novidades, estava uma tradução do livro O tambor de guerra do escritor alemão Gunter Grass.Cinquenta anos depois da sua publicação, finalmente uma tradução para o português de Portugal.

Há uns meses atrás, tentei obter uma cópia deste romance. Na altura, foi-me dito que em tempos existiu no mercado uma tradução para o português do Brasil. Infelizmente essa edição encontrava-se esgotada. Digo infelizmente pois este livro é uma das obras mais importantes deste escritor a quem já foi atribuído o Nobel da Literatura.

Mais um aspecto importante. O livro, colocado no mercado pela Dom Quixote, parece ter sido traduzido com qualidade. A tradutora, inclusive, gozou de uma bolsa concedida pelo instituto Goethe para a sua tradução.

São portanto boas notícias, especialmente para todos aqueles que - tal como eu - ficaram desiludidos com a qualidade da tradução do trabalho autobiográfico do mesmo autor Descascando a Cebola.

sábado, 10 de outubro de 2009

Jogar ao ataque...

Em 2000, lembro-me de uma crónica de Valdano num jornal inglês. Estávamos no início do campeonato da Europa e Portugal tinha acabado de vencer a Inglaterra por 2-3. Dizia Valdano nessa altura que Portugal jogava um futebol "rendilhado" e muito técnico, quase como se marcar golos não fosse de todo em todo importante para os jogadores.

Penso que esta descrição se mantêm válida ainda nos dias de hoje. Aliás, acho irritante, especialmente nas qualificações, o destaque que se dão às exibições em detrimento dos resultados.

Pois bem, acabo de ler um resumo de uma conferência de imprensa de Carlos Queiróz que parece corroborar isto mesmo. Diz o seleccionador das quinas que a selecção "foi sempre uma selecção de ataque" e que atacar significa também "jogar bom futebol". Jogar bom futebol? E golos, já agora, não interessa para nada?!

Esta fixação em querer jogar bonito é, permitam-me a redundância, muito bonito. Mas não chega para qualificar uma equipa. Num "mini-campeonato" com 10 jogos ou qualquer coisa do género, o que interessa é ganhar pontos. Marcar golos. Sofrer poucos. Enfim, ser objectivo.

Há uns dias atrás, um colega da Suécia disse-me que reconhecia que Portugal jogava bom futebol e que, talvez por causa disso, merecesse estar no Mundial. Estava a ser simpático. De qualquer forma dicordo desta posição. O mérito ou demérito de uma equipa em relação às demais são subjectivos. O jogar bonito ou feio também. Os pontos que se conquistam e os golos que se marcam não.

É claro que gosto do bom futebol. Mas penso que se Portugal quiser ter uma presença mais assídua em fases finais de campeonatos de futebol tem de se focar mais nos resultados. E ter dirigentes à altura de responder pelo seu cumprimento ou incumprimento. Até porque é difícil que Portugal venha a produzir, para todo o sempre, equipas que possam "jogar bonito". Ou estarão à espera que um país com 10 milhões esteja sempre a produzir jogadores como Cristiano Ronaldo, Figo e Rui Costa?

Uns dias antes de sair de Portugal ouvi Simão Sabrosa dizer qualquer coisa do género como o "estar preparado para fazer uma grande exibição". Espero que isso queira dizer golos.

E já agora boa sorte para o jogo de Portugal. Na Hungria não se fala dele.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

NOBEL (to) OBAMA

Soube pela BBC World News que o Nobel para da Paz foi atribuído ao presidente dos EUA. O mundo inteiro parece estar agora a discutir se o prémio foi bem atribuído e a tentar saber o que é que Obama fez para o ganhar.

Na minha opinião, penso que tudo depende da perspectiva com que se analisa o Prémio. Para mim, a sua atribuição a Obama faz sentido.

E porquê?

Porque me parece que, por vezes, não é tanto o que os nomeados fizeram para merecer o prémio que conta, mas sim o sinal que o Comité Nobel pretende dar ao mundo e que, em conjunto com o mérito do candidato, são determinantes para a sua atribuição.

Não estou a discutir o mérito de Obama. Não. O presidente dos EUA teve o mérito de voltar a abordar assuntos que estavam congelados há muito tempo. (Nesse sentido, até acho que o prémio devia ser repartido com Bush que tive o "mérito" de as bloquear completamente...).

O que estou a dizer é que o prémio é mais um incentivo a Obama para continuar os seus esforços com vista ao desarmamento nuclear, ao estabelecimento de um diálogo frutífero com o mundo islâmico, ao reforço do multilateralismo no plano das relações internacionais. E um sinal a todos de que é este o caminho a seguir.

Mas esta é a minha opinião, e como tal, sujeita a crítica...

Na próxima segunda-feira teremos o anúncio do prémio Nobel da economia. Será às 12h00 de Lisboa. Não avanço nomes, embora ficasse muito surpreendido se, por exemplo Eugene Fama o ganhasse... De qualquer forma, se estiverem interessados em saber nomes, este site apresenta resultados de uma pool sobre o assunto. E este artigo também avança nomes.

Que sinal irá o Comité Nobel dar segunda-feira vez ao mundo?

sábado, 3 de outubro de 2009

World Economic Outlook (Outubro)

A versão completa do World Economic Outlook já está disponível no site do FMI. Com o relatório de Outubro é também actualizada a base de dados com as previsões do FMI por país (e não apenas das principais economias e zonas económicas). A ideia de recuparação lenta em "U" parece ser agora mais consensual entre os economistas. Para Portugal estimam uma taxa de desemprego de 9,5% para 2009 e 11% para 2010.

A base de dados do WTO pode ser consultada aqui.

Algumas notas e notícias dispersas

Esta, sobre o estímulo que a última comunicacao do PR produziu nos hackers, é ilariante. Pode ser vista aqui e tem o título de "Tentativas de intrusão no sistema informático do governo duplicaram após comunicação do PR".

O "Sim" na Irlanda parece que vai ganhar de acordo com a seguinte notícia do Público on-line. Já ontem deixei um post sobre este assunto. Apenas um reparo marginal: que pena este referendo estar a acabar, pois nao consigo imaginar uma campanha de publicidade mais barata e eficaz a Lisboa do que as frases "Yes to Lisbon" ou "No to Lisbon".
Grande campanha de publicidade! Parece que há a possibilidade de ela voltar a acontecer se o partido conservador ganhar no Reino Unido...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ainda Cavaco

Não resisto a divulgar esta frase que acho fenomenal. Li-a no site do jornal Público e foi escrita por Pedro Ivo de Carvalho, um jornalista do Jornal de Notícias.

"O desconforto é parte integrante da condição humana, mas até o presidente da República devia saber que há alturas na vida em que temos mesmo de engolir o sapo".

Voilá!

Lisbon Treaty

Hoje cerca de três milhões de irlandeses votam o Tratado de Lisboa. amanhã é que vamos saber o resultado desta consulta popular.

Caso tivesse de votar, caso fosse um cidadão irlandês, diria sim. Mas confesso que me sentiria um bocado aborrecido com a ideia de ser chamado a dar a minha opinião, again and again, até que o "sim" aparecesse como resultado final.

E também me sentiria um bocado "aborrecido" com o espectáculo que normalmente se segue a um "não". Viagens (neste caso) a Dublin, negociações de contrapartidas, comissário para aqui, "doces" para ali... Enfim, uma panóplia de coisas, nenhuma das quais sobre que caminhos tencionamos trilhar. Nada sobre que projecto queremos para a Europa. Nicles sobre "Sim" ou "Não". Zero sobre ir por ali ou parar por aqui...

Mas a vida é isto mesmo. É o mundo da Real Politik.

Para os irlandeses este "filme"não é novo. Já o viram com o Tratado de Nice. Agora há a sequela de Lisboa. Amigos celtas, tenham paciência e votem em consciência!

O (enorme) melão de Louçã

Subiu no nº de votos. Subiu em percentagem. Duplicou o nº de deputados (+8). Ás 20h00, parecia que ia ser uma grande noite para o BE. RTP e SIC punham-no em 3º lugar firme (tanto em % como em nº de deputados – 18 a 22, dizia-se). Apenas a TVI destoava e punha o CDS/PP em 3º lugar. A ajudar a festa, o PS perdia a maioria mas o BE (ou o PCP) seria suficiente para gerar uma maioria na Assembleia e impor as suas propostas. Fazenda faz a primeira declaração. Júbilo nas hostes bloquistas. A SIC começa a corrigir dados e coloca a hipótese do CDS/PP ficar percentualmente à frente do BE mas com menos deputados. Rosas faz a segunda declaração da noite. A exaltação das hostes continua grande. Louça faz, finalmente, a sua aparição. A pose típica de tele-evangelista, sorriso de orelha a orelha e o tom, também típico, de educador das massas e de dono da razão e da verdade. Não confundir com arrogância, superioridade ou pedantismo. Não, na esquerda esses tiques não existem. Felizmente, para ele, Louçã falou cedo e sem os resultados finais. Evitou o grande melão da noite.
Afinal o auto-proclamado candidato a 1º ministro ficou em 4º lugar. Ultrapassado pelo CDS/PP (que elegeu mais 9 deputados que há 4 anos).Não chegou aos 10%. Elegeu apenas mais um deputado que o PCP (16 contra 15) e, para piorar as coisas, o resultado do PS ficou no limite mínimo esperado pelas várias projecções. Que quer isto dizer?
Bem, o BE aumentou o nº de votos em 200 mil, é verdade. Duplicou o nº de deputados, é verdade. Mas de que lhe servem esses votos e esses deputados? Para nada. A não ser para ganhar mais uns trocos no financiamento público dos partidos, o que já não é pouco. Não esquecer que o afã do BE pelo “vil” metal até os levou a votar a favor da ignóbil lei do financiamento dos partidos (depois vetada pelo PR).
Ou seja, para Louçã vai o melão da noite eleitoral. Depois de tanto prometer nas sondagens e nas projecções, ficou-se com uma mão cheia de … nada. Só para ver este epílogo valeu a pena assistir até ao fim à noite eleitoral.

PS: Parabéns ao PS (ganhou as eleições) e ao CDS/PP (que grande resultado!!!) e à TVI, o único canal que, a exemplo do que acontecera nas eleições europeias, acertou quase em cheio no escalonamento e nas % dos diversos partidos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Comunicação ao País

Hoje o Presidente da República fala ao País. Sei bem que cada presidente tem o seu estilo quando pretende dizer algo que na sua opinião é importante para o País. Também sei que cada presidente que passou por Belém tem o seu estilo e a sua maneira de gerir silêncios. Mas parece-me que o do actual presidente é talvez um bocado um "pau de dois gumes". Diz que vai falar mas não fala sobre o quê. Faz suspense. Será um adepto do cinema deste estilo?

Fico a aguardar o que o Presidente vai dizer. Espero que seja mesmo importante e que, ao contrário do que foi sentido da última vez que optou por esta estratégia, que não nos saia Açores em vez de desemprego ou dificuldades sentidas pelos portugueses. Sim, até porque as eleições para a Presidência são daqui a dois anos. E quem não fala aos portugueses de uma forma eficaz e clara...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MMS na "conchichina"

Não sei se já viram este cartaz do MMS, um dos novos partidos políticos do espectro político português. Não sei, mas eu pensava duas vezes antes de dar o meu voto a um partido político que nem sequer pega no prontuário ortográfico antes de colocar cartazes pelo país fora. É que como já foi sobejamente notado na Blogosfera, é da "Conchinchina" que se trata. Ou será que eles aludem a outro local fora do Vietname?

Hoje há um "Prós e contras" com os partidos pequenos (o MMS é um deles...). Será que o formato mais ou menos "generalista" deste programa vai resistir a tanta diversidade junta?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

A Gripe dos Porcos II

Pois é, pois é… Acertadíssimo comentário do emérito colega RightWing sobre os excedentes desse fármaco tão moderno quanto inútil chamado Tamiflu, que me inspira um novo post sobre a gripe dos porcos. Sem dúvida nenhuma que de 3 em 3 anos a humanidade será atacada consecutivamente pelos seguintes vírus:

2012 – Gripe das ovelhas, terrível mutação do vírus do monquilho (doença endémica do gado lanífero), que terá como efeitos secundários o crescimento descontrolado dos pelos das orelhas nos humanos e o aumento da despesa dos governos

2015 – Gripe felídea, contagiada pelo bichano de lá de casa, e da qual nunca teríamos ouvido falar (dada a sua não existência) se não fosse o lucro das farmacêutica a descer após a gripe de 2012

2018 – Gripe dos periquitos, mutação mortal (esta mesmo mortal, mas mortal mesmo!!!) da gripe das aves, transmitida pelo ataque feroz do piolho dos periquitos, a quem nunca lhe deu por atacar aos humanos até que um dia acordou chateado (olha que azar)

2021 – Gripe dos peixes, com origem no vírus da gripe das lesmas marinhas, que sofreu mutações devido às provas com armas atómicas em Mururoa (eu já vi este filme), mas transmitida aos humanos pelos simpáticos (not any more) peixinhos dourados de aquário

2024 – Gripe dos ursos (grande urso quem a apanhar)

E assim ad eternum, até que o governo mundial (sim, antevejo que dentro de 40-50 anos teremos um governo mundial, com Santana Lopes de 1º Ministro, lá andará ele) decida que a humanidade se deve tornar vegetariana e exterminar todos os animais, para assim não apanhar mais gripes parvas (não há nome de animal = não há gripe). Quem sabe se a partir desse dia as gripes não começarão a ter nomes de vegetais: gripe dos rabanetes, gripe das cenouras, gripe dos tomates (upa, upa!!!), etc, etc, etc.

E agora, uma sábias palavras: “In the long term, we're all dead” (JMK)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A Gripe dos Porcos

Nas últimas semanas estão a chegar uma série de notícias muito engraçadas de Espanha sobre a famosa, “terrível e mortal” gripe A, que ia acabar com a gente toda de cá do sítio (e com a gente toda dos outros sítios todos, evidentemente).

O processo em Espanha tem sido o seguinte: primeiro, foi a ministra da saúde que, pouco a pouco, foi suavizando o discurso oficial por forma a relativizar o perigo da gripe e as suas consequências, reduzindo a alarma geral criada (pelos “media”, esse grande negócio) e alinhando a gripe A com a gripe sazonal. Depois chegou a hora de definir os grupos de risco e, grande surpresa, as crianças ficaram de fora (mas isto não era um vírus mortal que atacava com especial força aos jovens?!). Depois os profissionais do sistema de saúde (definidos como grupo de risco preferencial para as vacinas) disseram, através das ordens de médicos e auxiliares de enfermaria, que não achavam utilidade à vacina e, mais, a vacinação poderia ter efeitos negativos não esperados, pois a mesma ainda não foi testada, pelo que pediam ficar de fora da vacinação. Agora, a ordem dos médicos fez uma declaração na que se qualifica a gripe A de “doença fantasma” que criou uma “epidemia do medo” e que serve certos interesses económicos e políticos. E mais, hoje a ministra reconheceu publicamente que a gripe A se está a comportar de maneira mais leve do que a gripe sazonal.

OK, já há pessoas com os pés no chão neste assunto. E agora a pergunta: a quem favorece a gripe A? Evidentemente, aos grandes grupos económicos com interesse na saúde, e que muitas vezes também contam dentro desses conglomerados de empresas com meios de comunicação. Bacano, eu vendo vacinas, tu vendes jornais, e o patrão é que ganha!!! E mais outra na cabeça das farmacêuticas: como podem, com essa alegria toda, vacinar milhões de pessoas sem testar adequadamente os efeitos secundários? Ou será que já sabem que não vai ter, porque simplesmente aquilo não serve para nada? Não sei qual das duas respostas é mais enervante…

Estarei conspiranoico? Há 3 meses achava que sim, hoje já não acho.

E já agora, o papel da OMS nisto tudo pode-se qualificar de vergonhoso, no mínimo.

Podem ver notícias sobre o assunto a partir deste link:
http://www.elpais.com/sociedad/salud/

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Numa busca rápida realizada na passada 2ª feira (dia 17de Agosto) no jornal Record, encontrei os planteis dos 16 clubes da 1ª liga portuguesa. Com as devidas ressalvas, de desactualização constantes tal o volume de jogadores contratados e dispensados pelos nossos clubes, cheguei aos seguintes dados:
· Dos jogadores registados pelo Record, os portugueses são maioritários. No entanto, representam apenas 46% do total. Os brasileiros representam 28%, seguido por argentinos (4%) e franceses (3%);
· Sporting, Porto e Benfica têm jogadores de 8 nacionalidades. O Belenenses é o clube mais internacionalizado (11 nacionalidades) e o Paços de Ferreira o menos (apenas 4 nacionalidades;
· Vitória de Setúbal (65%) e Académica (63%) são os clubes com mais jogadores portugueses. No extremo oposto encontram-se Nacional (23%) e Porto (28%). No Benfica apenas 36% dos jogadores são portugueses enquanto no Sporting são 56%.
· Nos casos do Marítimo, do Braga e do Nacional a maioria dos jogadores não são portugueses. São brasileiros: 56%, 41% e 42%, respectivamente. No caso da Naval, a predominância é repartida equitativamente por portugueses, brasileiros e franceses.

Uma questão apenas: será que para se ser minimamente competitivo e marcar 1 golo por jogo (sim, nenhuma equipa marcou mais de um golo na 1ª jornada da liga) é necessário recorrer aos serviços de tantos imigrantes?

A questão aqui não é os imigrantes, em si mesmo. A questão aqui é quem ganha com este tráfico de jogadores. Poucos deles acrescentam qualidade ao futebol praticados. Para além da questão da oferta e procura (jogadores portugueses querem cobrar salários mais altos que os que são pagos aos imigrantes) qual o papel dos agentes dos jogadores, dos dirigentes dos clubes, das comissões, dos treinadores, etc.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Site inovador



Este site tem sido anunciado com grande difusão (deve ter um excelente comunicador). Dizem que se trata de um sítio onde os eleitores podem colocar questões aos candidatos, debater os programas, as ideias, apresentar sugestões, enfim, um grande número de funcionalidades. Vamos ver no que dá.

Fica aqui o link do liberopinion, para testarmos e acompanharmos. Afinal, estamos em ano de eleições.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Españoles en el Mundo

Uma amiga minha enviou-me este link do programa Españoles en el Mundo. O programa de ontem foi sobre Lisboa.

Lisboa vista pelos olhos de alguns espanhóis que optaram por ficar em Portugal. A cidade contada através das histórias de pessoas ditas "normais". Um programa centrado nas pessoas. Mas no entanto com tanto para contar.

Que diferença entre este tipo de abordagem e aquela que nos é dada através dos "chatérrimos" RTP contacto da versão internacional da televisão pública portuguesa!

Viva a República?



Estes dias de verão, no que os jornalistas se submergem nas habituais “summer trash news”, ninguém estava a espera do “golpe de efeito” levado a cabo por uns cidadãos monárquicos, e que consistiu na substituição da bandeira da cidade de Lisboa pela bandeira monárquica.

Penso que se trata mais uma acção publicitária do que política, magnificada pela falta de notícias à séria (para alem de constituir delito punido por lei, mas com estado da justiça já sabemos no que vai dar). Ainda assim, e dado que não temos coisa melhor para fazer (tirando o quiz palerma sobre a nossa orientação política), peço a vossa opinião sobre o assunto, adiantando ainda as minhas questões e visões sobre o mesmo:

1) Desde já digo: sou favorável ao regime republicano. Não percebo porquê numa sociedade moderna o máximo representante dum país deve sê-lo pela simples razão de que o seu trisavô já o tinha sido. A democracia e a igualdade de oportunidades (que não o igualitarismo) são conceitos indissociáveis;

2) O problema do país não se prende com a forma em que a máxima representatividade do Estado é feita. Prende-se com outros problemas cuja solução não é “com uma monarquia como a espanhola estávamos melhor”. Os problemas de funcionamento de Poderes do Estado (como por exemplo o judicial) estão na base do “estado a que isto chegou” (como disse o Salgueiro Maia);

3) Os monárquicos trocam bandeiras, mas não vão muito mais longe. O vasto território das propostas sérias de reforma continua por explorar;

4) Um argumento que tenho encontrado várias vezes (e que me resisto a qualificar de proposta séria) é que um monarca poderia garantir a “equidistância perante as demais instituições públicas” dado que “o Chefe de Estado Real emana da Nação e não de grupos de interesse”. Bem, emanaria da Nação se assim o decidisse a Nação… E se algum dia decidisse o contrário? Estaria disposto o deposto rei a aceitar a vontade do povo?

5) E ainda sobre a parte da equidistância anteriormente citada: será que não existem grupos de interesse a influenciar o poder real? Será que o rei é “santo” e não susceptível a favorecer certas pessoas/amigos? Hmmm, esse pretenso rei nem parece humano… Aliás, mais que descrever um rei, até parecem descrever um “outsider” salomónico. Se esse lugar ficar vago, eu proponho-me, dado que sou “outsider”, não tenho grupos de interesse aos quais servir e posso treinar para ser salomónico…

E pronto, a minha opinião é evidente: Viva a República por mais 100 anos no mínimo!!!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Economista de direita ou esquerda?

O Jornal de Negócios tem no seu site um quiz (em excel) para detereminar se o user é um economista de direita ou de esquerda.

Em poucas perguntas, apura uma pontuação que dirá se são mais ou menos adeptos da economia de mercado.

Façam o teste e digam o vosso score. Eu atingi 70 pontos e o resultado disse: "Acredita no mercado quanto baste. É um crítico das teorias e aplica-as conforme as considera mais ou menos sensatas. É acima de tudo um pragmático. Pode dedicar-se à política."

O link para o quiz está aqui.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Previsões, estimativas e indicadores avançados

A pouco e pouco vou recuperando o tempo perdido. A 15 de Julho, o Banco de Portugal divulgou o seu Boletim Económico de Verão. As mais recentes previsões para a economia Portuguesa para 2009 e 2010 podem ser rapidamente consultadas aqui.

Hoje a OCDE divulgou os indicadores avançados - os Composite Leading Indicators - sobre o estado de saúde de 29 países que fazem parte desta organização (Portugal incluído). De acordo com a OCDE, há sinais mais evidentes de que o "fundo do poço" já foi atingido (ver press release aqui). Não deixam de ser notícias positivas, mas que têm de ser interpretadas com cuidado.

A 24 de Junho, a mesma OCDE publicou o seu Economic Outlook (relatório bianual). Previsões sobre os principais indicadores de actividade de Portugal podem também ser obtidas a partir daqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Publicidade enganosa

Circunstâncias várias fizeram com que eu percorresse algumas localidades do sul ao centro do país num único fim-de-semana. Antes destas deslocações, já tinha reparado que muitos dos outdoors e publicidade política colocada em Lisboa por causa das eleições europeias ainda não tinha sido retirada. O que não sabia era que este parece ser um facto consumado por todo o país.

Não que eu não goste de outdoors. Não. Como consumidor, gosto que que me apresentem bons produtos. Gosto de teasers inteligentes e aprecio, como qualquer mortal, as boas campanhas de publicidade.

O que já não gosto tanto é de ver publicidade com produtos que já não estão à venda. Coisas anacrónicas, com outdoors desbotados pelo sol. Não, para mim, isso é poluição visual, publicidade enganosa.

É o que se passa com os outdoors com deputados e frases referentes às eleições europeias que ainda se vêem por este país fora. Não deveriam ter sido retirados logo após as eleições? Pensava que existia uma lei qualquer que obriga os partidos a retirarem todos os cartazes após as eleições... Se calhar estou enganado. Afinal de contas este ano vamos ter uma orgia de eleições. E pelos vistos de cartazes e de publicidade política também!

Actualização de Julho do FMI

Com substancial atraso em relação à data da sua divulgação (8 de Julho), aqui vão alguns comentários à actualização do Fundo Monetário Internacional (FMI) do World Economic Outlook (WEO) realizado em Abril.

Nesta revisão, de uma forma geral, o que nos é transmitido é que a crise económica deve ser sentida em 2009 de uma forma ligeiramente mais forte do que o previsto em Abril (-0,1 pontos percentuais) e que, em contrapartida, a recuperação em 2010 vai ser um pouco mais robusta do que se estava a pensar (+0,6 pontos percentuais).

Com especial interesse para Portugal, pois tratam-se de importantes parceiros comerciais, é de salientar a revisão em baixa, para 2009 e 2010, das previsões de crescimento económico da Espanha (-1,0 e -0,1 pontos percentuais, respectivamente) e a revisão em baixa, para 2009, para a Alemanha (-0,6%).

Aliás, de acordo com as previsões do FMI, a zona euro deverá ter um comportamento em 2009 bastante pior do que o que era previsto em Abril e ligeiramente melhor em 2010 (mas mesmo assim negativo: -0,3%). E o que poderá querer isto dizer para Portugal, um país de média dimensão aberto ao exterior? Na minha opinião reforça a ideia de que a retoma económica não está aí ao virar da esquina. Virá, na melhor das hipoteses, lá para o fim de 2010, 2011.

O texto do FMI referente a esta actualização pode ser visto aqui.

Devo lembrar que esta actualização é uma espécie de actualização intercalar, onde apenas se mostram previsões para o andamento geral da economia mundial, grandes blocos económicos e um conjunto de países seleccionados. Previsões do FMI sobre a economia portuguesa só na lá para Outubro deste ano com a revisão de todas as previsões para um conjunto muito mais alargado de países.

Para “seguir o rasto” dos últimos WEO, especialmente aqueles realizados durante a actual crise económica e financeira, basta clicar na sigla “FMI” presente secção das etiquetas da barra lateral direita deste blogue.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Leonard Cohen, grande, grande, GRANDE!!!!

A minha vénia e o meu agradecimento a LEONARD COHEN. O canadiano, de origem judaica que, aos 74 anos, ofereceu um espectáculo que ficará certamente na memória de todos aqueles que, na passada quinta-feira, quase encheram o pavilhão atlântico. Praticamente três horas de canções interpretadas de forma irrepreensível e sem falhas naquele tom de voz que só Leonard Cohen tem. Acompanhado por um conjunto de músicos excepcionais e com o apoio vocal de Sharon Robinson e das “Webb Sisters”, Leonard Cohen deixou brilhar os seus acompanhantes, não só em solos individuais como através das duas apresentações que fez dos seus colegas de digressão (com os devidas elogios individuais e o retirar do chapéu). Leonard Cohen mantém a forma apesar da idade. E a elegância, e a postura, e a educação e, sobretudo, a humildade. O retirar o chapéu no final de cada música quando começam os aplausos, as palavras dirigidas ao público naquele tom pausado de conversa em família. E as canções. E as letras. Momentos altos? Muitos. Depende da preferência de cada um. Para mim, a abertura com Dance Me To The End Of Love e depois, e não necessariamente por esta ordem: Partisan, First We Take Manhattan, I’m Your Man e claro, Hallelujah. Mas todas as outras também. Por tudo isto, muito e muito obrigado Mr. Leonard Cohen.

domingo, 2 de agosto de 2009

O BE e a verdade (ou a falta dela, pelo BE)

Sim, é verdade, embirro com o BE. Penso mesmo que esse partido é responsável por grande parte da chicana política existente na política portuguesa. Apresentam-se como os paladinos da verdade, da transparência, da seriedade, da ética na política e, à vez, emitem uns sound-bites consentâneos com essas virtudes. Quem não critica os lucros exorbitantes do sector bancário? Quem não desejaria que as empresas (em especial as que apresentam lucros) não despedissem trabalhadores? Quem não desejaria apoiar mais e melhor aqueles que ficam sem emprego? Quem não desejaria, em suma ter um mundo melhor? Quem houve estes senhores (e em particular a sua eminência parda, Louçã) quase que é levado a acreditar que todos os outros são uns cretinos, uns inconscientes, uns insensíveis... enfim que toda a virtude bafejou apenas os iluminados bloquistas. Para além da falta de modéstia que demonstra por afirmar que está sempre acima de todos os outros, os factos também desmentem tamanha virtude deste bloco: o caso Sá Fernandes em Lisboa (que ambos mereceram tão grande foi o jogo de interesses jogado pelo Zé e pelo BE), a votação, sem pestanejar, a favor da nova lei (chumbada pelo PR) do financiamento dos partidos, o caso do jantar de homenagem a Manuel Pinho e no qual participou António Chora, o primeiro caso Joana Amaral Dias (JAD) quando foi mandatária de Soares e agora o segundo caso JAD, entre outros são exemplo do pior que a política tem e que o BE tão bem já adoptou. Aliás este último caso é emblemático da mais baixa política e das falhas de carácter dos intervenientes. Acusar o PM de convidar uma senhora do BE oferecendo-lho cargos políticos e acusá-lo de tráfico de influência foi o que fez Louçã. Uma conversa que deveria ter merecido algum sigilo, foi tornada pública por JAD que qual virgem ofendida diz que recusou liminarmente (será recusou logo ou que pediu tempo para pensar, como foi noticiado), mas nunca afirma que lhe foram oferecidos cargos políticos. O PM e bem, exige um pedido de desculpa e que diz Louça? Que não pois o governo (essa entidade que paira por aí) convidou um militante bloquista e que por isso não deve desculpas. Esquece as torpes acusações que fez e passa a frente, não sem antes, voltar a proclamar que o que o BE quer é uma política séria e de verdade. Vê-se!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um verdadeiro iconoclasta

Se não vejam:

...Sendo o PSD o partido à direita, esperaríamos que o crescimento do Estado fosse mais moderado quando está no poder. Mas os dados revelam uma realidade surpreendente. Quando o PSD está no poder, o monstro cresce em média 0,35% ao ano, enquanto quando é o PS no poder a despesa cresce appenas 0,25% por ano...

Estas frases fazem parte de um ensaio do economista Ricardo Reis sobre o consumo público desde 1985, publicado pelo jornal i de ontem. Surpreendente não?

É de saudar a iniciativa do jornal i. Pela lufada de ar fresco que este ensaio trás à discussão relacionada com o "monstro" da despesa pública. E pela evidência empírica retrospectiva que aponta para uma contradição entre a ideologia e a actuação dos partidos de direita em Portugal. Um exemplo: o pico do consumo público em percentagem do PIB surgiu com Durão Barroso/Pedro Santana Lopes e CDS no poder...

Sugiro a todos a leitura deste trabalho.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os agitadores carreiristas

Engraçado este pequeno artigo - chamado Quanto mais agitadores e rebeldes, mais carreiristas - que pode ser lido aqui no i on line. Foi escrito por um jornalista italiano e reporta-se à realidade italiana.

Diz que os líderes carismáticos são uma raridade porque, ao invés dos agitadores carreiristas, combinam a humildade com uma visão verdadeiramente alargada do mundo onde vivem. Acreditam realmente que podem melhorar as coisas. Os agitadores, esses, procuram agitar as multidões pois acreditam que são melhores do que os que estão no poder. (Se acreditam que são melhores, onde é que fica a humildade?) Também não acreditam verdadeiramente que podem mudar as coisas pois bastas vezes vemos que, mal a crispação do momento passa, são dos primeiros a acomodarem-se e a tratar, como o comum dos mortais, da sua vidinha...

Não sei se este jornalista italiano terá cem por cento razão. Certo, certo é que também eu conheci alguns destes agitadores "carreiristas". Ou melhor, conheço as suas histórias, pois quando me cruzei com eles já estavam há algum tempo "acomodados" em posições de relevo aqui e ali.

Mas o pequeno artigo leva-me a pensar no seguinte: se a humildade e a visão de um mundo melhor são de facto características raras de serem encontradas numa única pessoa, não estaremos condenados a sermos governados quase sempre por líderes sem carisma?

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Evolução da inflação desde 1998

Tenho notado alguma procura de um post antigo intitulado "Evolução da inflação desde 1999" (pode ser encontrado aqui). Actualizo o conteúdo desse post com a evolução da inflação homóloga, indo um pouco mais atrás no tempo (a Janeiro de 1998) até à mais recente informação disponível (Junho de 2009).
A figura acentua a tendência de queda da inflação homóloga que em Junho atingiu os -1,6%. Os valores da inflação, pelo menos os mais recentes, podem ser obtidos aqui.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O lento declinar do crescimento da população em Portugal

Hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou as estimativas para população residente em Portugal.

São estimativas, números sujeitos a revisão. Valores mais precisos só com os censos de 2011. De qualquer forma são valores tomados como bastante precisos (os maiores problemas devem vir, penso eu, da dificuldade em estimar os saldos migratórios; algo difícil de se fazer com precisão numa Europa com livre circulação de pessoas e bens).

Pois bem, e o que nos diz o INE? Confirma-nos o que intuímos saber: diminuição da taxa de crescimento da população e envelhecimento da mesma.

Desde 2004 que a taxa de crescimento efectivo da população residente tem vindo a declinar até chegar aos míseros 0,09% de 2008. É o que o gráfico deste post mostra. Mas talvez mais preocupante são os indicadores da população activa (67,1% em 2008) e os rácios de "dependência": em 2008, estima-se que para cada 100 jovens havia 115 idosos...

E o que nos trazem de positivo estas novas estimativas? Bem, a maior longevidade da população, o decréscimo da taxa de mortalidade infantil (algo que nos deveríamos orgulhar, pois estamos entre os melhores do mundo) e uma ligeira melhoria da taxa de natalidade em relação ao 2007.

São estes os números e tendência que ensombram todas e quaisquer políticas económicas de médio/longo prazo. O que fazer para contrariar esta tendência demográfica? Estimular a natalidade. Promovê-la a sério. E que mais se pode fazer? Estimular a produtividade. E que mais? Uma política inteligente de imigração.

O grande desafio é, quanto a mim, desenhar políticas que estimulem e promovam, de uma forma óptima, produtividade e natalidade. Ah, e já agora, que se combinem bem com políticas de imigração. Serão objectivos incompatíveis?

O texto completo do destaque do INE pode ser lido aqui.
--------------
PS: um dia depois à publicação do INE, o Público faz título de primeira página a partir destas estatísticas. Mas a dar ênfase à emigração, para dizer que há mais gente a sair de Portugal... Enfim, cada um é livre de dar a ênfase que quer. Até porque devemos ter em atenção de que talvez muitos dos que saem podem ser ex-imigrantes e não apenas "portugueses" altamente qualificados, como parece que o artigo quer fazer crer. Além do mais, tal como digo no post, o cálculo do saldo migratório é a parte mais complicada nesta estatística e, como tal, deve ser lida com alguma reserva e descrição... (eu não daria ênfase de primeira página!)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Comparação entre a crise actual e a Grande Depressão de 1929

A comparação entre a actual crise económica e a Grande Depressão é um dos temas que tem suscitado algum debate nos media e na blogosfera. Neste contexto, é possível encontrar as mais diversas opiniões, gráficos e análises que apoiam as mais variadas conclusões sobre, por exemplo, a extensão e a gravidade da recessão económica que atravessamos.

Há de quase tudo para quase todos os gostos. Se não concordam, vejam os dois gráficos seguintes. O primeiro, que pode ser acedido aqui, num site de dois reputadíssimos economistas, parece apoiar a ideia de que a recessão actual é pior do que a enfrentada em 1929.

Já neste gráfico, retirado daqui, de um site menos reputado, a história é exactamente a oposta: o efeito da Grande Depressão, uma vez mais aferido através do comportamento do mercado de capitais, foi mais poderoso do que o efeito provocado pela crise económica acual.


Confusos? Não há razão para isso.

Isto porque um gráfico e a sua apresentação tem muito que se lhe diga. Assim, não nos devemos esquecer de que o que estamos a ver (e a comparar) são duas séries temporais diferentes: uma "oferece" dados mensais, a outra dados diários; uma tem como base de partida da Grande Depressão Junho de 1929, a outra Setembro de 1929; uma fala em World Stock markets a outra no índice Dow Jones, outra tem como base de partida da actual crise Abril de 2009, a outra inicia a série num período de tempo mais alargado, a partir de Outubro de 2007 (i.e., no pico do índice)... E assim por adiante.

Todas estas nuances podem ter importância no aspecto visual final dos gráficos. De qualquer forma, poder-se-á argumentar que mesmo que estas nuances alterem o aspecto numérico do gráfico, a análise qualitativa ou de tendência geral que se extraem dos mesmos é una e inalterável. Afinal de contas estamos a analisar as mesmas realidades socias! Ou não é assim?

Sim, são as mesmas realidades sociais. O problema é que os instrumentos que usamos para as definir não estão isentos de subjectividade. Um exemplo: a escolha das bases de partida das crises económicas é algo que é deixado ao critério do autor dos gráficos. É algo subjectivo, pelo que a simples mudança de base de partida pode, em séries temporais como as que são acima retratadas, originar aspectos visuais dos gráficos e conclusões completamente diferentes... Enfim, um gráfico e a sua apresentação tem muito que se lhe diga.

Para mim parece-me óbvio que se pode lucrar com a discussão sobre este tema, podendo retirar-se ensinamentos da crise de 1929. Especialmente no que se pode extrair através da comparação das diferenças entre as duas crises e no que toca à condução da política económica. Ben Bernanke, o actual presidente do FED, é tido como um especialista sobre o período da Grande Depressão, sendo esta característica por vezes apontada na comunicação social como determinante para a rapidez e a agressividade das medidas de política monetária adoptadas sob o seu mandato.

No entanto, penso que fazer-se coisas como previsões sobre a duração ou a gravidade da actual crise tendo como medida-padrão a crise de 1929, é um exercício que deve ser feito com muita cautela e – como o exemplo dos gráficos acima mostra – com a ideia sempre presente de que serão sempre subjectivas.

É que, caso não o façamos desta forma, estamos sujeitos a ouvir que, como foi referido aqui, Comparing 1929 to 2008 is a bit like comparing a Model T to a 2008 Chevy: They're both cars, but that doesn't mean they're both the same."

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cork, Irlanda

Há umas semanas atrás, estive uns dias em Cork, a segunda maior cidade da República da Irlanda (tem cerca de 200 mil habitantes).

Apesar de não ter tido muito tempo para ver a cidade, deu para ver que esta é uma cidade onde os efeitos da recessão económica estão bem presentes: lojas a fechar, descontos por todo o lado, restaurantes de luxo com ementas a preços acessíveis, blocos de escritórios vazios.

Não é de espantar. A Irlanda, outrora apelidada de “Tigre Celta”, país apontado como o exemplo a seguir por muitos (Portugal inclusive), país que teve taxas de crescimento reais do seu produto interno bruto na ordem dos dois dígitos, encontra-se actualmente com uma taxa de desemprego na ordem dos 11%, taxas de inflação negativas, previsão de um decrescimento do PIB na ordem dos 9% e reduções salariais no funcionalismo público na ordem dos 10%.

Tal como Portugal, espera-se que a sua economia retome o caminho do crescimento de uma forma consistente apenas em 2011. Enfim, veremos como se comporta a economia mundial e como economias mais ou menos periféricas como a Irlanda e Portugal se vão sair disto tudo.

Entretanto esta “crise” pode ser vista como uma "janela de oportunidade turística” para os portugueses. Com os preços a baixar, com voos directos entre Lisboa e Cork (Air Lingus), por que não trocar (pelo menos em parte) as mais do que batidas férias de sol e praia por algo diferente e dar um pulinho à Irlanda?

Vai uma pint de Murphy?

domingo, 19 de julho de 2009

O complexo dos angolanos

Por diversas razões, poucas têm sido as vezes que segui os Jogos da Lusofonia. Vi algumas transmissões de Portugal com vários países (Brasil, Guiné, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé, etc.). Hoje vi a reportagem do jogo de futebol entre Portugal e Angola. Portugal ganhou (4-1) mas o que sobrou do jogo foi, mais uma vez, o péssimo comportamento desportivo da(s) selecção(ões) angolanas de futebol. Sobretudo quando jogam com Portugal. Cálculo que seja um qualquer complexo motivado pela necessidade de se mostrarem superiores aos outros (em particular aos portugueses), mas o comportamente recorrente da sua selecção de futebol apenas demonstra superioridade na falta de desportivismo, de educação, de humildade, etc. Meus caros, para quando acabarem um jogo com 11 jogadores e sem tiques de vedetas mal formadas?
PS: só para informação, no jogo de ontem, havia 1-0 para Angola quando os seus jogadores resolveram reincidir nos comportamentos enunciados e fazerem o seu harakiri habitual.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Especialistas

Numa notícia do Diário Económico de Segunda-feira, escrita sob o auspicioso subtítulo No dia em que António Costa apresenta candidatura, quatro especialistas “resolvem” os problemas da cidade, lemos que, na opinião de um dos experts, "é necessário definir, com base em estudos prévios, que usos dar às vias de circulação".

Logo a seguir, o leitor tem o prazer de se deparar com a solução para os problemas relacionados com a falta de segurança na capital portuguesa. Desta feita ela é dada, de borla aliás, por um outro colega especialista. E qual é a solução? Não adivinham? Não?! Pois bem, a solução é, nada mais, nada menos do que um… estudo!

Sim, nas palavras do especialista, a solução é "um estudo sobre a criminalidade para se poderem reposicionarem as esquadras no mapa de Lisboa”. Quem fala assim não é gago!

O problema é que com tantos estudos, fico, definitivamente, baralhado. E digo isto com sinceridade, pois parte do que actualmente faço pode muito bem ser considerado trabalho de um... especialista. E na minha opinião, o papel principal de um especialista é o de aconselhar e o de apresentar soluções. Não o de estudar ou o de fazer estudos.

Bem sei que aconselhar necessita de muita experiência, conhecimento técnico, estudo ou a da realização de estudos. Mas tanta vontade revelada em realizá-los cheira, pelos menos a mim, a esturro.

Especialmente nesta altura em que, como o próprio sub-título acima referido nos lembra, já entrámos numa espécie de campanha pré-eleitoral para as autárquicas. Um abraço de Atenas!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

As trapalhadas de Manuela

A vida até lhe tinha vindo a correr bem desde as Europeias. Não necessitava de falar (Rangel falava por ela), não necessitava de ir para a rua (Rangel ia por ela). Mas os resultados das Europeias revelaram uma coisa que ninguém esperava (sobretudo no PSD): afnal o PSD poderia ganhar as legislativas. Ora, quando cheira a poder toca a rebate e todos congregam à volta de quem lidera. E quem lidera começa ater necessidade de falar e propor coisas. Aí está o problema. A vida corria bem a Manuela Ferreira Leite até ter de começar a falar e propor alternativas. A trapalhada com "rasga" / "não rasga" das políticas sócio-económicas do governo PS são apenas o fenómeno mais mediático. Outros virão seguramente (aposto para já nas obras públicas e na avaliação dos professores). E é pena a inaptidão de Manuela Ferreira Leite em termos comunicacionais porque a vida até lhe estava a correr bem e em termos de credibilidade e de política económica goleava Sócrates. Vamos aguardar pelos próximos capítulos

As duplas candidaturas no PS

A reboque do PSD, o “Eng.” Sócrates lá se decidiu: quem é candidato a uma Câmara não o pode ser à AR. Uma excelente decisão, não tivesse ela sido tomada apenas por motivos táctico-político e não por uma questão princípios ou de transparência. Senão vejamos (os pontos seguintes resultam das declarações de José Sócrates à comunicação social):
1) Sócrates não se lembrou dela na questão das Europeias/autárquicas: Elisa Ferreira e Ana Gomes;
2) Sócrates não tomou a decisão porque acha que, por uma questão de princípios, quem é candidato a uma autarquia não deve acumular essa candidatura com qualquer outra candidatura, simultânea no tempo (o chamado “garantir o tacho”);
3) Sócrates acha que não deve acumular apenas porque são eleições muito próximas no tempo. Logo, pressuponho que se as eleições autárquicas fossem em 2010, os deputados já se poderiam candidatar, mesmos não fazendo a menor tensão de assumir um cargo de vereador (iam lá agora perder o tacho de deputado);
4) Sócrates acha que, no caso de Ferreira e Gomes, não há um caso de dupla candidatura. Segundo o Mesmo Sócrates “(…) no limite, houve um caso de dupla candidatura (…)”, mas já não há. Suponho que porque as duas senhoras já são deputadas europeias e agora apenas são candidatas autárquicas.
Eu, como felizmente não voto nem no Porto nem em Sintra, as candidaturas das duas senhores não me afectam em termos de escolha. Agora, parece-me que ambas mereciam um belo pontapé no traseiro, dado pelos eleitores desses dois concelhos. A desfaçatez tem limites.
PS: Peço desculpa pela linguagem deste post, mas penso que deve ser influência dos factos ocorridos na semana passada masa, de facto, neste caso, Sócrates e as senhoras Elisa e Ana merecem todo o achincalhamento público que tem sido feito e que ainda venha a ser feito. Por mim, a Elisa e a Ana para Estrasburgo, JÁ! Não deixem arrefecer o tacho.

Exposição a não perder

No aeroporto de Lisboa deparei-me com um cartaz sobre a exposição Encompassing the globe: Portugal and the World in the 16th and 17th centuries que esteve no Smithsonian Institution em Washington em 2007.

Finalmente em Portugal, pode ser vista a partir do dia 16 deste mês até ao dia 11 de Outubro no museu de arte Antiga em Lisboa. Algo a não perder. Mais informação sobre a exposição podem ser obtidas aqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Galegos em Lisboa


Como bem sabe qualquer bom “alfacinha” (tanto seja de gema ou de adopção), a história da emigração galega em Portugal está intimamente ligada ao desenvolvimento da cidade de Lisboa.

Sobre este tema, a web galega “Vieiros” (http://www.vieiros.com/) referencia um livro do autor galego Xan Leira que apresenta a história dos últimos 500 anos de emigração galega à nossa cidade. Sem dúvida, uma leitura para as minhas férias de verão!!!

http://www.vieiros.com/nova/71497/a-memoria-da-lisboa-galega

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Chifres


Reconheço que o assunto já enjoa, mas os caros colegas do blogue devem confessar uma coisa: tem muita piada!!!

Eu, como espanhol, ainda não cheguei a perceber: é mesmo assim tão grave o gesto do “obviamente demitido” (Publico dixit) ex-ministro Pinho? Atenção, não estou a argumentar (nem a favor nem contra) com estilo mistura entre sarcasmo barato e intelectualismo de saldo (o meu “blend” mais habitual). Como estrangeiro, pergunto às V. Exas. se é assim uma ofensa tão grave fazer o gesto.

OK, a educação e boas maneiras com que se devem conduzir os representantes do Povo na Assembleia exigem total correcção. Mas realmente, deve ter sido coisa muito dura, para demitir um ministro!!! Deveriam ver vocês o que se chamam normalmente nas Cortes espanholas…

Insisto: quero uma explicação sobre o significado. Já pedi à minha mulher (portuguesa), e ela só acertou a dizer: “bom, não é coisa que se faça”. Mas eu insisti sobre o significado, e ela não conseguiu concretizar. Trago agora a pergunta junto deste distinto foro. E para ajudar na resposta, trago também uma série de resposta possíveis: qual dos significados seguintes acham vocês que é o mais certo?

MAIS SIMPÁTICOS:
1) A V. Exa. tem o cabelo um pouco desarrumado, saem assim uns cornichos de lado veja lá se lhe passa um peite;
2) Meu caro amigo, quer vir comigo a Barrancos? Também há coisas boas na programação do Campo Pequeno…
3) Olha, queres ir almoçar? Vou à tasca do Zé comer rabo de boi estufado. Até vais lamber o prato!!!
4) Ontem bati com o carro oficial numa vaca na A2, caminho de Aljustrel, tinha uns chifres deste tamanho!!! Partiu-me o frontal todo!!!

MENOS SIMPÁTICOS:
1) Todos os comunas têm chifres e cauda, seu bolchevique da treta!!!
2) Até os caracóis pensam mais rápido do que tu, pá!!!
3) Não percebes nada, és um ganda boi, meu!!!
4) És burro, BURRO!!! Como é que vais perceber isto se nem percebes que a tua mulher anda a…

Ficam desafiados. Caso se lembrem de algum outro significado, agradeço sugestões.

P.S: Agradeço também que deixem ficar de fora das vossas ilustres respostas leitura políticas inteligentes (ou também das outras). É 2ª feira, pelo amor de Deus!!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Roaming mais barato a partir de hoje

Uma boa notícia para todos aqueles que têm a necessidade de utilizar comunicações móveis por esta Europa fora. A partir de hoje, os preços das chamadas telefónicas, SMS e utilização da Internet móvel baixam na União Europeia.

Ora aqui está um exemplo da actuação da União Europeia com efeitos visíveis na vida dos cidadãos. Uma medida aplicada com o intuito de proteger o consumidor e de evitar o aparecimento de contas "exorbitantes de telemóvel". Fica a dúvida. Será que foi este tipo de contas, que também deveriam fazer das suas e aparecer nas caixas de correio de funcionários públicos europeus, que fez com que se tenha "despertado" para o assunto?

Não sei. Só sei que hoje mesmo vou beneficiar desta medida. Obrigado União Europeia! Eu cá não sou ingrato nem mal-agradecido...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Algumas leituras interessantes

Estou quase a acabar O Cisne Negro de Nassim Nicholas Taleb. É um livro muito interessante e bastante polémico porque faz uma crítica (por vezes cruel) dos instrumentos e da forma de pensar de muitos economistas e estatísticos.

A mensagem de Taleb é clara: o mundo não é descrito por uma normal. Num ambiente cada vez mais globalizado e integrado, são os fenómenos extremos, na maior parte das vezes completamente imprevisíveis, aqueles que interessam e aqueles que marcam a vida de todos nós. Neste contexto, todos as políticas e análises feitas com base no conceito da normalidade são irrelevantes. É fácil ver por que razão muitos economistas e estatísticos devem achar o livro de Taleb polémico e irritante.

Polémicas à parte (para ter uma ideia delas basta ir à wikipédia e ver o que é dito sobre o autor), acho que o livro, tal como o trabalho de investigadoras como Deirdre McCloskey - aliás já referida neste blogue - deveriam ser referências obrigatórias em qualquer curso de economia. Ou não é a partir da confrontação de ideias que o conhecimento se desenvolve?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rescaldo (tardio) das eleições europeias - parte II (Europa)

Portugal faz parte do grupo de países em que os governos foram fortemente penalizados. Referenciando apenas os principais Estados, é curioso o facto de três dos governos mais penalizadas serem de esquerda (Brown em Inglaterra, Zapatero em Espanha e Sócrates em Portugal). Ao invés, governos de direita foram poupados e alguns reforçaram posições (Merkel na Alemanha, Sarkozy na França e o inenarrável Berlusconi em Itália). Dada crise económica e a constante atribuições de responsabilidades, pela esquerda europeia, ao sistema capitalista, seria de prever que os povos se sentissem tentados a punir as políticas mais ligadas ao mercado, privilegiando aqueles que advogam o Estado e cada vez mais Estado. Tal não sucedeu. Os europeus pareceram querer dizer que, se nem tudo corre bem a nível económico, não é o Estado e a sua crescente acção que irão resolver esses problemas. Ou seja, uma coisa são os “sound-bites” da maioria dos analistas (esmagadoramente de esquerda) outra é a percepção dos indivíduos sobre quem pode e como se pode ultrapassar a crise económica. Afinal ainda há esperança. Afinal ainda há uma imensa maioria que acredita no mercado e que diz não a conceitos estatizantes para a economia.

Rescaldo (tardio) das eleições europeias - parte I (nacional)

E a surpresa aconteceu mesmo. A última vez que escrevi sobre o assunto, no início da pré-campanha aquando de um debate a cinco no programa “Prós e Contras”, lembro-me que destaquei aquilo que me parecia ter sido uma péssima opção de José Sócrates pelo candidato Vital. Vital revelou-se um verdadeiro desastre. A todos os níveis. Aliás nesse debate, Miguel Portas tinha deixado isso bem claro. Assim, quando ainda há apenas dois meses atrás se falava se o PS iria ou não ter nova maioria absoluta, hoje especula-se sobre quem ganhará as próximas legislativas. O resultado das Europeias pode criar um certo elán nas hostes do PSD e o toca a reunir é sempre muito forte quando se começa a sentir o cheiro do poder. O PS, ao invés, pode cair numa onda de descrença que pode desmotivar os seus apoiantes. Para já, penso que o PS ainda está bem à frente do PSD mas que as coisas podem inverter-se. Paulo Rangel, quem diria, revelou-se uma excelente aposta de Manuela Ferreira Leite. Esta agora terá de começar a apresentar as propostas políticas, económicas e sociais para o caso de ter de vir a formar governo. O CDS sobreviveu mais uma vez às péssimas sondagens que davam como perdendo a sua representação no Parlamento Europeu. Resistiram e mantiveram os seus dois deputados. Aliás, apesar do exagerado pedido de audição ao presidente da República a este propósito, Paulo Portas tem alguma razão na eventual desmobilização e quase apelo ao voto útil que este tipo sistemático de sondagens tem sobre o seu partido. O PCP perdeu para o BE. Com isto vê o BE eleger um 3º deputado e mantém os seus dois. O BE, apesar do 3º deputado in-extremis, ficou longe dos 15, 16 e 17% que algumas sondagens indicavam. Apesar de tudo continua a subir. Vá-se lá saber como e porquê, digo eu. Agora preparemo-nos para as legislativas. O que parecia um passeio do ainda arrogante José Sócrates, pode ter-se transformado numa renhida luta pela vitória.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Notas dispersas sobre Bucareste

Encontrei um restaurante Gambrinus em Bucareste. Não é assim tão extraordinário quanto isso. Parece que Gambrinus é o nome do santo padroeiro da cerveja. Mas ao contrário do restaurante de luxo Lisboeta, o de Bucareste já não funciona...

Encontrei Bucareste assim, com muitas portas fechadas e edifícios por restaurar.

É extraordinária a forma como os cabos de electricidade (ou de telefone?) são tratados nesta cidade. No entanto, milagre dos milagres, parece que tudo funciona. Não encontrei "puxadas". Estes postes, com carradas de fios, encontram-se por toda a cidade. Tirei a fotografia que acima podem ver perto de uma das avenidas principais de Bucareste.

O palácio que alberga o Parlamento. Mandada construir pelo ditador Nicolae Ceauşescu, muita gente em Bucareste não gosta dele. É, muito provavelmente, o edifício mais conhecido da cidade.

" A vida inspira-me", slogan do Millennium, desta feita em romeno. Também encontrei sinal do capitalismo português em Atenas.

Que mais há a dizer? Parques amplos. Famílias a passear nos parques. Mesmo de noite. Segurança. Ciclovias em praticamente toda a cidade e, por estranho que pareça, bicicletas na estrada. Trânsito infernal. Carros estacionados por toda a parte (mesmo em cima das ciclovias; eis a resposta para as bicicletas na estrada?). Preço de uma refeição por metade do que se consegue em Lisboa...

Tiananmen


Caros. Parece que com as (más) notícias campanha eleitoral e as (piores) notícias económicas passou por nós sem ser lembrado o aniversário dos protestos da praça de Tianamen. Não há muito a dizer, só lembrar aqueles que acreditaram que a sua atitude podia tornar o seu país um lugar melhor. Junto um link para umas imagens contemporâneas.
http://www.youtube.com/watch?v=XJBnHMpHGRY

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Previsões e notícias do Banco Central Europeu

Hoje a principal notícia vinda do Banco Central Europeu (BCE) não foi tanto a manutenção da taxa de juro de referência nos 1% (acção que era esperada pela grande maioria dos analistas), mas a divulgação das Eurosystem staff macroeconomic projections para a economia da zona Euro.

Estas projecções têm algumas particularidades técnicas engraçadas. Uma delas é que são apresentadas sob a forma de intervalos de confiança. Uma raridade, se tivermos em conta o que é feito por outras instituições internacionais (FMI, Comissão Europeia, et cetera). Esta é, na minha modesta opinião, uma forma mais transparente de apresentar este tipo de informação ao público.

Também é verdade que exige mais algum poder de interpretação de quem lê. Por isso o título da notícia on-line do jornal Público de hoje sobe esta matéria não seja, provavelmente, a que melhor se adapta à informação fornecida pelo BCE. (ver título aqui)

Mas voltemos às previsões. Para 2009 estimam que o PIB da zona Euro irá variar entre -5,1% e -4,1%. Para 2010 entre -1,0% e uns míseros 0,4%.

Mas talvez mais importante do que os números em si mesmo é a informação de índole qualitativa que se consegue extrair deste tipo de informação. Ou, o que é o mesmo, tentar reduzir toda a informação num único sinal. Para mim ele é o de que, de acordo com a informação disponível até agora, os técnicos do sistema de bancos centrais europeus acham que a recuperação económica nem em 2010 se vai ver. Na melhor das hipóteses apenas veremos um moderado crescimento com taxas de crescimento positivas nos últimos trimestres desse ano.

O texto com as projecções dos especialistas do sistema Europeu de Bancos Centrais pode ser encontrado aqui.

A campanha torpe do camarada Vital

Tenho dado a atenção mínima ao que já vai da campanha eleitoral para o Parlamento Europeu. E confesso que a impressão não é boa. Isto para ser simpático. Da esquerda à direita. No entanto há uma campanha particularmente má. Não má no sentido da comunicação ou dos outdoors. Péssima pelo serviço que está a prestar a uma campanha que, não esquecendo os temas nacionais, teria que ser mais elevada. Até porque o seu cabeça de lista apresentou-se como querendo falar apenas de temas europeus. No entanto, e sabemos como é difícil renegar os ensinamentos e a velha escola onda se faz a aprendizagem para a vida, o Camarada Vital simplesmente deixou de debater e resume as suas intervenções a insinuações suja, baixas, torpes e os demais adjectivos qualificativos para as suas intervenções. São intervenções ao velho estilo estalinista de, se queres destruir alguém arrasa a sua reputação, lançando boatos e calúnias que haverão de fazer o seu caminho. O que o camarada Vital está a fazer com o caso BPN é vergonhoso. Talvez porque já não possa falar de mais nenhum assunto, tantas são as suas incongruências com o partido que agora integra. Se o camarada Vital tem provas do envolvimento do PSD e dos seus actuais dirigentes que as apresente. Se sabe de algo que os demais não sabem, que o divulgue. Agora repetir insinuações, dias seguidos, sobre o envolvimento de um partido (todo o partido) num caso do foro dos negócios é baixo, é vil, é uma atitude canalha que mostra bem que jamais saberá viver com as regras da democracia e jamais esquecerá os esquemas praticados nas piores ditaduras de que temos memória. No jogo democrático não pode valer tudo. No fundo, Vital é uma saudosista. Mas isto é um sinal do país que temos, especialmente de há 10 anos para cá. Jornais, televisões e rádios, políticos, magistrados e bastonários, entre outros, com bases em fontes que preferem manter o anonimato, lançam suspeições sobre tudo e sobre todos, muitas vezes sem razão mas que afectam o bom nome dos visados e podem hipotecar as suas legítimas aspirações. Portugal hoje assemelha-se pouco a uma democracia. Tornou-se um país de delatores, de denunciadores, de caluniadores. Tendo isto como pano de fundo, em quem poderemos acreditar? É todo um país que perde a sua credibilidade. Mais, nunca se sabe quando aparece uma denúncia anónima que, por um acaso, é comunicado como um facto consumado.