terça-feira, 14 de julho de 2009
Especialistas
Logo a seguir, o leitor tem o prazer de se deparar com a solução para os problemas relacionados com a falta de segurança na capital portuguesa. Desta feita ela é dada, de borla aliás, por um outro colega especialista. E qual é a solução? Não adivinham? Não?! Pois bem, a solução é, nada mais, nada menos do que um… estudo!
Sim, nas palavras do especialista, a solução é "um estudo sobre a criminalidade para se poderem reposicionarem as esquadras no mapa de Lisboa”. Quem fala assim não é gago!
O problema é que com tantos estudos, fico, definitivamente, baralhado. E digo isto com sinceridade, pois parte do que actualmente faço pode muito bem ser considerado trabalho de um... especialista. E na minha opinião, o papel principal de um especialista é o de aconselhar e o de apresentar soluções. Não o de estudar ou o de fazer estudos.
Bem sei que aconselhar necessita de muita experiência, conhecimento técnico, estudo ou a da realização de estudos. Mas tanta vontade revelada em realizá-los cheira, pelos menos a mim, a esturro.
Especialmente nesta altura em que, como o próprio sub-título acima referido nos lembra, já entrámos numa espécie de campanha pré-eleitoral para as autárquicas. Um abraço de Atenas!
segunda-feira, 13 de julho de 2009
As trapalhadas de Manuela
As duplas candidaturas no PS
1) Sócrates não se lembrou dela na questão das Europeias/autárquicas: Elisa Ferreira e Ana Gomes;
2) Sócrates não tomou a decisão porque acha que, por uma questão de princípios, quem é candidato a uma autarquia não deve acumular essa candidatura com qualquer outra candidatura, simultânea no tempo (o chamado “garantir o tacho”);
3) Sócrates acha que não deve acumular apenas porque são eleições muito próximas no tempo. Logo, pressuponho que se as eleições autárquicas fossem em 2010, os deputados já se poderiam candidatar, mesmos não fazendo a menor tensão de assumir um cargo de vereador (iam lá agora perder o tacho de deputado);
4) Sócrates acha que, no caso de Ferreira e Gomes, não há um caso de dupla candidatura. Segundo o Mesmo Sócrates “(…) no limite, houve um caso de dupla candidatura (…)”, mas já não há. Suponho que porque as duas senhoras já são deputadas europeias e agora apenas são candidatas autárquicas.
Eu, como felizmente não voto nem no Porto nem em Sintra, as candidaturas das duas senhores não me afectam em termos de escolha. Agora, parece-me que ambas mereciam um belo pontapé no traseiro, dado pelos eleitores desses dois concelhos. A desfaçatez tem limites.
Exposição a não perder
No aeroporto de Lisboa deparei-me com um cartaz sobre a exposição Encompassing the globe: Portugal and the World in the 16th and 17th centuries que esteve no Smithsonian Institution em Washington em 2007.Finalmente em Portugal, pode ser vista a partir do dia 16 deste mês até ao dia 11 de Outubro no museu de arte Antiga em Lisboa. Algo a não perder. Mais informação sobre a exposição podem ser obtidas aqui.
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Galegos em Lisboa

Sobre este tema, a web galega “Vieiros” (http://www.vieiros.com/) referencia um livro do autor galego Xan Leira que apresenta a história dos últimos 500 anos de emigração galega à nossa cidade. Sem dúvida, uma leitura para as minhas férias de verão!!!
http://www.vieiros.com/nova/71497/a-memoria-da-lisboa-galega
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Chifres

Eu, como espanhol, ainda não cheguei a perceber: é mesmo assim tão grave o gesto do “obviamente demitido” (Publico dixit) ex-ministro Pinho? Atenção, não estou a argumentar (nem a favor nem contra) com estilo mistura entre sarcasmo barato e intelectualismo de saldo (o meu “blend” mais habitual). Como estrangeiro, pergunto às V. Exas. se é assim uma ofensa tão grave fazer o gesto.
OK, a educação e boas maneiras com que se devem conduzir os representantes do Povo na Assembleia exigem total correcção. Mas realmente, deve ter sido coisa muito dura, para demitir um ministro!!! Deveriam ver vocês o que se chamam normalmente nas Cortes espanholas…
Insisto: quero uma explicação sobre o significado. Já pedi à minha mulher (portuguesa), e ela só acertou a dizer: “bom, não é coisa que se faça”. Mas eu insisti sobre o significado, e ela não conseguiu concretizar. Trago agora a pergunta junto deste distinto foro. E para ajudar na resposta, trago também uma série de resposta possíveis: qual dos significados seguintes acham vocês que é o mais certo?
MAIS SIMPÁTICOS:
1) A V. Exa. tem o cabelo um pouco desarrumado, saem assim uns cornichos de lado veja lá se lhe passa um peite;
2) Meu caro amigo, quer vir comigo a Barrancos? Também há coisas boas na programação do Campo Pequeno…
3) Olha, queres ir almoçar? Vou à tasca do Zé comer rabo de boi estufado. Até vais lamber o prato!!!
4) Ontem bati com o carro oficial numa vaca na A2, caminho de Aljustrel, tinha uns chifres deste tamanho!!! Partiu-me o frontal todo!!!
MENOS SIMPÁTICOS:
1) Todos os comunas têm chifres e cauda, seu bolchevique da treta!!!
2) Até os caracóis pensam mais rápido do que tu, pá!!!
3) Não percebes nada, és um ganda boi, meu!!!
4) És burro, BURRO!!! Como é que vais perceber isto se nem percebes que a tua mulher anda a…
Ficam desafiados. Caso se lembrem de algum outro significado, agradeço sugestões.
P.S: Agradeço também que deixem ficar de fora das vossas ilustres respostas leitura políticas inteligentes (ou também das outras). É 2ª feira, pelo amor de Deus!!!
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Roaming mais barato a partir de hoje
Ora aqui está um exemplo da actuação da União Europeia com efeitos visíveis na vida dos cidadãos. Uma medida aplicada com o intuito de proteger o consumidor e de evitar o aparecimento de contas "exorbitantes de telemóvel". Fica a dúvida. Será que foi este tipo de contas, que também deveriam fazer das suas e aparecer nas caixas de correio de funcionários públicos europeus, que fez com que se tenha "despertado" para o assunto?
Não sei. Só sei que hoje mesmo vou beneficiar desta medida. Obrigado União Europeia! Eu cá não sou ingrato nem mal-agradecido...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Algumas leituras interessantes
A mensagem de Taleb é clara: o mundo não é descrito por uma normal. Num ambiente cada vez mais globalizado e integrado, são os fenómenos extremos, na maior parte das vezes completamente imprevisíveis, aqueles que interessam e aqueles que marcam a vida de todos nós. Neste contexto, todos as políticas e análises feitas com base no conceito da normalidade são irrelevantes. É fácil ver por que razão muitos economistas e estatísticos devem achar o livro de Taleb polémico e irritante.
Polémicas à parte (para ter uma ideia delas basta ir à wikipédia e ver o que é dito sobre o autor), acho que o livro, tal como o trabalho de investigadoras como Deirdre McCloskey - aliás já referida neste blogue - deveriam ser referências obrigatórias em qualquer curso de economia. Ou não é a partir da confrontação de ideias que o conhecimento se desenvolve?
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Rescaldo (tardio) das eleições europeias - parte II (Europa)
Rescaldo (tardio) das eleições europeias - parte I (nacional)
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Notas dispersas sobre Bucareste
Encontrei um restaurante Gambrinus em Bucareste. Não é assim tão extraordinário quanto isso. Parece que Gambrinus é o nome do santo padroeiro da cerveja. Mas ao contrário do restaurante de luxo Lisboeta, o de Bucareste já não funciona...Encontrei Bucareste assim, com muitas portas fechadas e edifícios por restaurar.
É extraordinária a forma como os cabos de electricidade (ou de telefone?) são tratados nesta cidade. No entanto, milagre dos milagres, parece que tudo funciona. Não encontrei "puxadas". Estes postes, com carradas de fios, encontram-se por toda a cidade. Tirei a fotografia que acima podem ver perto de uma das avenidas principais de Bucareste.
O palácio que alberga o Parlamento. Mandada construir pelo ditador Nicolae Ceauşescu, muita gente em Bucareste não gosta dele. É, muito provavelmente, o edifício mais conhecido da cidade.
" A vida inspira-me", slogan do Millennium, desta feita em romeno. Também encontrei sinal do capitalismo português em Atenas. Tiananmen

http://www.youtube.com/watch?v=XJBnHMpHGRY
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Previsões e notícias do Banco Central Europeu
Estas projecções têm algumas particularidades técnicas engraçadas. Uma delas é que são apresentadas sob a forma de intervalos de confiança. Uma raridade, se tivermos em conta o que é feito por outras instituições internacionais (FMI, Comissão Europeia, et cetera). Esta é, na minha modesta opinião, uma forma mais transparente de apresentar este tipo de informação ao público.
Também é verdade que exige mais algum poder de interpretação de quem lê. Por isso o título da notícia on-line do jornal Público de hoje sobe esta matéria não seja, provavelmente, a que melhor se adapta à informação fornecida pelo BCE. (ver título aqui)
Mas voltemos às previsões. Para 2009 estimam que o PIB da zona Euro irá variar entre -5,1% e -4,1%. Para 2010 entre -1,0% e uns míseros 0,4%.
Mas talvez mais importante do que os números em si mesmo é a informação de índole qualitativa que se consegue extrair deste tipo de informação. Ou, o que é o mesmo, tentar reduzir toda a informação num único sinal. Para mim ele é o de que, de acordo com a informação disponível até agora, os técnicos do sistema de bancos centrais europeus acham que a recuperação económica nem em 2010 se vai ver. Na melhor das hipóteses apenas veremos um moderado crescimento com taxas de crescimento positivas nos últimos trimestres desse ano.
O texto com as projecções dos especialistas do sistema Europeu de Bancos Centrais pode ser encontrado aqui.
A campanha torpe do camarada Vital
domingo, 31 de maio de 2009
BPN e BPP: A crise contada pelo El País
http://www.elpais.com/articulo/empresas/Banca/deriva/Portugal/elpepueconeg/20090531elpnegemp_4/Tes
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Esquadras de Turismo
Primeira surpresa. Confesso que não sabia que existiam “esquadras de turismo”. Aquela que foi usada localiza-se na Praça dos Restauradores. Suponho que a sua existência se deva ao facto dos turistas necessitarem, ao contrário da fauna autóctone, de competências especiais dos polícias (maior celeridade dos processos, conhecimento de línguas, etc). Não sei, mas até pode ter alguma razão de ser.
Depois de prestar todas as informações à PSP, sucede que a minha conhecida teve de voltar para o seu país de origem. Fim da história? Não. Passado cerca de um mês, a polícia portuguesa envia-lhe uma carta para a sua caixa de correio.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Loureiro
...Os cargos têm uma dignidade e a importância dessa dignidade deve sobrelevar qualquer outro valor..., independentemente do juízo que faço da inocência do doutor Dias Loureiro, que respeito... O que está em causa não é a pessoa, mas a dignidade do cargo... Declarações de João Lobo Antunes, conselheiro de Estado, transcritas no site da TSF, sobre a continuidade de Dias Loureiro como conselheiro de Estado.
É preciso dizer mais?
terça-feira, 26 de maio de 2009
Quem disse que o Bloco não quer ser Governo?
Isto porque tenho para comigo a ideia de ser precisamente o segmento eleitoral dos jovens (urbanos) aquele em que o Bloco tem mais facilidade em passar a sua mensagem.
Parece-me que este assunto é pouco relevante. Afinal de contas, o que é que ganhamos com esta discussão e com o baixar da fasquia para os 16? E já agora, se vamos incluir os 16 e os 17 anos, por que não ter também eleitores de 15 anos? E de 13? E aqueles que, como alguns políticos da nossa praça, mal tinham saído da maternidade, já andavam a ler e a discursar sobre a vida e a obra de Marx ou - para não ser acusado de ser faccioso - de Hayek?
Já agora, aproveito a oportunidade para dizer que acho, tendo em conta as dificuldades que muitas pessoas neste País atravessam, quase pornográficos os montantes que o Tribunal Constitucional diz que vão ser gastos pelos partidos com publicidade nesta campanha eleitoral.
Algo realmente diferente
Domingo, dia 24 de Maio, o filme “Arena”, de João Salaviza, de 25 anos, arrecadou a Palma de Ouro do Júri para a melhor Curta-metragem, um dos oito prémios principais do festival de Cannes. Foi a primeira distinção do tipo para um cineasta português.Em Roland Garros, dois tenistas portugueses passaram à ronda seguinte desta prova mítica. Eis duas notícias que são diferentes do que (infelizmente) estamos habituados a ouvir. Parabéns aos protagonistas individuais das notícias.
Mas, já agora, parabéns também para o cinema e para o ténis portugueses. Felizmente parece existir por aí muita gente nova com talento e vontade de vencer. Que continuem com ganas de ter sucesso nas suas respectivas profissões!
sábado, 23 de maio de 2009
TSF
Dependendo da maior ou menor generosidade das pessoas que gerem os aeroportos por onde passo, por vezes consigo aceder à Internet de borla e, desta forma, actualizar-me em relação ao que não consegui ver ou ouvir em Portugal.
O site da TSF é um dos locais que normalmente visito para descarregar no meu mp3 alguns programas que, de outra forma, nunca teria tido a oportunidade de ouvir. Esta rádio tem, felizmente, muitos e bons programas. Governo Sombra, Pessoal e Transmissível e Lido e relido, são programas de que gosto de ouvir nestes "momentos mortos".
É certo que muitos dos programas dependem do interesse que os entrevistados podem provocar no potencial ouvinte. Mas ainda bem que a TSF existe e que se dedica (e bem) a fazer jornalismo e trabalho radiofónico que vai muito para além do simples passar de música e de notícias. E ainda bem que tem um site onde podemos descarregar os seus programas.
Jornal, jornais "i"
Para quem ainda tinha algumas dúvidas sobre a orientação política e ideológica do novíssimo jornal i, nada melhor do que ler o editorial de hoje intitulado A política social não serve para nada de Martim Avillez Figueiredo.Este texto cita, entre outros ilustres, James Watson que, para além de ser conhecido pelo seu trabalho pioneiro na descodificação do ADN, foi o autor de afirmações polémicas sobre África e as políticas ocidentais para o desenvolvimento deste continente. Segundo este cientista, estas estariam erradas pois assentam num pressuposto falso, a de que os negros são igualmente inteligentes aos brancos. (Ver mais sobre este assunto aqui; o editorial do i pode ser lido aqui.)
É claro que o que se escreve num jornal não flui apenas em função do que pensa o seu editor principal. Em todo o caso, o editor escolhido e, claro está, o que é revelado através da sua coluna de opinião, explicam, de certa maneira, por que razão determinadas pessoas e opiniões (e não outras) aparecem no resto do jornal.
O que mais me "chateia" nisto tudo é o não haver, logo à partida, uma identificação clara das posições ideológicas dos jornais. Pelo menos aquela que nortea a escolha dos seus colunistas e, claro está, a do seu editor principal.
Lembram-se da primeira edição o i? Falava em devolver aos leitores o gosto de ler um jornal e coisas do género. Prometia colunistas como João Carlos Espada, Ricardo Reis e, talvez para baralhar, Paul Krugman. Mas nada se disse sobre a orientação ideológica do jornal. Acho que, por uma questão de honestidade para com o leitor, ela deveria ser desde logo assumida. Mas compreendo que, num mercado pequeno como o nosso em que para sobreviver é necessário vender para todos, seja melhor fazer com que os leitores gradualmente se apercebam (ou nunca se apercebam) deste tipo de posições.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
200 anos de evolução
Neste vídeo pode ver-se um retrato da evolução dos países nos últimos 200 anos, recorrendo a factores socio-económicos. Não sei se é muito fiel ou não, mas vale a pena ver.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Não invocarás o nome do senhor teu Deus em vão...
Há dias, foi a vez de Lopes da Mota, presidente do Eurojust (que a grande maioria dos portugueses, até há algum tempo atrás, nem sequer sonhava que existia), a dizer que de facto utilizou os nomes do Ministro da Justiça e, uma vez mais, o do nosso Primeiro nas conversas que teve com os magistrados do Ministério Público sobre o caso Freeport.
Enfim, o que é que se pode dizer sobre isto? Nada, como sempre. Isto quer dizer nada. Pode deduzir-se nada. Prova nada. A mim lembra-me é o que me ensinaram em miúdo e que dizia qualquer coisa parecida ao que está escrito no título deste post...
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Inflação nos EUA
A press release do BLS referente a Abril deste ano pode ser vista aqui.
Luxemburgo
Os momentos menos bons proporcionados pela crise financeira e económica que actualmente vivemos chegam a todo o lado. Até ao Luxemburgo, país com menos de 500 mil residentes (dos quais 13% são portugueses), e com um elevado rendimento per capita. Este país, cuja vida económica assenta na indústria do aço, no funcionalismo europeu público e na indústria financeira já viveu dias com perspectivas mais risonhas.Na passada terça-feira, o centro da capital do Luxemburgo assistiu, algo incrédula, ao protesto violento de cerca de um milhar de trabalhadores contra a decisão de layoff temporário de mão-de-obra na maior empresa mundial de produção de aço. Quanto à "indústria" financeira, em que o Luxemburgo é um dos mais importantes centros na Europa, estamos conversados. Resta o funcionalismo público europeu para ir aguentando mais as coisas. São os sinais do tempo. Sinais porventura maus para os milhares de emigrantes portugueses que vivem no Luxemburgo e que trabalham essencialmente nos serviços e na construção civil.
São, enfim, ajustamentos na estrutura económica dos países como reacção aos ferimentos da crise. Esperemos que Trichet e outros dirigentes europeus tenha razão quando dizem que há sinais positivos que indiciam um ponto de inflexão e a tão desejada recuperação económica. Sim. Esperemos que as boas-novas estejam de facto aí ao dobrar da esquina e que as recentes declarações não sejam apenas a mera gestão das expectativas.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Dados dos últimos dias
Mais informação pode ser obtida aqui.
terça-feira, 12 de maio de 2009
Loja Açores
Na Avenida Elias Garcia, ali junto à Avenida da República, foi recentemente inaugurada a Loja Açores. O conceito deste espaço promovido pelo Governo Regional (e, claro está, através do dinheiro dos nossos impostos) é engraçado, pois combina a vertente comercial, através da venda de produtos típicos dos Açores, com a promoção turística. A loja vai ter também um café com serviço wireless gratuito.Hoje passei por lá e fiquei agradavelmente surpreendido. Apenas uma nota negativa para a relativa confusão na etiquetagem dos preços de alguns produtos que, segundo me disseram, vieram para o continente com o IVA das Regiões Autónomas... Mas enfim, é a desorganização típica de quem acaba de inaugurar um espaço novo.
Vale a pena espreitar o espaço que veio diversificar, sem dúvida alguma, a oferta de serviços disponíveis na cidade de Lisboa. Já era possível, desta feita sem a ajuda do dinheiro dos contribuintes, "ir à Madeira" sem sair de Lisboa. Bastava apenas deslocarmo-nos ao Campo Pequeno e ir ao supermercado da família Sá. Agora, a dois passos da principal praça de touros do País, temos também os Açores à mão de semear... Aproveitem!
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Quem tem medo da inflação? (II)
...The Governing Council has decided in principle that the Eurosystem will purchase euro-denominated covered bonds issued in the euro area. The detailed modalities will be announced after the Governing Council meeting of 4 June 2009.... (o texto integral pode ser lido aqui)
Uma decisão inédita na história do BCE. Apesar do "in principle"... Saúda-se a decisão, pois é um sinal de que lá para os lados de Frankfurt não são assim tão insensíveis à conjuntura económica como isso.
Afinal de contas o BCE não tem tanto medo da inflação. Pelo menos não tanta como a do Bundesbank!
Quem tem medo da inflação?
Ficamos à espera de mais pormenores na conferência desta tarde do Governador do Banco Central Europeu. Talvez confirme que este valor será provavelmente o limite máximo a que a ortodoxia alemã - omnipresente na altura de o BCE tomar decisões - permite ir.
Entretanto soube-se que o Banco Central da Inglaterra (BOE) manteve a sua taxa central nos 0,5%. O BOE vai, no entanto, incrementar a compra de obrigações com o intuito de ceder mais liquidez à economia. Quase que aposto que o BCE não vai utilizar este intrumento e se vai ficar, uma vez mais, na descida da taxa de referência. Porquê? Por causa do medo do papão da inflação... Quem tem medo da inflação? O Bundesbank tem!
Hoje
Hoje é possível encontrar mais um jornal nas bancas. Chama-se i, é generalista, tem um formato e organização únicas (e um site bem engraçado que pode ser visto aqui). É de enaltecer a vontade em inovar e até a coragem em editar em papel quando se sabe que a tendência de desenvolvimento deste sector da informação escrita não é, nesta era da internet, a mais favorável.
Hoje o Banco Central Europeu deverá baixar a sua taxa de referência. Boas notícias para quem tem créditos. Mas também um aviso à navegação, pois nunca os juros estiveram a um nível tão baixo e que, a médio prazo, eles só tenderão a subir.
Tudo assuntos de hoje. Pequenos fragmentos com sinais para os dias de um futuro que nos espera. Um futuro que tudo farei para que seja melhor para a Marta, que nasceu hoje às 9h53, e para todos os da sua geração.
Despercebido como convinha
Muito se fala de enriquecimento ilícito, transparência nas contas, regras apertadas de controlo de transferência de capital recato nos gastos eleitorais, etc. Mas a “pedido” de quem é que esta alteração foi feita? Do PCP. Sim, do PCP que tem uma festa onde, supostamente, angaria muito dinheiro vivo (suponho que notas e moedas) e que será a base do seu financiamento. Ouvimos o Bloco de Esquerda criticar esta alteração? Não, votaram em “bloco” a favor.
PCP e BE, sempre tão (hipocritamente, digo eu) zelosos com as contas do Estado e dos privados (empresas e famílias) acharam bem e concordaram com esta alteração. É certo que, todos os partidos votaram a favor, mas ao PCP e ao BE pede-se, pelo menos, um pouco de decoro e de vergonha. Bem prega Frei Tomás …
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Banda Desenhada
Não me enganei ao colocar esta fotografia junto ao título deste post. Para mim, como seguramente para muitos portugueses de diferentes idades, a figura do Vasco Granja confunde-se um pouco com desenho animado, cinema de animação, banda desenhada...Não é de estranhar, pois foi um dos maiores divulgadores do cinema de animação em Portugal. Ao fazê-lo tornou-se numa referência comum a várias gerações. Num símbolo de cumplicidade entre pais e filhos. Numa imagem partilhada pelo mundo dos adultos e das crianças. Partilhada talvez de uma forma que hoje é impossível de ser encontrada, tal a multiplicidade de canais de televisão, de revistas e de jornais existentes.
Foi com alguma surpresa que li ontem no jornal Público que a língua portuguesa a ele deve a introdução do termo “banda desenhada” (BD). Também aqui ficou a sua marca indelével. Sem Vasco Granja, talvez hoje em dia estaríamos a usar a expressão “histórias em quadradinhos” em vez de BD. Ou a utilizar uma versão aportuguesada da expressão comic books.
Sem Granja, talvez falássemos no Frajola em vez do Gato Silvestre. Talvez nunca teríamos conhecido o Speddy González, o cinema animado do Canadá, as sessões de filmes do "estranho" cinema animado proveniente da Checoslováquia e de outros países do Leste Europeu.
O meu mundo deve de facto algo a Vasco Granja. Faleceu há dois dias com 83 anos. Fica a sua lembrança na memória de quem com ele teve a oportunidade de poder apreciar a BD e o cinema de animação.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Previsões da Primavera da Comissão Europeia
As previsões e o texto integral do documento elaborado pela DG ECFIN podem ser vistos aqui. Assim que tiver tempo actualizo a barra lateral direita do blogue.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Feira do livro de Lisboa
No Porto a feira do livro abrirá no dia 27 de Maio.
Bratislava
Uma das coisas que me cativam em Bratislava é a atmosfera pacífica da cidade. Anda-se à vontade, sem problema algum e quase não há sinal da polícia (o que é, na minha opinião, um bom sinal pois se eles não aparecem é porque não são precisos...).A Eslováquia é um país com cerca de 5 milhões de habitantes e que se separou da República Checa apenas em 1993. Mas já tem o euro desde o início do ano, o que me permitiu ver que, com a excepção dos transportes, as coisas não são muito mais baratas do que em Portugal.
Quado aqui cheguei surpreendeu-me a quantidade de pessoas que assistiam às missas que, um pouco por toda a cidade, são celebradas. Sim, bem sei que, ao contrário da atéia República Checa, os eslovacos são católicos. Mas de qualquer forma surpreendeu-me a quantidade de fiéis que, de uma forma não tão pouco frequente como isso, enchem as igrejas (e estou a falar de fiéis de todas as idades e sexos).
A quem aqui vier aconselho uma deslocação ao castelo de Devín, sobranceiro ao Danúbio, junto à fornteira com a Áustria. Parece mentira, mas a cerca de 30 quilómeros está Viena, uma das cidades europeias mais conhecidas no mundo. Aliás, nunca deixo de me surpreender com a minha falta de conhecimento geográfico da Europa. Lembro-me uma vez quando, de viagem de autocarro para a Suécia, me apercebi que Copenhaga estava localizada numa ilha... Big deal, dirão as pessoas que têm pachorra para ler este post. Bem, para mim foi uma pequna surpresa.
Estou seguro, de qualquer forma, de que este tipo de desconhecimento (geográfico) não deve ser uma exclusividade minha. Não acho que deva ter sido o único a ter tido este tipo de pequenas "revelações" de viagem. O problema é se por detrás destes "desconhecimentos" (geográficos) se escondam também a falta de conhecimento e de interesse sobre as diferentes culturas e formas de pensar dos muitos povos deste mosaico cultural a que se vulgarizou chamar Europa... Enfim, hajam EU, programas Erasmus e eleições europeias em abundância para que estas coisas relacionadas com o desconhecimento do "outro europeu" se tornem mesmo uma raridade...
Uma outra dica a quem aqui vier: há internet wireless de borla no largo da câmara municipal, local fácil de identificar por causa das inúmeras pessoas com portátil e onde me encontro agora.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Medo de uma pandemia
Há ainda muita falta de informação sobre o assunto. O site do Público tem alguma. Um local que pode ajudar a diminuir este défice de informação é este (em inglês).
Tempo desafiador de estereótipos
domingo, 26 de abril de 2009
Muita expectativa mas…
Entrevista a José Sócrates foi um flop completo: crise (é internacional e não temos culpa – aliás, a culpa ainda é do PSD); obras públicas e investimentos sem retorno (vão ver o site do Ministério para ver as análises custo benefício), caso Freeport (coitadinho de mim, vitima de várias campanhas), blá, blá blá. Informação, justificação e soluções: ZERO. Para isto mais valia ter ficado em casa. Fica a habitual crispação do senhor que, por vezes, roça mesmo a falta de educação. Os três últimos primeiros-ministros (Durão, Santana e Sócrates) apenas chegaram a esse lugar por estarem no sítio certo no momento certo e não por méritos próprios. Há já quem pense que Manuela pode estar no sítio certo no momento certo.
Discursos das celebrações do 25 de Abril: o mesmo de sempre vindo dos Verdes e do PCP. Mais do mesmo vindo do Bloco. Intervenção acertadíssima de Teresa Caeiro (CDS) contra a corrente. Boa intervenção mas expectável de Paulo Rangel (PSD). Do PS, intervenção fraquinha de Marques Júnior que se salvou pelos momentos de emoção de quem recorda um momento do qual fez parte. O Presidente fez mais uma intervenção correcta. Muitos esperavam sangue. Tal não aconteceu mas balizou o caminho que deve ser seguido nas próximas campanhas eleitorais.
A incrível “promoção” de Otelo
A minha questão é outra: é promover (ou reparar) e indemnizar um personagem que teve a importância que teve no 25 de Abril (não é isso que está em causa) mas que, mais tarde, foi condenado por envolvimento numa rede terrorista, da qual só se livrou da pena devido a uma decisão política (indulto ou amnistia) do Presidente de então. Uma pessoa condenada por terrorismo, num Estado democrático, não pode ser agraciada com o que quer que seja por esse mesmo Estado. Nem sequer estamos perante alguém que alguma vez tenha manifestado o seu arrependimento. Nada disso. È incrível como se promove (ou faz progredir na carreira) e com direito a indemnização. Uma pessoa envolvida em roubos, sequestros e mortes. O facto de ser um dos militares de Abril não justifica nem permite tudo.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Vinte e cinco de Abril para sempre?
Amanhã vai fazer 35 anos da Revolução dos Cravos. Sou um "filho" dessa revolução e nunca senti, felizmente, o que é viver em ditadura, com uma mordaça a abafar a voz e tolher o meu pensamento. A todos os que fizeram a revolução tenho de agradecer este facto.Ultimamente tenho ouvido e lido algumas coisas sobre o balanço destes últimos 35anos de democracia. Especialmente sobre o comportamento da economia portuguesa neste período, em comparação com a ditadura.
Será que houve progressos significativos? Será que escolhemos o melhor caminho? Será, ao fim e ao cabo, que a Revolução, e tudo o que se lhe seguiu, valeu a pena? Fica sempre a dúvida no ar. Não admira, uma vez que este tipo de perguntas são impossíveis de responder. Pelo menos sem apelarmos a argumentos de natureza mais ou menos ideológica.
E porquê? Porque não é possível trilhar dois caminhos diferentes e, no final de cada viagem, parar, olhar em volta e comparar os resultados alcançados.Fico no entanto com a sensação de que muito da Revolução está ainda por fazer. Falta talvez a revolução das mentalidades. Consciencializarmo-nos de que temos futuro e presente comuns. Falta talvez apostar mais no conhecimento e na educação. Falta sentir orgulho, para além do futebol, em ser português. Falta desenvolver uma ética do trabalho, baseada no mérito.
Falta, afinal de contas, ganhar muitas batalhas. Mas estas, acho eu, são bem mais difíceis de travar pois travam-se a nível individual e não são provavelmente realizáveis no espaço de uma única geração. Mas pode ser que esteja enganado.
Com toda a justiça
A notícia pode ser lida aqui.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Novas previsões do FMI (II)
Mas os resultados para 2009 também não são famosos: 9,6%. Tinha razão o Engenheiro Sócrates em dizer ontem que a prioridade do Governo é o combate ao desemprego...
Também há a destacar a previsão para 2009 da taxa de variação do PIB (-4,1%), pior do que as últimas previsões do Banco de Portugal (para poder vê-las, basta olhar para a barra lateral direita deste blogue, no espaço destinado às previsões económicas).
Retoma só lá para 2011... E já agora, deixem-me referir que as taxas de variação do PIB da Alemanha (-5,6%) e da Espanha (-3,0%) não são boas notícias para a nossa economia... Para a inflação o FMI prevê 0,3%, um valor acima dos -0,2% do Banco de Portugal.
Assim que puder actualizo a barra lateral direita do blogue com estas previsões.
Novas previsões do FMI
Tanto o relatório como a base de dados podem ser acedidas aqui. Ainda não consegui aceder à base de dados (talvez esteja meio mundo a fazê-lo neste momento). É que estou com curiosidade de saber quais as previsões do FMI para Portugal...
Relatório da Autoridade da Concorrência
terça-feira, 21 de abril de 2009
Relatório aprofundado de quê?
Uff, quase fico sem fôlego! De mais a mais, parece que o documento tem cerca de 500 páginas...
E qual a conclusão aprofundada? A de que não há cartelização no sector. As gasolineiras limitam-se a seguir umas às outras. Sem mais informação fica pelo menos uma dúvida: umas às outras ou as outras à GALP?
Não li o documento, por isso não posso dizer grande coisa sobre ele. Apenas que me parece que este é um exemplo claro de um oligopólio em que uma empresa (a GALP) tem uma posição privilegiada, nomeadamente na capacidade de armazenar e de escoar o produto no mercado. Logo tem algum poder sobre os preços e, como empresa que se insere num mercado de concorrência imperfeita, faz tudo para maximizar os seus lucros.
Surpreendidos? Talvez nem tanto. O que acontece é que, perante este cenário, há pelo menos duas posições políticas a tomar. Ou dizemos it’s the economy stupid, e não se faz nada (que é basicamente o que se tem andado a fazer até agora), ou se tenta uma maior regulação do mercado.
Acontece que hoje em dia os apóstolos do laissez faire estão na mó de baixo. Não admira, com o desemprego a subir, há a tentação para mudar o pêndulo ideológico... Tendo em conta as primeiras reacções vindas de São Bento, parece-me que os políticos estão cada vez menos receptíveis ao nacional porreirismo e a relatórios com conclusões mais ou menos melífluas, boas de embalar e que dão conselhos que entram no ouvido a 100 à hora e saem dele a 150.
Pois bem, parece que neste caso que até o PS tem dúvidas e o PSD diz que se deveria ter ido mais longe! Não admira, a pressão é grande, as eleições estão à porta…
Talvez estejamos a viver tempos em que é preciso encontrar alguém que não se guie unicamente pelo seu textbook de economia favorito e com cojones suficientes para deixar de dizer o que é porreiro todos ouvirmos...
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Séries longas
Estabilizadores automáticos (ilegais)
A notícia diz que este "expediente" contabilístico foi utilizado pela Grécia em 2006, altura em que este país viu o seu produto interno bruto aumentar 25% por causa de ter passado a contabilizar a sua economia "informal". (Agora já sei por que razão Portugal deixou, de um momento para o outro, de ser comparado com a Grécia...)
Numa altura em que muitos redescobrem a linguagem Keynesiana, talvez seja caso para categorizar - não sem alguma ironia, confesso - estas actividades de "estabilizadores automáticos ilegais"...
Não sei, pode ser que algumas destas actividades sejam resistentes a crises económicas, floresçam em tempos de vacas magras e venham a ajudar os governos e os governantes com obsessão por números a apresentar estatísticas mais simpáticas sobre o comportamento da economia...
quarta-feira, 15 de abril de 2009
IRS
Inflação no vermelho (parte II)
Nos EUA é preciso recuarmos até 1955 para verificarmos uma taxa de variação homóloga negativa. Em Espanha o INE esclarece que este é o primeiro valor negativo em toda a série histórica das taxas de variação homóloga do IPC. Definitivamente a inflação está na berra.
Aguardemos o que os próximos meses nos dizem, qual a reacção da economia europeia e norte-americana e, acima de tudo, que a opinião quase generalizada dos economistas se confirme: que os riscos de deflação estão longe de se tornarem uma realidade.
A press relase do BLS pode ser vista aqui. E a nota de prensa espanhola aqui. Amanhã saem os dados do Eurostat para a economia europeia.
O peso da existência
Se memória não me atraiçoa, é no filme Limelight de C. Chaplin que uma das personagens diz qualquer coisa relacionada com o facto de não vivemos o tempo suficiente para deixarmos de ser amadores (no palco da vida).Lembrei-me desta ideia ao ler a Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera. Gostei muito de lê-lo e sinceramente tenho pena de só agora o ter descoberto.
terça-feira, 14 de abril de 2009
Banco de Portugal revê em baixa projecções para 2009
A versão completa do boletim pode ser acedida aqui. A secção da barra lateral deste blogue sobre previsões económicas foi actualizada de acordo com esta informação. Para ter uma ideia de como é que as previsões têm vindo a ser revistas em baixa basta clicar na etiqueta com o mesmo nome. Às vezes a evolução das sucessivas revisões das previsões económicas diz bem mais do estado da economia do que a própria previsão em si mesma...
Certo é que este é um relatório para digerirmos e analisarmos nos próximos dias. Também nos próximos dias veremos mais indicadores importantes sobre a inflação nos EUA e na zona euro.
Investimento público II
A Câmara Municipal da Amadora tem prevista, pelo menos desde 2006, a passagem da actual biblioteca municipal para um novo equipamento situado na Reboleira. Segundo notícias retiradas daqui, a nova biblioteca deveria estar concluída em meados de 2007.Ora estamos em 2009 e, se olharmos para o copo "meio cheio", vemos que estrutura já existe. É só procurar um edifício novo, com o nome do jornalista, historiador e professor Fernando Piteira Santos em frente à Academia Militar. No entanto, o mesmo copo "meio vazio" diz-nos que, apesar da estrutura estar aparentemente pronta há pelo menos um ano, o que falta são os... livros!
Outra coisa que falta é, infelizmente, a informação. No local, ninguém sabe dizer quando a biblioteca vai abrir. (Pelo menos não havia até há bem pouco tempo!) Mais. Se recorrermos ao site da Câmara Municipal encontramos... nada sobre o assunto. Nada mais do que nada obtive quando enviei há quase um mês e meio um e-mail à Câmara da Amadora a perguntar sobre o estado da situação... Nada. Rien de rien.
O problema é que sem sabermos nada, sempre vamos vendo que o edifício, construído de raiz e concluído há já algum tempo, vai precisando de obras de manutenção e de, espanto dos espantos, correcções mais ou menos difíceis de se fazerem (como, por exemplo, o da construção de uma nova escada exterior ao prédio).
Será que a Câmara da Amadora está a utilizar todo o potencial que o investimento público desta obra pode trazer à comunidade maximizando, por assim dizer, o número de pequenas empreitadas? Mesmo que elas não sejam muito necessárias? Não sei, mas sem informação é difícil dizer mais alguma coisa sobre o assunto. Perminte-nos Apenas especular. Como, por exemplo, dizer que a obra está a ser preparada para ser inaugurada o mais próximo possível das eleições para aproveitar o seu efeito mediático na consciência dos votantes...
Vou reenviar o meu e-mail. Pode ser que desta vez tenha sorte e que, para minha agradável surpresa, a biblioteca já esteja a funcionar. Até pode ser que me engane e este não seja mais um daqueles exemplos que grassam pelo país de investimentos públicos que invariavelmente acabam em derrapagens, complicações com os empreiteiros e de desperdício de recursos. Tudo embrulhado no papel escuro que a falta de falta de informação sobre o assunto (convenientemente?) fornece.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Inflação no vermelho
Recentemente, o Governador do Banco de Portugal assegurou que os riscos de deflação na economia portuguesa eram, apesar de terem aumentado, "minúsculos". Deixou o aviso de que taxas de inflação negativas poderão acontecer mais vezes durante este ano mas que um processo continuado de descida dos preços (isto é, um processo de deflação) é difícil de vir a acontecer.
Quinta-feira saem os dados para a zona euro. A ver se confirmam os valores, bem abaixo dos 2%, que o Eurostat avançou na sua última flash estimate (para aceder aos posts sobre este tema, basta clicar na etiqueta "indicadores").
terça-feira, 7 de abril de 2009
Pormenor técnico
Não quero tecer nenhum comentário sobre a estimativa nem tão-pouco sobre a décima a mais ou a menos em relação a outras estimativas já efectuadas. Não.
Quero apenas alertar para o seguinte pormenor técnico. Se olharmos para a press release do Eurostat, verificamos que para os EUA e para o mesmo trimestre de 2008, a taxa de variação apresentada é de -1,6%. (ver press release aqui.)
Da mesma forma, se olharmos para esta notícia do Público lemos que a economia norte-americana "registou uma quebra de 6,3 por cento no último trimestre de 2008".
Então o que é que se passa? A economia dos EUA "mirrou" 1,6% ou 6,3% no último trimestre do ano passado? É que os números são bem dispares... Será que há um erro?
Há. E é um de interpretação que pode gerar confusão na cabeça das pessoas que consomem este tipo de informação.
O que se passa é que à notícia do Público sobre a evolução do PIB americano falta dizer que os dados, divulgados pelo US Bureau of Economic Analysis (ver press release deles aqui), são, ao contrário dos que são fornecidos pelo Eurostat, anualizados. Isto é, os -6,3% são a taxa de variação que obteríamos se a variação de 1,6% se perpetuasse por quatro trimestres consecutivos... A forma de divulgação do Eurostat é diferente da dos colegas americanos e isso não é, muitas vezes, tido em conta por quem divulga notícias sobre os dados.
Então, e qual é o problema? Bem, o problema talvez até não seja assim tão grande. Talvez a grande maioria das pessoas leia as notícias e as consuma de uma forma rápida, sem se preocupar com a ordem de grandeza dos dados.
Ao lermos hoje a notícia do Eurostat, já não nos lembramos da que foi dada, há algum tempo atrás, sobre o PIB dos EUA... E assim vamos vivendo. Sem muita atenção ao rigor dos números. O problema é que quem coloca estas notícias na internet deveria, na minha modesta opinião, saber como escrever e interpretar as coisas de forma a causar o mínimo de confusão aos leitores. O problema, é que constato que assim não acontece. Por que será?
Indicadores, indicadores, para que vos quero?
Quem utiliza regularmente a Linha de Sintra já se deve ter apercebido do desaparecimento do "indicador de pontualidade" que há coisa de um ano, um ano e meio, era possível ver nas estações de comboios.Com uma escala de leitura fácil, que teoricamente podia assumir qualquer valor entre os 0% e os 100% de pontualidade, nunca me lembro de ver o indicador medir menos que 96%.
Ontem, dia em que uma vez mais tive de me sujeitar aos atrasos impostos pela ausência de "material circulante" para me levar para casa - desta feita supostamente por causa de uma avaria de uma catenária -, lembrei-me do tal indicador que, como por artes mágicas, desapareceu da vida dos utententes...
Ele há coisas estranhas, não há?
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Sismo em Itália tal como foi sentido em Portugal
De acordo com notícias do mesmo site, o sismo atingiu a magnitude 6,3, e teve várias réplicas, a maior das quais com o valor de 5,1.
Na escala de Richter, um sismo com uma intenside de 6,3 é “grande” e é descrito como podendo “ser destruidor em zonas num raio de até 180 quilómetros em áreas habitadas” (ver mais sobre a escala aqui).
Perder-se na Índia
Ao ver na lista dos actores que participaram no filme Slumdog Millionaire os nomes Freida Pinto e Ashutosh Lobo Gajiwala, não pude deixar de pensar que a Índia talvez não deva ser apenas um lugar feito de propósito para as pessoas se perderem. É-o também para os nomes.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
G20 e paraísos fiscais
Os paraísos fiscais encontram-se quase todos na área "cinzenta", isto é, são lugares que acordaram cumprir com regras internacionais mas que, até agora, não fizeram nada de substancial para cumprir com o prometido.
No lote de jurisdições que prometeram mas que não cumpriram de forma substancial, encontramos o Liechtenstein, o Mónaco, Andorra, o Luxemburgo, a Suíça, a Áustria e a Bélgica.
Tudo países, principados e locais da Europa altamente civilizada com promessas de virem a cumprir no futuro com as melhores práticas internacionais em matéria fiscal. Tudo promessas de 2009. É caso para dizer: de agora em diante, tudo bons rapazes...
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Investimento público
Está na moda o uso de “cartões de proximidade” para os mais variados fins. Em Lisboa, esta tecnologia começou a ter mais visibilidade com a criação do cartão “Viva” e a instalação de torniquetes e controlos de acesso no Metro.A REFER parece estar agora a apostar neste tipo de tecnologia, tendo instalado linhas de controlo de acesso em várias estações da Linha de Sintra.
A estação de Monte Abraão, por exemplo, tem este sistema montado pelo menos desde Setembro/Outubro do ano passado e, a da Amadora, há pelo menos alguns meses.
E qual é o problema? O problema é que este sistema, apesar de estar fisicamente implantado, não funciona. Mais. Nem todas as estações da Linha de Sintra o têm, desconhecendo-se por completo (eu pelo menos não ouvi dizer nada sobre este assunto), sobre o critério utilizado para se ter começado com algumas estações e deixar de fora, por exemplo, a estação do Campo Grande.
Enquanto estas dúvidas persistem, é ver as gloriosas máquinas depreciarem com o tempo. Sim, porque por mais duradouro que um torniquete automático seja, ele também se gasta com o tempo. Também ele precisa de manutenção e de mais investimento público para manter a tecnologia dos “cartões de proximidade” pronta a ser usada.
Admito que não esteja completamente bem informado sobre este assunto. Mas esta situação cheira-me a desperdício. A mais um exemplo de mau planeamento e de má comunicação de objectivos.
É por isso que as discussões actuais de natureza ideológica sobre o investimento público, que dividem os partidários das “grandes obras” daqueles que acham que se deve gerir o dinheiro público no sentido de facilitar a vida dos pequenos agentes económicos me parecem, por vezes, esquecer algo da mais básico.
É que qualquer investimento público, seja ele grande ou pequeno, deve ser bem planeado e bem entendido por todos. E já agora, que seja entendido por todos (ou quase todos) como benéfico ou como uma melhoria em relação ao status quo. Será que alguém da CP/REFER consegue explicar que a situação actual é melhor (vai ser melhor) do que a anterior? Se não, cheira-me a desperdício...
Surpreendidos?
Eu estou de facto um pouco com a notícia que li aqui. Até porque a grande generalidade dos analistas previa uma descida para 1% (basta olhar para a primeira página do Jornal de Negócios de hoje…).
Esperava mais. Saiu-nos, a nós europeus, um corte de 25 pontos base. Aparentemente sem mais nenhuma medida adicional. Mínimos históricos, dirão os mais optimistas. Sim, mas esta é também a crise económica mais grave da história do Banco Central Europeu (BCE).
Também fiquei surpreendido porque parece que o corte da taxa directora não é suportada por outras medidas e pelo uso de outros instrumentos de intervenção monetária. Não saberão fazer mais nada do que baixar (comedidamente) e subir (sempre que possível) a taxa directora do mercado monetário?
Enfim, esperemos por mais informações do BCE sobre esta matéria. De qualquer forma, o corte vem na linha daqueles que pensam que o BCE está a reservar suficiente "margem de manobra" para poder baixar as taxa de juro no futuro.
A press release referente ao anúncio de hoje do Banco Central Europeu pode ser acedida aqui. Vale a pena ler. Está lá tudo. A sacrossanta estabilidade dos preços (basicamente ter o IHPC a variar em termos homólogos em torno dos 2%), o pacto de estabilidade, a referência a alguns países (estão a adivinhar quais?), que necessitarão de proceder a medidas de consolidação orçamental mais sérias a partir de 2010, a renovada estratégia de Lisboa, as reformas estruturais (isto é, a liberalização do mercado de trabalho), etc, etc… E claro, inflação, inflação e mais controlo da inflação. Ah, e falam em crescimento no longo prazo. Mas no longo prazo, já dizia Keynes, we are all dead.
Afinal de contas parece que o BCE não mudou assim tanto quanto isso. Surpreendidos?
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Indicadores num flash
Hoje foi a vez do organismo oficial para as estatísticas da União Europeia anunciar um aumento da taxa de desemprego. Tal como pode ser lido aqui, a taxa de desemprego na zona euro em Fevereiro aumentou de 8,3% para 8,5% em Fevereiro. E o que querem dizer esta última percentagem? Que cerca de 13,5 milhões de pessoas estão desempregadas.
Os campeões do desemprego são a Espanha (com 15,5%), a Letónia (com 14,4%) e a Lituânia (com 13,7%). Se adicionarmos a estes últimos os 9,9% registados pela Estónia podemos ter uma ideia dos problemas que os países bálticos estão a ter. Fora da Europa, os 8,1% dos EUA são uma preocupação para todos os que pretendem ver sinais de recuperação económica a nível mundial.
Perante estes novos indicadores, não há então que estranhar esta notícia do Público on-line que diz que o Banco Central Europeu (BCE) deverá descer, uma vez mais, a sua taxa de referência para 1%. Por enquanto o BCE ainda tem "margem", como dizem os analistas. E se a recessão for para além de toda a margem possível?
Geringonças com pedais
Acontece que “Cenas a Pedal” é o nome da uma empresa que importa bicicletas e outro tipo de geringonças que possam promover estilos de vida simultaneamente mais saudáveis e mais amigas do ambiente. Vale a pena espreitar o site aqui, que inclui um blogue sobre bicicletas e cenas do género. Apenas um senão, aliás bastante comum em sites comerciais portugueses. Não encontrei preços, o que me faz suspeitar que este tipo de "cenas"sejam caras e um luxo para a grande maioria das pessoas.
Fica a referência e a sugestão a todos aqueles que queiram abater a barriguinha e que, ao mesmo tempo, tencionem promover meios de locomoção mais limpos. Sim, porque há uns tempos atrás cruzei-me com um dos mais mediáticos responsáveis pela autarquia de Lisboa e fiquei impressionadíssimo com a proeminência da sua barriga...
Rincão
Em Queluz, perto do Palácio Nacional, existe um jardim público onde tirei esta fotografia. É de uma casa situada num dos seus recantos.Para mim, o interessante do lugar é que poderia facilmente ser transportado para uma povoação da Beira Baixa ou para uma outra zona qualquer que não a de uma cidade limítrofe de uma grande metrópole. Sem termos de apelar a um grande poder de abstracção, poderíamos facilmente imaginarmo-nos noutro lugar.
Sim, bem sei que são simplesmente resquícios do passado não (sub)urbano de Queluz. Uma raridade, dir-me-ão também, porque estão bem estimados e conservados.
Tudo bem, tudo certo. Para mim, o lugar é um daqueles exemplos que me lembram que, por vezes, é bom enganarmo-nos a "tomar a árvore pela floresta". Pelo menos por uns instantes. Pelo menos enquanto a vista descansa e se concentra na árvore, no rincão que me transporta para outros lugares, e se alheia da floresta, do caos urbanístico dos subúrbios de Lisboa.


